Sala de Estar

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Sala de Estar

Mensagem por Secret em Ter 4 Nov - 20:24:00

Sala de Estar


Thanks to +Lia atOps
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Brayden L. Rimmer em Ter 4 Nov - 23:17:17

my brand new life


Minhas mãos tremiam quando entramos na casa dos Rimmer. Eu havia estado naquela mansão uma vez há cerca de três meses atrás quando Melissa me pediu para passar o dia com ela e então me surpreendeu ao perguntar se eu queria ser adotado por eles no dia seguinte quando acordei. Aquela era uma coisa que eu não esperava. Quando eu havia visto aquela mulher tão bonita entrar no orfanato e caminhar até mim eu imaginei que seria como todas as outras "adoções por um dia" que tive ao longo dos últimos dois anos. Pensei que seria levado para a casa do casal e então no dia seguinte voltaria para o Orfanato St. Anne, mas não foi isso o que aconteceu. Eu havia tomado as providências de tentar não me apegar a nenhum deles por mais que fossem um casal bom, pois no fundo eu ainda sabia que minha estadia naquela casa não iria durar.

O luxo da mansão chegava a ser assustador. Nada parecido com o apartamento pequeno e sujo que eu costumava morar ao outro lado de NY e que eu tentava esquecer desde o momento em que havia tirado os pés de lá para morar com a minha avó. Na verdade eu tentava abafar qualquer pensamento sobre a minha vida antiga por autopreservação, mas ainda assim eu estava completamente nervoso pelo fato de estar indo para a casa dos Rimmer e dessa vez sem data de volta. Com tanta crianças no orfanato não era justo que logo eu fosse adotado, pois eu não merecia aquilo e sim as crianças mais novas, fazendo com que o pensamento me deixasse mais culpado do que eu já me sentia. Melissa havia vindo falando comigo o caminho todo, mas eu não queria falar. Eu não me sentia exatamente confortável perto dela e muito menos de Greg que mesmo sem querer me intimidava um pouco. Eles poderiam ser os melhores comigo, mas a verdade era que nunca seriam os meus pais.

-As meninas estão loucas para te conhecer, Brayden. -Sorriu Melissa enquanto eu assentia e apertava a alça da minha pequena mochila que carregava todos os meus pertences. Senti meu coração disparar pelo nervosismo. -Greg chega do trabalho cerca de uma hora e então poderemos jantar. Está com fome?

-N-Não.

Respondi sinceramente, ganhando os olhares um tanto preocupados da mulher.

-Bem, você não pode ficar sem comer, querido. -Sorriu ela gesticulando para que eu esperasse por um momento. -Liesel, Felicity e Autumn! Chegamos, queridas!

A ouvi chamar ecoando pelo espaço grande da mansão fazendo com que eu me encolhesse pelo grito automaticamente. Minha nova mãe abriu um sorriso, pousando a mão em meu ombro. Tentei ignorar o fato de como aquele gesto me deixou incomodado e estranho.

-Deixe suas coisas sobre a poltrona, Bray, depois pode colocá-las no seu quarto. Eu tenho certeza que falei das meninas da última vez em que esteve aqui, mas como Greg e eu quisemos conhecer você a sós, é uma boa hora pra apresentá-los. Como já disse antes, Liesel é a mais velha das três, tem 17 anos, depois dela vem Felicity com 16 e por fim Autumn com 15.

Assenti um tanto sem graça me perguntando a razão de todas as meninas terem nomes tão diferentes, mas me lembrei de ter perguntado isso da primeira vez em que estive com Melissa e que ela havia me dito que a escolha de nomes havia sido para que suas filhas fossem únicas. Eu até que achei legal. Ver Melissa se preocupar tanto comigo era interessante por mais que fosse um pouco demais as vezes. A mulher tirou a mochila das minhas costas e a colocou sobre uma das poltronas abrindo um sorriso largo conforme meus olhos caíram em alguns porta-retratos da família. Ali estavam todos eles sorrindo e parecendo se divertir, momentos que eu francamente nunca tive a chance de ter.

-Bem, Greg e eu já te matriculamos na escola local, aposto que vai adorar o lugar. Vai fazer dezesseis em alguns meses, certo? -Assenti. -Você estará no mesmo ano que Felicity e por mais que estejam em escolas separadas, aposto que ela pode lhe dar umas boas dicas. Ainda assim não o farei ir para a escola logo amanhã para não te sobrecarregar com tanta informação por conta da mudança. Você pode começar na semana que vem.

Eu não tinha ideia do que esperar sobre o ensino médio e isso me deixava desesperado. A melhor ideia que eu tinha sobre ele vinham de filmes como High School Musical que eu tinha que assisti com Jo no orfanato, mas que parecia ser algo bem legal. Acho que eu conseguiria me acostumar com uma escola mesmo só tendo ido para uma por dois anos da minha vida enquanto morei com a minha avó, depois disso eu era ensinado pelas freiras no orfanato. Meus olhos caíram nas escadas quando barulhos de passos puderam ser ouvidos e então senti minhas mãos soarem. Aquela era a hora de conhecer minhas futuras novas irmãs e eu me sentia um pouco tonto. Melissa me abriu um largo sorriso.

-Tudo bem, Bray?

-T-Tudo bem.

Gaguejei sem jeito não tendo ideia se realmente estava tudo bem.

▲▲▲
Brayden L. Rimmer
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Roxanne Stella Rimmer em Qua 5 Nov - 17:11:32

ain't it good?
click me
tag: Rimmer family
words: 935
notes: new member
Olhei para a sala mais uma vez antes que minha mãe pudesse chegar: tudo em perfeito estado. Eu poderia jurar que ela pediria para Liesel tomar conta de nós três hoje, mas acho que não foi o caso. Autumn corria pelo chão encerado com suas meias e deslizava, caindo de joelhos sobre o brilhante piso e gritando junto com nossa irmã mais velha. Abri um sorriso de orelha a orelha, enquanto Meredith corria atrás das garotas, seus pequenos saltos batendo contra o chão, as meninas caindo na gargalhada quando se chocavam uma com a outra.
Ora, vamos! Sua mãe estará aqui em alguns minutos! Vão se aprontar!
Sabe, Dith, você precisa relaxar um pouco. Já tomou o seu chá hoje?
Abracei a velhinha por trás, lhe dando um abraço de urso. A senhora de cabelos grisalhos perfeitamente preso em um coque abriu um sorriso alegre, colocando suas mãos sobre meus braços, e negando levemente a cabeça, em tom de desaprovação.
Se eu não tivesse trocado a fralda de todas vocês...
Você já estaria fora daqui! Já sabemos!
Complementaram as meninas em conjunto e correram até Meredith, nós três dando um beijo em cada parte diferente em seu rosto e saíram correndo pelas escadas. O telefone vibrou em meu bolso e desbloqueei a tela, e, soltando Meredith de meus braços, comecei a andar cegamente até a escada, respondendo o grupo que não parava de falar um minuto sobre a volta as aulas, e como aquele ano seria ótimo para os alunos do segundo ano.
Felina...
Hm? Levantei a cabeça levemente ao escutar o apelido de meus pais desde o dia em que decidir virar um gato alguns anos atrás. Meredith me olhava com um semblante maternal, que eu tanto conhecia quando ela precisava me contar alguma coisa. Ah, não. Lá vem bomba da tia Dith.
Resmunguei alto e coloquei o celular em cima da mesa, e andei preguiçosamente para o sofá, me jogando como um mendigo que nunca tinha antes visto uma cama. Ok, essa comparação foi um pouco de maldade, mas realmente não foi minha intenção. Meredith sentou do meu lado, sua mão enrugada começou a brincar com os fios do meu cabelo, gesto que sempre queria dizer “por favor, não me mate”.
Sabe, o garoto que vem aí tem a sua idade. Ele parece ser muito tímido... Como seu irmão.
Fechei os olhos e me encolhi no sofá que agora parecia enorme demais para mim. Quando você faz quatorze anos, seus pais te colocam sentados na sala para ter ‘a conversa’. Sabe? Aquela conversa de que os bebes não vem realmente da cegonha? A minha conversa com meus pais foi em um quarto de hospital, quando eu descobri que tinha perdido meu irmão gêmeo. Eu nunca quis tanto conversar com meus pais sobre sexo e de porque os bebês não vem da cegonha. Deixei que um suspiro escapasse de meus lábios e dei de ombros levemente, deitando no colo de Meredith e me aconchegando ali.
Eu sei, Dith. Mas ninguém vai substituir meu irmão. Neguei com a cabeça. Ainda acho que não foi justo o que aconteceu com nossa família. Alguém que deveria ter acontecido uma tragédia...
Não fale isso. O que eu sempre lhe digo? Ninguém merece o sofrimento que vocês tiveram que passar, Felicity. E você não deve desejar isso nem para seu pior inimigo, ma fille. E não quis dizer que ele vai substituir seu irmão, mas você sabe o como eu sinto as coisas... E acho que ele vai ser bom para você. Para todos nós.
Assenti fracamente e me sentei no sofá mais uma vez, coçando os olhos marejados como uma criança. Não me entenda mal, não é que eu não queria nosso novo irmão conosco. Mas isso era o que parecia ouvindo a minha mãe: uma reposição. E eu tenho certeza que só ela sabe o que é perder um filho, e eu não podia muito a culpar.
Eu serei legal, Dith. Prometo.
Segurei o colar do meu irmão em minhas mãos e sorri, dando um beijo em sua bochecha e correndo para o meu quarto me trocar. Afinal, era hora de hospedar uma visita.

***
Liesel, Felicity e Autumn! Chegamos, queridas!
Nós levantamos as três ao mesmo tempo da cama de Liesel, uma olhando para a cara da outra. Acho que essa era a hora que conheceríamos nosso novo irmão. Eu achava super legal adotar uma criança, e em um futuro distante, eu não queria engravidar, mas sim adotar um filho. Porém, talvez fosse um pouco difícil me acostumar com mais uma pessoa em casa.
Vamos descobrir quem é nosso irmãozinho.
Sorrimos uma para a outra e descemos correndo as escadas. Se essa era a primeira impressão que nosso novo irmão teria de nós, seria provavelmente que ele foi adotado pela dona de um hospício que tem fetiche por morenas de olhos claros. No meio das escadas, eu já conseguia ver o garoto moreno, que observava seus arredores com um ar de surpresa.
Oi! Eu sou Felicity! Bem vindo a nossa família.
Sorri amorosa observando o olhar de medo nos olhos do garoto. Cheguei perto dele devagar, como se a algum passo errado eu fosse o quebrar.
Eu não sei se você é muito chegado em abraços, mas essa família é, e eu vou te dar um de boas vindas.
Abracei o garoto antes que ele pudesse negar meu abraço, e minha mãe me olhou, com um olhar divertido nos olhos, como se minha reação fosse exatamente a que ela esperava. O soltei devagar e dei um passo para trás, deixando que minhas irmãs se apresentassem.
robb stark
Roxanne Stella Rimmer
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New York City!
Sweet.
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Autumn Elleanor Rimmer em Qua 5 Nov - 20:34:25

Our [new] brother
Autumn estava ansiosa. Nada mais, nada menos. A cada segundo que se passava ela aguardava que a mãe anunciasse a chegada do mais novo membro da família Rimmer. E enquanto esperava, seus dedos corriam levemente pelas páginas de um livro antigo que havia pego na biblioteca recentemente. Tinha algumas centenas de páginas, mas queria esperar um pouco mais para começar a ler. Se tudo desse certo, seria o dia inteiro numa maratona de leitura.

Senhor dos Anéis pedia isso.

Já tinha ouvido falar muito nesse livro, mas ainda assim nunca o havia lido. Talvez estivesse na hora, certo? Certíssimo. Mas sua cabeça precisava se ocupar com outra coisa, então a menina desceu as escadas em direção a sala de estar. Seus pés estavam apenas cobertos por uma meia, o que deixava tudo ainda melhor. Poderia escorregar pelo piso da sala e rir um pouco com as irmãs, e foi exatamente isso o que aconteceu.

Liesel e Autumn chocavam-se uma contra a outra tendo apenas as risadas como plano de fundo. Felicity observava, também sorrindo, mas a brincadeira foi impedido logo após a chegada de Meredith. A senhora possuía aquela expressão de sistemática, mas no fundo a garota sabia o quanto a velhinha era uma boa pessoa.

- Ora, vamos! Sua mãe estará aqui em alguns minutos! Vão se aprontar! – ela disse e Autumn apenas suspirou. Felicity brincou com Dith, fazendo-a dizer aquela mesma frase de sempre. Já deveria ser a milésima vez desde que a menina se entendia por gente, tanto é que as irmãs completaram o final juntas.

- Você já estaria fora daqui! Já sabemos! – por Felicity já estar abraçada com a velhinha, só restavam as outras duas para completar o gesto de afeto. Foram até ela, Autumn lhe aplicando um beijo demorado na bochecha esquerda. Depois riu e olhou para além da janela da sala de estar, percebendo que a qualquer momento a mãe poderia chegar. Subiu correndo as escadas e fechou a porta do quarto. Não tardou a ir até o notebook que estava sobre a cama. Alguns segundos depois e uma playlist de Yann Tiersen estava sendo reproduzida.

A garota deu um giro em seu próprio eixo, em uma dança solitária. Encaminhou-se, em seguida, para o banheiro. Precisava de uma ducha.

--x--

Encarava-se no espelho com um vestito floral. Pegou na barra do mesmo e o puxou para os lados, cruzando as pernas e fazendo uma reverência à moda antiga para si mesma. Sorriu e logo em seguida prendeu o cabelo em um coque mal feito, que lhe era característico. E, abixando o volume de Les jours tristes, a música que tocava, partiu para o quarto de Liesel.

Pouco tempo ficaram lá. Logo em seguida a voz da mãe já se fez presente, anunciando a chegada dela com o garoto. Autumn se agitou por dentro e encarou as duas irmãs. Se pudesse ler mentes, diria que estavam pensando que agora sim, conheceriam o novo irmão. Era estranho usar tal termo, “novo irmão”, mas era a verdade. Por mais que fosse por adoção, ele era um Rimmer agora.

E além do mais, a menina nunca tinha visto gesto tão bonito quanto o dos pais. Adorava quando eles tomavam essas iniciativas, mas adotar alguém era ainda melhor. Dar um lar, uma família. Poderia existir algo mais lindo do que isso? E enquanto Autumn se perdia em pensamentos, Felicity ia até o novo morador e lhe abraçava.

- Muitos abraços. – murmurou a jovem com um sorriso. Logo após que a irmã do meio se afastou, Autumn deu um passo à frente. Queria poder demonstrar confiança ao garoto, que parecia extremamente nervoso, mas não sabia como fazer isso. Abraçou-o forte, então, sentindo a diferença na altura que os dois possuíam. Por um momento se lembrou de Jonathan, mas tentou afastar a memória do falecido. Não poderia pensar nele agora, não quando tinha um novo irmão ali para receber um pouco de amor. – Bem-vindo! - disse assim que se afastou. A garota possuía um sorriso de orelha a orelha, e logo se precipitou em se apresentar. Quase ia se esquecendo. – Sou Autumn, aliás.

A menina esperava que o moreno não ficasse tão desconfortável com todo aquele… Assédio?

It’s hard, hard to stand up for what’s right
Autumn Elleanor Rimmer
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Liesel Bonheur Wojciëch em Qua 5 Nov - 22:44:09

bad news
#family ● Outfit ● New bro ● 1127 words
Feixes dourados iluminavam a pontos paralelos de meu quarto, uma destas pairava sobre minha testa levemente umedecida pelo suor frio que percorrera meu corpo após o despertar de um curto cochilo. Bastou que eu ousasse fechar meus olhos e flashes de um pesadelo do qual eu não tinha a anos voltavam a minha mente, impulsionando-me a despertar a todo o momento. Primeiro risadas divertidas e vozes em uníssono entoando a um canção cômica, em seguida os gritos de pavor tomaram ao utilitário e por fim não havia mais nada, apenas as luzes ofuscantes de um quarto perturbadoramente branco de um hospital. Fora um tortuoso ano, aquele em que perdi meu irmão, entretanto, eventos seguidos fizeram-me superar aquilo parcialmente e num estalar de dedo tudo havia voltado a tona e o culpado era ele. O mais novo Rimmer.

Saltei da cama, guiando meu corpo esguio e revestido pela camisola de seda perola para frente do enorme espelho defronte a minha cama. Meu rosto parecia mais pálido aquela manhã, meu corpo estava magro, e não de uma forma esbelta. Os cabelos bagunçados caiam até as proximidades de meu quadril e eu instintivamente cogitei a ideia de corta-lo. Me encarar no espelho fora a única coisa que fizera em mudar por poucos segundos minha atenção, de resto tudo que dominava minha mente era a estúpida realização de meus pais em ter achado o filho perfeito para adotar. ▬ Estúpidos. — bufei, soltando todo o ar pesadamente pelas narinas e rolando os olhos automaticamente. Depois de dois anos o que aparentava era uma desistência nessa ideia inescrupulosa, mas não, quando Melissa Rimmer tinha algo na cabeça nada a tiraria, até que ela conseguisse realiza-la, custe o que custar. E aquilo me era tão familiar.

Meus passos lentos atravessaram ao extenso corredor iluminado, vez ou outra meus pés tropeçando, escorregadios pelo tecido fino da curta meia que os revestia. Sorri preguiçosamente quando uma ideia repentina voou a minha mente, o som de passos dominavam no primeiro andar e fora para lá que corri. Mas precisamente, escorreguei. Meus pés deslizavam pelo piso liso e polido até que meu corpo chocasse contra o pequeno físico de minha irmã caçula. Ellie, sua... — Grunhi entre o riso histérico e harmonioso das três Rimmers. Encarei brevemente Felicity e soprei um beijo antes que nossa atenção fosse tomada por Meredith, nossa zelosa governanta. Sua voz autoritária entoou pelo hall, relembrando-nos de que logo o espetáculo teria início e da dupla porta emadeirada atravessaria minha mãe e o novo filho. Nenhuma de nós mostrou interesse em correr escada acima e aprontar-se de imediato e isto fez Meredith soltar sua usual fala de repreensão para nós, a mesma fala que usou quando quebramos a um porcelanato caro de nossa mãe, de quando quase pusemos fogo numa simples omelete e de quando descemos a enorme escadaria com colhões; "Se eu não tivesse trocado a fralda de todas vocês". ▬ Você já estaria fora daqui. Já sabemos. — Dissemos, eu e minha duas irmãs num coro impecável e cômico. Meredith sorriu por entre a linha impassível de seus lábios e abruptamente agimos em trio, agarrando-a e atacando sua face em beijos e abraços curtos. Meredith estava naquela casa desde antes mesmo de qualquer uma Rimmer nascer, aparentemente. Ela era mais que uma funcionária, era como uma avó rabugenta e amorosa que os netos sempre sonhavam em ter. Ela era da família. Pelo menos uma parte boa dos Rimmers.

● ● ●

Lufadas de ar frio invadia meu quarto pelas janelas entreabertas. O tecido de minha saia florida que escondia parcialmente a minhas coxas dançaram com graça ao ser envolvida pela brisa. Meus dedos ajeitaram rigorosamente a blusa cropped negra e eu tamborilei as botas curtas e negras no piso antes de dar um giro a frente do espelho do banheiro, revendo se as roupas estavam tão impecáveis quão estava a segundos atrás. Por que todo este nervosismo? Ele não é seu irmão, Liesel. Ouvi-me gritar mentalmente. Sim, ele não podia ser meu irmão. Jamais poderia substituir John, ninguém podia. Deslizei o dedo pela longa trança negra e enrolei um destes ao fim dela enquanto retirava-me do lavabo e seguia em passos apressados e firmes para o corredor. ▬ Esperem por mim, senhoritas primavera. — Morde o lábio contendo o riso quando uni-me a minhas irmãs, notando que mesmo acidentalmente estávamos harmoniosas com um toque primaveril nos trajes.  "Vamos descobrir quem é nosso irmãozinho." Disse Felly e vindo dela eu sabia que não tinha qualquer maldade. "Liesel, Felicity, Autumn. Chegamos, queridas." Ouvi a serena voz de minha mãe gritar do andar de baixo e como um sinal descemos emparelhadas a cada degrau com uma pressa incomum até que o trio de morenas estivessem paradas defronte a silhueta esbelta da matriarca Rimmer e do recém-chegado. Ele!

▬ Por deus, não. — Balbuciei incrédula. Felicity e Autumn apressaram-se na apresentação e eu mantive-me estagnada encarando aos traços do moreno acoado ao lado de minha mãe. Maldita seja. Gritei em mente. Algo no sorriso encabulado ou no olhar alarmado do menino a minha frente me fez lembrar meu irmão, na verdade ele me fez lembrar meu irmão, algo nele era tão semelhante que era assustador. Com exceção aos olhos escuros, um traço predominante dos Rimmers era as íris azuladas, entretanto, ele era moreno e pálido, semelhante a mim e minhas irmãs. Ouvi o pigarrear de minha mãe e notei que os olhares estavam voltados a mim. Autumn e Felicity gesticulava com os lábios, "Vai, Lisel. Por favor." E entre leves tropeços me aproximei do garoto. ▬ Eu... eu sou Liesel. — Murmurei baixo entre o nó que se formava em minha garganta. Ele não é o John, ele não é seu irmão. Me ouvi novamente gritar, mas desta vez ignorei, deixando que a nobreza do gesto de meus pais excedesse ao desgosto que era sua falha tentativa de substituição. ▬ Bem-vindo a família. Só pra lhe deixar ciente, eu sou a mais velha, eu mando em tudo. — Meu olhar se estreitou e meus lábios se cerraram enquanto em assumia uma postura inferior e simulada, até que soprei um sorriso e relutante inclinei-me para abraçar o garoto. ▬ Você irá se adaptar aos Rimmer. — Balbuciei antes de recuar o passo e retomar minha posição entre as duas morenas que encaravam-nos com expectativa. Dei de ombros, soltando todo o ar entre o lábios e cruzando os braços. ▬ Podemos pelo menos saber seu nome, irmãozinho? — Lutei para que o canto de meus lábios não se erguesse num sorriso maldoso, mas logo tratei de desfaze-lo, encolhendo-me entre minhas irmãs e forçando a um simpático sorriso semelhando ao delas enquanto encarava ao menino e ao modo protetor que minha mãe abraçava seus ombros.

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Re: Sala de Estar

Mensagem por Brayden L. Rimmer em Qui 6 Nov - 14:35:55

my brand new life


Eu não estava entendo mais nada o que Melissa falava já que ao dizer que ela não queria me afundar em milhões de informações, ela fazia esse processo me afundando em milhões de informações das quais eu já havia perdido a linha de raciocínio. Eu tinha certeza que Melissa era uma espécie daquelas mães super atenciosas que estão sempre preocupadas com os filhos, mas eu francamente não estava acostumado com isso, nada acostumado com isso para ser sincero. Chegava a ser até mesmo um pouco irritante a forma com que ela parecia o tempo todo querer manter uma conversa comigo e me agradar, por mais que eu estivesse extremamente agradecido por toda a sua tentativa e preocupação em me fazer bem. Ainda era um sentimento novo.

Eu sabia que os meus pais reais me queriam bem, pelo menos o meu pai havia tentado isso. A única coisa era que ele simplesmente não havia conseguido arcar com o trabalho e comigo quando minha mãe nos deixou, sendo ela então praticamente a culpa de toda a minha vida ser como era. Ainda assim por mais que eu quisesse odiá-la eu não conseguia. Por mais que Melissa estivesse tentando me fazer me sentir em casa, eu não sentia. No fundo eu queria que minha mãe biológica batesse na porta pedindo para que eu voltasse pra ela e como a criança mais idiota do mundo eu voltaria. Eu a abraçaria e esqueceria de todas as vezes em que a vi gritar comigo ou bater no meu pai em momentos de raiva. Em como um costumava bater no outro no calor do momento. Eu sabia que o meu pai amava a minha mãe e que ele odiava quando as coisas chegavam em violência, mas eu não podia dizer o mesmo sobre ela.

Meus olhos caíram nas escadas quando barulhos de passos apressados avançaram, fazendo com que meu coração acelerasse mais uma vez. Engoli em seco resistindo à vontade de me esconder atrás de Melissa quando as três meninas que seriam minhas futuras irmãs se aproximaram, todas as três extremamente semelhantes em seus cabelos escuros e olhos claros exatamente como os do Greg. Um sorriso se abriu no rosto da minha mãe adotiva que colocou a mão em meu ombro em caso confortador que na verdade não ajudou muito, mas foi um início. As três meninas me observavam de uma forma estranha e eu queria muito sair correndo.

-Oi! Eu sou Felicity! Bem vindo a nossa família. -A primeira delas se apresentou aproximando-se de mim de vagar com um largo sorriso no rosto. Meu primeiro instinto foi de recuar, mas eu me mantive fixo, quase petrificado onde eu estava talvez com o corpo tão rígido quanto. Apenas assenti sem muita coragem de me manifestar, eu não era bom com pessoas novas. -Eu não sei se você é muito chegado em abraços, mas essa família é, e eu vou te dar um de boas vindas.

Abri a boca para negar, mas antes que pudesse eu tive o corpo puxado pelos braços da menina que me apertou em um abraço. Tentei retribuir, mas ela foi rápida demais e eu me sentia nervoso e sem jeito. Eu não estava acostumado com contato físico, muito menos com estranhos e menos ainda com estranhos do sexo oposto. Senti meu rosto esquentar quando ela finalmente se afastou em mesmo tom amigável ao qual apareceu na sala. Pelo menos elas pareciam dispostas a me abrigarem e isso era legal. Eu definitivamente não queria problemas com aquela família, todos eles pareciam ser muito bons.

-Hm... O-Olá.

Gaguejei sem jeito olhando um tanto assustado para Melissa que apenas abriu um sorriso indicando que tudo estava bem. Engoli em seco voltando os olhos para as duas outras meninas. Eu tentei respirar, mas novamente fui apertado nos braços da menor delas que também deveria ser a mais nova. Olhei para Melissa quase como um pedido de socorro, mas a mulher sorriu novamente e me incentivou a me sentir confortável perto das meninas. Dessa vez eu forcei meus braços a trabalharem e retribuir o abraço dela, um tanto nervoso e desajeitado, mas pelo menos retribuí. Forcei um sorrisinho tímido e extremamente sem graça em minha face.

Bem-vindo! Sou Autumn, aliás.

-O-Obrigado, Autumn.

Balancei a cabeça enquanto voltava os olhos para a terceira delas, a que provavelmente deveria ser Liesel, a mais velha, e a que pareceu demonstrar mais dificuldade em se aproximar e me dar um abraço. O abraço dela foi seco e nada caloroso, o que em parte combinou com o meu. Eu gostei de Liesel inicialmente pelo fato de ela ser contra afetos excessivos assim como eu era, mas logo os seus olhos me analisaram de uma forma que me incomodou um tanto. Melissa ainda sorria para nós, mas parecia um pouco desconfortável e até mesmo preocupada com as "Boas-vindas" que a menina poderia me dar.
▬ Eu... eu sou Liesel. — Falou em tom um tanto desdenhoso, fazendo-me mudar de posição um tanto desconfortável. ▬ Bem-vindo a família. Só pra lhe deixar ciente, eu sou a mais velha, eu mando em tudo. Você irá se adaptar aos Rimmer. Podemos pelo menos saber seu nome, irmãozinho?

Abri a boca, mas por hora não saiu som e não consegui esconder a careta que se formou em meu rosto. Eu não era o ás do sarcasmo nem entendia muito dele, mas não havia gostado nada da forma com que ela havia me chamado de "irmãozinho". Não era como se ela tivesse me chamado daquele nome para atribuir-me à família e sim como uma forma de xingamento sem sentido, como o fato de eu ter sido adotado por eles ter sido um ponto negativo. Eu imediatamente me senti mal e baixei os olhares fitando tímido a ponta dos meus sapatos surrados. Dei de ombros, limpando a garganta. Ela definitivamente era, depois de Greg, a Rimmer que mais me intimidava e eu não estava confortável com aquilo.

-Eu sou Brayden. -Falei um tanto sem jeito, olhando para as três cuidadosamente, mas evitando contato direto por muito tempo. -Huh... E é um prazer conhecê-las.

-Droga! Eu perdi as apresentações?

A voz de Greg surgiu da porta quando o homem adentrou o apartamento vestido em um terno caro, segurando uma maleta de couro e com um sorriso nos lábios. Me perguntei por um momento o que ele fazia da vida e como conseguia bancar por uma casa delas, mas aquela era uma pergunta para outra hora. Abri um sorriso sem graça para ele e acenei enquanto o homem se aproximava e pousava a mão em meu ombro. Abraçou-me rapidamente.

-Olá, Brayden. Como vai?

Assenti como se dissesse que estava tudo bem e assisti o homem caminhar e abraçar forte as três filhas que parecerem reagir bem à carícia. Eu fotografei aquele momento mentalmente a abri um sorriso com isso. Acho que ela era a cena mais próxima que eu já havia visto de uma família de verdade fora da televisão e eu achava lindo. Aquelas três garotas eram extremamente sortudas por terem pais como Melissa e Greg, não como eu já que eles na verdade não eram os meus pais reais.

-Eu estava falando para Brayden que vocês vão estar no mesmo ano da escola, Felicity, acho que devia dar umas dicas depois para ele conseguir se enturmar. -Melissa falou com um sorriso no rosto. -Ainda assim ele só irá às aulas na semana que vem.

-É mesmo? -Perguntou Greg curioso. -Só semana que vem? E por que?

-Ora, querido. Não queremos sobrecarregar o menino demais.

-Perguntou a ele o que ele acha melhor?

Greg ergueu uma sobrancelha fazendo Melissa balbuciar por um momento ao perceber que não. Ela balançou a cabeça negativamente antes de finalmente se virar para mim.

-Brayden, querido... O que acha? Prefere ir à escola na semana que vem ou começar amanhã? Eu entendo se estiver querendo se adaptar com as coisas.

-Hm... Acho que amanhã está ok.

Falei sem jeito vendo a mulher suspirar e assentir por fim parecendo não ter gostado muito da minha resposta. Eu entendia que Melissa somente queria me proteger, mas... Bem, eu era um garoto que não conhecia o colegial tampouco como era viver em um bairro nobre de NY, mas ainda assim eu achava que cedo ou tarde eu teria que aprender... E eu preferia começar desde já por mais que a ideia fosse totalmente assustadora.

-Eu estou faminto. O que temos para o jantar?

Perguntou Greg com um sorriso largo no rosto enquanto dava um breve beijo em sua mulher. Soltei um suspiro tentando me lembrar quando na vida eu havia visto uma cena do tipo entre os meus pais.

-Temos macarrão hoje.

-Delicioso! -Exclamou o homem se virando para mim. -Você gosta, Brayden? -Assenti. Greg abriu um sorriso satisfeito pousando a mão em meu ombro e então em seguida em um do das suas filhas. -Eu tive uma ideia: Porque não jantamos e então uma de vocês leva Brayden para conhecer o bairro? Só as quero em casa antes das sete.

Abri a boca para protestar e Melissa fez o mesmo, mas ambos nos seguramos. É, sair para conhecer o local era uma boa ideia além de legal depois de um segundo pensamento por mais que eu não me sentisse confortável perto de qualquer pessoa daquela família ainda. Melissa pareceu não aprovar a ideia de me confiar na mão de uma das suas filhas, não porque elas eram irresponsáveis, mas sim porque eu era responsabilidade demais. Ainda assim ela pareceu não discordar do marido. Abri um sorrisinho de canto e assenti, coçando a nuca com a ponta dos dedos e dando mais uma boa analisada em cada membro da minha nova família.

▲▲▲
Brayden L. Rimmer
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Roxanne Stella Rimmer em Sab 8 Nov - 19:10:28

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Antes que eu pudesse realmente prestar atenção no menino, eu já tinha prestado atenção em Liesel, que parecia ser a única de nós que não fazia questão de se dar bem com o garoto. Talvez porque ela achasse que mamãe estava tentando substituir Joseph, e eu não podia culpa-la nessa questão, porque era nada mais que a verdade. Mas, pela sanidade da minha família, eu não conseguia sequer tocar no assunto. Olhei para o garoto em minha frente e neguei com a cabeça, fazendo uma rápida careta para ele, e colocando a mão ao lado da minha boca como se fosse um segredo.
Sabe, a Liesel só quer ter a imagem de irmã mais velha protetora. Ninguém aqui fica no comando. Somos uma equipe. E você faz parte dela agora.
Sorri alegremente para ele e a voz alta de meu pai podia ser ouvia logo atrás de nós, me fazendo virar para olhar o patriarca da família Rimmer. Papai tinha um semblante sério, porém totalmente leve, que fazia qualquer um se sentir confortável ao seu lado.
Você sempre perde as apresentações, papai, mesmo que chegue adiantado.
Brinquei tirando um sorriso de minha mãe, que parecia aliviada com minha atitude em relação ao nosso novo irmão. Algumas semanas atrás, quando ela e meu pai tinham decidido que iam adotar Brayden, tivemos uma conversa, de como o garoto seria bom para mim, e como eu podia esquecer a falta que meu irmão fazia, e tudo isso acarretou em uma discussão sem tamanho, onde eu terminei dizendo que nada conseguiria me fazer parar de sofrer pelo meu irmão. Papai nos deu um abraço, enquanto Brayden respondia calmamente a minha mãe, e não pude deixar de notar como meu irmão era tímido, e mesmo assim tinha uma aura de confiança que eu não conseguia entender.
Woof!
Hércules apareceu correndo com suas pequenas patas e apoiou as dianteiras nas pernas de Brayden, que arregalou os olhos, e teve uma atitude de medo em relação ao pequeno cachorro. Andei até o pequeno e o peguei no colo, me afastando do menino e fazendo carinho na cabeça do cãozinho.
Desculpe, eu prometo que ele não morde. É que ele nunca te viu. Ah, e eu levo ele para conhecer por aqui. Sabe que eu tenho que andar com Hércules de qualquer jeito.
E assim fomos para o nosso jantar, papai e mamãe sentando na mesa, eu ao lado de nosso pai, Brayden ao meu lado, consequentemente ao lado de minha mãe e Autumn e Liesel uma ao lado da outra em nossa frente.

***
Estamos indo! Voltamos em uma hora!
Abri a porta da sala com Hércules em sua coleira preta, atacada a sua roupinha e esperei que Brayden saísse e fui logo depois dele, fechando a grande porta de madeira. Sorri para o garoto e comecei a andar, uma das mãos dentro do meu moletom, evitando que o vento fosse muito ruim com elas.
Desculpa por todo o falatório de minha mãe, ela está realmente animada com você aqui. E sobre Liesel... Eu prometo que ela não lhe fará nenhum mal.
Olhei para o chão, dando tentando encontrar alguma desculpa pelo o que minha irmã tinha dito mais cedo. Hércules corria de um lado para o outro, cheirando plantas e a calçada, e tentando matar qualquer bichinho que estivesse em sua frente. Eu realmente esperava que essa caminhada fosse produtiva.

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Re: Sala de Estar

Mensagem por Brayden L. Rimmer em Sex 21 Nov - 20:48:24



 
 
  
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E
u estava nervoso, muito, mas com o tempo eu fui me sentindo um pouco mais tranquilo. Digo, Liesel estava tentando me assustar, claramente, e eu teria ficado realmente apavorado se Felicity não estivesse tentando de todas as formas facilitar a minha vida, coisa que eu agradecia e muito. Abri um sorriso tímido para ela, mesmo que eu ainda não fosse capaz de me sentir confortável ao seu lado, mas quis demonstrar de alguma forma que eu gostava e agradecia pelo que ela estava fazendo por mim. Ela parecia legal, assim como Autumn.

Melissa ainda fazia o possível e o impossível para fazer com que eu me sentisse em casa e eu agradecia isso apesar de às vezes me irritar um pouco. Eu sei que eu não deveria ficar abalado por receber atenção, mas essa era uma coisa com a qual eu não estava acostumado e estava simplesmente recebendo aos montes. Greg claramente havia notado isso porque de tempos em tempos ele repreendia Melissa dizendo para me deixar escolher as coisas ou simplesmente não me obrigar a fazer o que eu não queria, como comprar um celular. Se bem que os dois pareciam concordar sobre a necessidade de eu ter um aparelho telefone por mais que eu fosse contra. Eu sabia que seria uma questão de tempo até eu perde-lo e então o casal ficaria bravo comigo. Não, obrigado.

Eu ouvi um latido e isso bastou para o meu coração parar. Meus olhos caíram em um pequeno cachorrinho que surgiu correndo e a imagem me apavorou de tal forma que eu cheguei a perder a coloração do rosto. Eu queria gritar. O cachorro veio até mim e então pulou, com um latido agudo e isso fez com que eu tentasse fugir desesperadamente, batendo as costas forte contra a parede. Eu estrava desesperado e em claro pânico. Melissa pareceu notar isso quando gritou para que Felicity tirasse o cachorro de perto de mim.

-Brayden, está tudo bem?

A mulher perguntou quando finalmente sua filha segurou o pequenino em seu colo. Eu me senti um pouco ridículo em sentir medo de um animal tão minúsculo, mas eu estava apavorado. Eu tinha problemas com cachorros desde que havia sido mordido por um quando era pequeno e o trauma havia ficado comigo desde então. Havia uma grande diferença de um Pitbull para o pequeno spitz no colo da minha “irmã”, mas ele me assustava tanto quanto. Minhas mãos estavam trêmulas e suavam frio. Eu não conseguia tirar os olhos do cachorro que latia pra mim.

-N-Não. P-Por favor. –Reagi quando ouvi o que Felicity disse sobre sair comigo e com Hércules. Aquilo definitivamente não ia acontecer. -E-Eu não quero ir, Melissa. P-Por favor.

Implorei. Melissa olhou para suas filhas e depois para mim como se o fato de eu ter medo d cachorros fosse um ponto negativo – que eu sabia que era – mas que ela não queria demonstrar. Isso obviamente me deixou extremamente triste porque eu sabia que a chance de eles simplesmente me mandarem pro orfanato de volta agora era ainda maior. Primeiro tinha a filha que claramente não gostava de mim, agora outro membro da família que eu não poderia ficar junto. De repente eu me senti enjoado e a ideia de jantar me pareceu terrível. Eu não queria ser temporário, mas eu sabia que era. Eu sabia que logo estaria novamente com Jo e com todas as freiras no orfanato St. Anne. E eu sabia que aquela família seria uma vaga lembrança para mim do que um dia eu tive de bom. Era triste, mas a minha realidade.

[...]

Felicity pareceu se desapegar da ideia de sair para passear com Hércules, e eu me senti mal por ela ter escolhido sair comigo ao invés dele. Melissa havia pedido para as meninas o deixar no quintal de casa também para que ficasse longe de mim e isso me deixou chateado novamente. Eu havia invadido a casa dele e tirado os direitos dele sobre a família que antes ser “minha” era dele. E agora ele estava preso fora de casa e nos encarando pelo vidro com um olhar triste. Eu queria abrir a janela e dizer que não tinha problema ele entrar, mas só a ideia me apavorava. Eu era um desastre.

Felicity e eu saímos pela rua depois que Melissa me obrigou a comer macarrão. Eu estava sem fome e um tanto enjoado por tudo o que havia acontecido, mas ouvi tantos “você tem que comer, Brayden” que acabei cedendo. Depois que terminamos nossos pratos, eu e a menina que tinha a minha idade, saímos pela calçada, enquanto eu a ouvia me dizer algumas coisas que de início eu não consegui prestar a atenção. Minha cabeça estava em outro lugar e no fundo eu não queria me apegar a ninguém já que eu sabia que era temporário. Ainda assim, Felicity tornava difícil a missão de não gostar dela.

-Desculpa por todo o falatório da minha mãe, ela está realmente animada com você aqui. E sobre Liesel... Eu prometo que ela não lhe fará nenhum mal.

-Liesel não pareceu gostar de mim, nem um pouco. –Assenti diante das palavras da menina, conforme chutava uma pedrinha no caminho. Eu tinha as mãos nos bolsos e o moletom cobrindo o corpo por conta da tarde fresca, assim como Felly que sequer de longe parecia-se com uma irmã minha. Melissa havia dito que não queria que eu dissesse que era adotado na escola, mas eu não me parecia com os Rimmer e sabia que logo as pessoas notariam isso. Ainda assim, eu tentava ao máximo absorver traços dele já que não queria ser o garoto “diferente” além das diferenças básicas e visíveis que tinha com as pessoas da minha idade. -Eu... Felicity, me desculpe pelo Hércules. OK? Eu queria gostar de cachorros, mesmo, mas...

Me interrompi. Meu corpo se arrepiou e em minha mente vieram flashes que por si só me fizeram querer cair. Me lembrei de quando eu tinha oito anos e estava no meu apartamento sujo no centro de NY. Meu pai brigava com alguns homens, eles falavam alto e tocavam o bolso, não era para eu estar ali. Meu pai mandou eu subir para o meu quarto, mas os homens que estavam gritando com ele falaram que não. Eu corri e então um deles soltou o seu cachorro que correu em minha direção e me pegou com uma mordida na lateral da cintura. Eu ainda conseguia sentir a cicatriz sobre a camisa e eu tentava ao máximo abafar aquela terrível memória. De repente meu humor foi ao chão novamente.





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Re: Sala de Estar

Mensagem por Roxanne Stella Rimmer em Sab 22 Nov - 13:09:38

ain't it good?
click me
tag: Rimmer family
words: 935
notes: new member
Depois de notar o pavor de Brayden com Hércules, eu logo desisti da ideia de sair com o pequeno animalzinho. Ele podia ficar pelo quintal, e seria como um parque de diversão para ele, a prioridade agora era fazer meu novo irmão se sentir em casa, ao qual ele claramente não sentia. Não queria o culpar. Uma das coisas mais difíceis devia ser pular de casa em casa como se ninguém o amasse ou se importasse com você. Eu me sentiria uma merda se isso acontecesse comigo, e a ideia me fazia estremecer só de pensar.
Bray chutava uma pedrinha pelo caminho que fazíamos e eu observei o menino. Ele tinha o completo perfil de um Rimmer: os cabelos escuros, o porte atlético e a escolha de roupas eram totalmente compatíveis com as nossas. A única grande diferença era que seus olhos eram tão escuros quanto o cabelo, e isso o destacava dos genes da família. Voltei a olhar para o chão e evitava pisar em qualquer desnível ou rachadura que aparecia no asfalto.
Liesel não pareceu gostar de mim, nem um pouco.
Abri um sorriso sem graça ao ouvir o comentário preocupado do garoto. Era um trabalho duro lidar com aquela menina, e eu sentia que ele o teria em dobro. Seria difícil para ele se adaptar a nossa família, e mais ainda quando tinha uma garota que não gostava de você. Mas esse não era exatamente o caso. Liesel apenas se guardava para si, e nossa família nunca ligou para isso.
Ela não é ameaça, Bray. Não ligue para o que ela diz, eu não vou deixar que ela o deixe desconfortável. Ofereci um sorriso confortante para o garoto e voltei a olhar para frente. Apontei para a direita e abri um largo sorriso. Aqui é uma padaria, tomamos café quando é o aniversário de alguém.
Continuei andando na larga rua que nos cercava. Essa hora da tarde as pessoas estavam voltando do trabalho, e as crianças saiam correndo de casa ou do parquinho para dar oi para o pai que tinha acabado de chegar. Esse era o tipo de família que morava aqui. O típico subúrbio de Manhattan, a única diferença é que não morávamos presos em um condomínio.
Eu... Felicity, me desculpe pelo Hércules. OK? Eu queria gostar de cachorros, mesmo, mas...
Mas você não gosta. Sorri para o moreno ao meu lado, levantando a cabeça para olhar para sua reação. Ele teria que entender meu sarcasmo, se não ele ia me odiar pelo resto dos dias que morasse aqui. Eu tenho certeza que quando você estiver confortável vai me explicar porque não consegue viver com um ratinho.
Voltei a olhar para frente, o dia ficando mais escuro com o passar dos minutos. Um vento mais forte nos atravessou e meu cabelo voou para todos os lados, me cegando por um momento. O que eu não esperava era que tivesse uma rachadura no chão, e minha rasteira enganchou ali.
Merda! Tombei para frente alguns passos, logo depois me equilibrando de novo. Tirei o cabelo de meu rosto e o prendi em um rabo de cavalo. Olhei pra Brayden e cerrei os olhos. Se você rir, vou te derrubar no asfalto.
Comentei com um tom brincalhão e abri um sorriso. Apontei para o outro lado da rua, mostrando um café que eu sempre vinha depois da escola, um prediozinho de tijolos avermelhados com o nome ‘Cafè Pettit’ escrito na frente em letras cursivas.
A gente vem aqui depois da escola, ou depois dos treinos, para tomar um café e terminar a lição da escola. Depois ficamos conversando aqui, ou vamos andar no parque ou vamos para a casa de alguém. Ah, e tem o melhor café com caramelo que você vai provar sua vida inteira. Lambi os lábios lembrando do café e balancei a cabeça negativamente. A cota de hoje já tinha sido tomada. Por falar nisso, o que você espera da nossa escola? Espero que esteja ansioso. Você vai gostar de lá. Nós andamos com uma galera bem legal. Tem a galera do time de Lacrosse, do time de vôlei, que eu sou capitã, por falar nisso. Nossos professores também são super legais, menos o de química que parece ter um carrapato enfiado na bunda... Mas isso são só detalhes. Balancei a mão como se aquilo não fosse nada e notei o quanto estava falando besteira nesse momento. Desculpa. Eu falo muito, mas enfim, me conte o que espera da escola. Você joga alguma coisa?
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Brayden L. Rimmer em Sab 22 Nov - 13:46:06



 
 
  
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F
elicity era o máximo. Isso era tudo o que eu pensava e tinha a dizer. Ela fazia o possível para eu me sentir bem, mas ela não se sufocava como Melissa fazia. Ela não tentava arrancar informações de mim, ela não ficava me fazendo perguntas incômodas. Ela falava, muito, mas como eu não era a pessoa mais falante do mundo, eu adorava ouvir. Ela falava das coisas com tanta animação e felicidade que tornava tudo mais interessante e eu simplesmente morria para saber o que ela gostava ou pensava em fazer. Nós caminhávamos juntos pela calçada e logo os meus pensamentos ruins foram desaparecendo, com exceção daquele que dizia que Liesel não gostava de mim. Eu sabia que não deveria me importar com o que os outros pensam de mim, mas eu queria que ela gostasse de mim. Eu queria a aprovação de todas as três meninas desesperadamente, assim como queria também a de Greg e a de Melissa.

Pisquei algumas vezes quando a morena comentou sobre Hércules e eu nunca me senti feliz como naquele momento em que ela não pareceu irritada ou chateada comigo por não gostar de cachorros. Não só aceitou o meu medo como também respeitou os meus motivos por serem meus e pessoais. Eu amei o fato de que ela não me perguntou a razão ou então tentou retirar de mim informações por eu ter agido como agi. Ela simplesmente foi compreensiva e disse que quando eu quisesse falar ela saberia, caso contrário minha memória morreria comigo. Esse comportamento da menina fez com que eu me sentisse muito mais confortável perto dela.

-Obrigado, Felicity. Mesmo.

Abri um sorriso sincero e um tanto tímido, arregalando os olhos quando no momento seguinte ela quase caiu. Estiquei os braços por reflexo e segurei a menina para ajudar a lhe dar equilíbrio e corei um pouco por conta da aproximação. Eu não teria dado risada se ela não tivesse me pedido para não fazê-lo. Um sorriso se abriu em meu rosto e uma leve gargalhada saiu da minha garganta que eu tentei controlar com todas as minhas forças quando ela ameaçou me derrubar no asfalto, mas sua ameaça só me fazia querer rir mais. Levei a mão cobrindo a boca.

-Desculpe. Você está bem?

Ela parecia bem pelo menos, já que logos voltamos a andar e ela a me apontar para tudo a sua volta. Eu tinha um sorriso no rosto e observava as crianças correndo para seus pais e como todos pareciam exatamente com a imagem de família que eu via em filmes e coisas do tipo. Seria legal pensar que todos no mundo tinham a chance de nascer com uma família como aquelas como na verdade eu era a prova viva de que as coisas não eram exatamente assim. Pelo menos elas podiam ficar assim... Podiam ficar assim se eu não estragasse tudo de alguma forma e fosse mandado de volta ao St. Anne.

Minha boca salivou quando Felicity falou algo sobre um café com caramelo. Eu não gostava do café que as freiras faziam e o que eu conhecia mais perto de caramelo eram as pequenas balas que ganhávamos em época de páscoa, mas eu podia imaginar o gosto de um café com caramelo e parecia ser bom. Olhei para o cafézinho que ela apontava e observei o movimento de pessoas que saiam em entravam nele. Eu não conseguia negar como eu me sentia livre podendo sair e passear pelas ruas conhecendo o bairro, mesmo sabendo que Melissa mandava mensagens de texto para a filha de cinco em cinco minutos para se certificar de que estava tudo ok. Estava tudo ótimo, mas ela só não sabia disso.

-Eu nunca provei um café com caramelo. -Admiti. -Mas parece ser bom.

Abri um sorriso simpático, colocando as mãos nos bolsos e virando os olhares para ela quando me perguntou o que eu esperava da escola. Eu não tinha ideia do que esperar da escola. EU nunca estive em um ensino médio e eu não tinha ideia de como as coisas funcionavam lá, mas pelo o que eu havia visto nos filmes, era um pouco assustador. Sempre tinha o grupo de garotos que brigava o tempo todo com os outros e só de pensar nisso os meus pelos já se eriçavam. O melhor para mim era definitivamente ficar longe de confusão.

-Um carrapato? -Perguntei extremamente confuso, sorrindo em seguida ao ouvir seu comentário sobre falar demais. -Eu gosto de te ouvir falar. -Dei de ombros sem sentir muita vontade de conversar, mas eu me forcei a ser sociável. Felicity estava claramente se esforçando para fazer eu me sentir a vontade e eu realmente desejava que fosse fácil assim. Eu não era uma pessoa falante ou boa de se expressar como ela, mas eu tinha que pelo menos tentar. Limpei a garganta sentindo o meu rosto esquentar. Fitei os meus pés. -Bem... Eu acho que estou ansioso. Eu não sei como é um ensino médio, somente pelos filmes de High School Musical que assisti com uma amiga no orfanato em que vivíamos. -Contei tentando ao máximo soar indiferente. -Eu acho que vai ser legal. Espero que eu possa entrar no seu ano. -Soltei tentando não me sentir ainda mais tímido por minhas palavras. -Eu jogava basquete com os meus amigos lá no St. Anne, mas nada demais. Apenas jogar a bola na cesta, nenhuma habilidade que fosse suficiente pra me colocar no time. O que é lacrosse?

Perguntei curioso, me sentindo um tanto estúpido. A verdade era que daquele esporte em especial eu nunca havia ouvido falar. Meus olhos caíram sobre o café e então eu vi duas garotas extremamente bonitas deixarem o local, conversando e sorrindo. Uma delas tinha um copo com um líquido bege que eu não sabia o que era, mas que parecia extremamente convidativo. Senti mais uma vez minha boca salivar e meu estômago reclamar. Droga. Olhei para o lado, um tanto tímido, mas me atrevi em falar.

-Huh... Felicity, podemos comprar aquele café com caramelo do qual você me falou? Eu fiquei com vontade de experimentar.

Abri um sorriso simpático, sentindo-me aos poucos mais confortável ao lado da minha... Será que eu poderia chamá-la de nova irmã? Seja como fosse, eu gostava de que Felicity fizesse parte da minha vida agora, por mais que fosse por um período não muito longo de tempo.





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