Sala de Estar

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Sala de Estar

Mensagem por Secret em Seg 8 Jul - 18:21:35

Sala de Estar
Referências estéticas e funcionais claras são expressadas, como linhas retas, materiais modernos e tons sóbrios. O living, de dimensões generosas, teve suas paredes revestidas de madeira natural escura. O sofá de couro da Micasa convive com as poltronas da Minotti ali, entre outros móveis sofisticados. Em uma das paredes destaca-se uma grande tela de Tomie Ohtake. Ao todo, compõem este grande espaço três ambientes decorativos.


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Re: Sala de Estar

Mensagem por Eckl Dohrn Morteri em Dom 8 Set - 0:53:09



Shades of my past

A vida andava meio estranha no quesito Eckl. A cada vez que eu fechava os olhos, a imagem do beijo da morena surgia bem nítida. Mas era só eu me demorar um pouco mais que essa imagem era borrada e em seu lugar Edgar e Emily apareciam compartilhando o que me parecia ser um feliz momento. Era como um pesadelo do qual eu, instantaneamente, despertava. Era como se a cada dia eu não conseguisse superar o passado. Sempre vivendo à sombra de lembrança infelizes, sempre à pretérita sombra do que me magoa. Sempre à margem da amargura. Era como se os Morteri fossem fadados à infelicidade.

Eu sou bom ator, sabe? Não era como meu irmão que deixava transparecer tudo que estava dentro. O que estava em meu interior tinha um motivo para estar escondido e por isso eu mantinha assim. Um sorriso misterioso e convincente estampava minha cara de vez em quando. Só desaparecia quando um choque me abatia. Algo como um SMS. É, algo simples assim pode ser chocante.

Eu vivi muito tempo à sombra do Edgar, muito tempo perto dele... isso não me deixava tão feliz quanto deveria, afinal, embora alguém no mínimo detestável, ele era meu irmão gêmeo. Tínhamos uma ligação, enfraquecida por ações e sentimentos, mas tínhamos. Não era nada como se eu me interpusesse entre ele e uma bala, mas era algo que me fazia avisá-lo que um projétil letal vinha em sua direção. Mas só havia um motivo para eu estar sempre com ele: Emily Von Helling. Ele nunca foi boa companhia para ninguém, mas ela insistiu em se apaixonar por ele. E eu, idiota, insisti em me apaixonar por ela. Por ela eu fiz coisas das quais me arrependo imensamente.

Foi dela o SMS que eu recebi. “Oi, Eckl. Tudo bem? Quanto tempo...” Correntes elétricas convergindo para o centro de meu corpo e explodindo numa onda de felicidade? Não. As correntes convergiram direto para minha cabeça, culminando numa dor aguda que me obrigou a sentar. Porque eu? Respondi. “Quanto tempo mesmo. O que faz a formosa Emily Von Helling contatar um pobre mortal há muito esquecido?” E os bipes que indicavam o recebimento de minha réplica. “Queria conversar com um velho amigo.” Trepliquei. “Vem aqui em casa! Ainda deve saber o endereço...” As últimas linhas foram embebedadas no mais puro veneno ácido de sarcasmo produzido nas melhores safras dos Morteri. Recebi. “Claro. Me espera.”

O que mais fazer? Eu esperara Emily por tanto tempo, por que não um pouco mais?
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Emily Von Helling em Dom 8 Set - 2:19:29


Light a fire, a flame in my heart,

 Listening: Charlie Brown - Coldplay; Wearing: this;  With: Eckl *-* <3 ; Where: Morteri's house;

Era um dia qualquer e a vida transcorria no que eu poderia consider como 'normal'. As mesmas pessoas, os mesmos lugares, tudo parecia um filme no qual eu não passava de uma coadjuvante e apenas observava tudo ao meu redor. Parecia que esse roteiro monótono jamais teria um fim ou uma alteração qualquer. Observava o café intocado sobre a mesa e suspirava, quando tudo começaria a despencar? Teria um momento exato ou já estava tudo desmoronando e somente eu não percebia? Pessoas entravam e saiam do café onde estava. Todas pareciam reais, felizes e ao mesmo tempo tão distantes. O que estava acontecendo comigo?

Solidão era o sentimento que melhor definia minha situação naquele momento. Me sentia ao mesmo tempo perdida e sozinha e odiava quando isso acontecia. Lembranças de um passado que há muito eu gostaria de esquecer faziam questão de voltar à minha mente e me atormentar a todo momento. As principais e mais atordoantes memórias sempre fazia alusão à família Morteri, em especial, os gêmeos. O passado confuso e perigoso ao qual tínhamos compartilhado volta e meia parecia estar querendo se rebelar. Era como um fantasma, sempre presente e pronto para desmoronar toda a muralha que colocamos ao seu redor. Queríamos proteger a todos dos estilhaços que essa 'bomba' lançaria pelos ares se explodisse ou fosse descoberta.

Bufei e deixei uma nota de cinco dólares abaixo do pires. Levantei rapidamente e sai porta a fora. New York se postava diante de mim, somente à espera do meu próximo passo. O celular em mãos já estava com a mensagem digitada e pronta para ser enviada. Mordi o lábio por um instante, perguntando a mim mesma milhares de vezes se aquilo era a coisa certa a se fazer, mas do mesmo modo enviei. Se tinha alguém com quem eu poderia contar naquele momento era Eckl, apesar de tudo, eu tinha quase plena certeza que ele me entenderia e me acolheria naquele momento. Quando sua resposta chegou, não pude evitar de sorrir. Mandei outra sms e fique apreensiva com a resposta que poderia receber.

Há quanto tempo não conversávamos? Tempo o suficiente para nosso encontro parecer no minimo um tanto quanto esquisito. Mas era mais do que isso, era nostalgia. Lembranças de nossa amizade invadiram minha mente e me senti confiante em meu rumo. Fingi não me importar com a leve e típica alfinetada que recebi de sua parte. Era óbvio que eu conhecia o caminho para aquele apartamento. Eu já havia o decorado há muito tempo. Mais tempo do que eu realmente gostaria de lembrar. Talvez seria bom rever Eckl, sentia saudades de nossa velha amizade, do tempo em que tudo era lindo e colorido. Saudades do tempo em que fantasmas não nos atormentavam e nos faziam enxergar o quão frágeis somos e de como o mundo aqui fora é assustador.

Andei por um bom tempo, esse era o lado ruim da 'The Big Apple', tudo era longe e distante. Apesar disso, andar pelas ruas me fazia enxergar como o mundo fora da redoma de cristal que muitos socialites de New York viviam, era fantástico, multicultural e interessante para ser explorado. chegar ao térreo do edifício onde eles moravam era fácil, o complicado foi dar o primeiro passo de volta aquele lugar. O porteiro me encarou alguns instantes hesitante quanto à minha atitude. Nos tempos antigos eu não precisava ser anunciada, era natural e costumeira a minha presença ali. Mas depois de todo esse tempo, percebi que não seria tão simples assim. O homem, muito bem uniformizado e com uma postura digna de alto escalão de grandes empresas, então me anunciou. Com a confirmação de minha presença já ser esperada pelo dono do apartamento, ele apenas assentiu e assim parti rumo a um do elevadores. Após selecionar o andar, vi a porta se fechar e torci mentalmente para estar fazendo a coisa certa. Ao menos dessa vez.

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Re: Sala de Estar

Mensagem por Eckl Dohrn Morteri em Dom 8 Set - 22:53:31

That's what you get for being stupid...
Emi's here!
Eu não acreditei que a Emi viria até meu apartamento até o porteiro avisar no interfone. “Nossa, ela veio mesmo!” E naquele instante achei que algo realmente tenebroso poderia estar acontecendo com ela, pois ela não se daria ao trabalho de pisar no apartamento 3033. Não mesmo. Mas, talvez, ela viesse em nome de nossa antiga amizade. Sabe, eu e ela, apesar de todos os arranhões em meu interior e todas as malditas memórias, nós éramos amigos. Não digo que nossos bons momentos se sobressaem aos maus, muito pelo contrário. Nosso elo, meu irmão, fez com que tudo fosse mais negro.

Enfim, fiquei sem saber o que fazer para receber a garota. Filme, bebida, comida... sei lá! Chamei os empregados e pedi para prepararem alguns aperitivos e umas bebidas. Treinei algumas reações, mas parece que nada adiantou. A campainha tocou e eu pessoalmente abri para Emily. Olhamo-nos por um tempo e eu a abracei. – Quanto tempo, Srta. Von Helling.
Tag: Emi | Where: My apartment | My clothes
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Emily Von Helling em Seg 9 Set - 23:10:35


I will reach inside, just to find my heart is beating,

 Listening: Imagine Dragons - Bleeding Out; Wearing: this;  With: Eckl; Where: Morteri's house;


A lentidão com que os andares passavam parecia querer me aborrecer propositalmente. Era como se o destino implicitamente falasse para eu desistir dessa ideia absurda, descer em qualquer outro andar e ir embora dali o mais rápido possível. Mas o ímpeto de coragem que me tomava a consciência e dominava minha razão não me permitia mover um músculo sequer. Eu estava paralisada. Encarava meu reflexo no espelho do elevador e não reconhecia aquela garota. Em quem eu havia me transformado e o por quê? Sinceramente, não conseguia responder. O toque do elevador ao anunciar que o andar havia chego parecia me desejar sorte, ou talvez não. Talvez fosse apenas outra insanidade da minha mente ou um profundo desejo de que tivesse realmente sorte.

O pequeno caminho que percorri pelo corredor até a porta do apartamento 3033 nunca pareceu tão desconfortável para mim. As inúmeras vezes que caminhei por ali sempre foram, no minimo, 'diferente'. Respirei fundo antes apertar a campainha. Não sabia como seria a recepção pela parte de Eckl. Certo temor percorria meu corpo e fazia a minha pulsação acelerar, injetando pequenas doses de uma coragem incomum em minhas veias. Quando a porta se abriu e diante de mim a figura tão gentil e amável de Eckl se fez presente, segurei a respiração. Fitava seus olhos de um azul inconfundível e não conseguia dar um próximo passo. Quando tomei nota de minhas ações já estava abraçada ao garoto. Sentia seus braços em volta do meu corpo e uma sensação, mesmo que minima, de paz me inundava. Me ateei aquele momento como se o mundo aos meus pés estivesse desmoronando, o que até certo ponto era verdade.

Eckl .. — Sussurrar seu nome foi tudo o que aguentei fazer naquele milésimo de segundo. Aquele breve momento significou mais do que eu imaginava. Eckl me transmitia uma certa força e proteção que o seu oposto, Edgar, não conseguiria demonstrar jamais. Essa era uma das muitas diferenças entre eles. Não sei se conseguiria enumerar todas, mas as principais se faziam muito notáveis. A começar pelos olhos, ah sim, os olhos. Uma das grandes diferenças. Eckl tinha os olhos de um azul mais claro, ao menos ao meu ver, e transmitia a alegria e amabilidade de uma criança. Já o olhar de Edgar era mais profundo, mais complexo e por vezes, assustador. Quando me desvencilhei de seu abraço, lhe fiz um carinho na bochecha e o beijei carinhosamente. Ele parecia um pouco intimidado com a minha presença, mas não era o único. Algo preso em minha garganta me dava certa temorosidade em estar ali. Seria seguro o suficiente?

Tem razão, mais tempo do que eu gostaria de admitir.. — Os movimentos e ações de Eckl pareciam friamente calculados, como se ele soubesse o que esperar de minha repentina aparição. Mas a quem eu estava querendo enganar? Ele não era o Edgar. Ainda bem, isso me leva a crer que talvez alguém lá em cima, no céu, goste da minha pessoa, ao menos um pouco. Mas o fato de ele ser o gêmeo bom, não significava que ele era o mesmo Eckl de sempre. Ele havia mudado, eu também, todos. — .. Senti sua falta, me desculpa!— Ótimo, talvez fosse esse o real motivo de minha visita. Eu devia um pedido de desculpas à ele. Okay, desculpas não, perdão mesmo. Mas o pedido de perdão só viesse no leito de morte, quando eu desse meu último suspiro.

Senti minha garganta se apertar e o ar parecer sumir de meus pulmões. Meus olhos ardiam na imensa vontade de chorar. Eu não gostava de parecer fraca e tão frágil assim, mas era a minha realidade. Eu era de tal fragilidade e fraqueza, que talvez só me permitisse retirar a máscara com certas pessoas. E Eckl era uma delas. Sempre seria. A vontade súbita de me desculpar se fez presente e desatei a falar. — Eckl, sei que não fui uma das melhores pessoas deste mundo contigo, mas eu estou aqui para me desculpar. Sei que o que aconteceu no passado sempre nos perseguirá e será um fantasma em nossa vida ..

Tentei tomar uma pouco de fôlego, me concentrava para minha voz não embargar e meus olhos não lacrimejarem, eu tinha que ser forte e continuar. — Entenderei se tu não me desculpar. Mas é um peso que necessito tirar do meu coração e você é a única pessoa com a qual posso contar para isso .. — Por fim, minhas palavras não passavam de sussurros em um discurso sem contexto ou até mesmo nexo. Suspirei e fitei seus olhos por alguns segundos. Amargas gotas de lágrimas desciam por minha bochechas e pareciam queimar. Ardiam mais do que brasa, mas seus efeitos não eram tão arrasadores quanto as memórias e o estado em que estava meu coração, dilacerado.

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Re: Sala de Estar

Mensagem por Eckl Dohrn Morteri em Qui 17 Out - 16:45:57


I wish I wasn't human
O caminho até a cozinha nunca fora tão longínquo. A cada passo, um grito dolorido, uma lágrima pesada caindo ao chão, um pedido suplicado de “me tira daqui!” vinham audivelmente a mim. Meu foco era uma bandeja de prata do século XIX que suportava um receptáculo de vidro com uísque, um pequeno balde de gelo e três copos, mas ele foi bruscamente alterado quando as palavras de Emily foram entrando em meus ouvidos, passando por qualquer que fosse a área do meu cérebro responsável por decifrá-las e entende-las e se instalando em qualquer que fosse a parte do meu corpo responsável por me emocionar e por desmontar meu enigmático e tenro sorriso. Mesmo assim, peguei a bandeja e me direcionei de volta ao local em que Emi ainda se colocava, com lágrimas nos olhos e uma expressão que me fazia mais emocionado ainda. Não pude deixar de relembrar os nossos dias pretéritos de risadas e do longo tempo que passamos afastados.

– Porque você tá falando disso agora? – Falei tentando parecer despreocupado. Até arrisquei um sorriso bobo. – Não sei por que lembrar essas coisas chatas. O que passou, passou. Deixe a água correr sob a ponte em seu fluxo natural. Não tente pará-la nem fazê-la correr ao contrário. – Servi o uísque nos copos. Se eu bem me recordava, Emi gostava da bebida com pouco gelo, acho que uma ou duas pedrinhas. Assim o fiz. Eu preferia com mais gelo e dose dupla. Aquele momento me exigia uma dose tripla. Ingeri o líquido como se fosse água. Sentei num dos sofás e puxei a garota chorosa para sentar ao meu lado. Peguei em suas mãos.

– Emi, não vou dizer que você não me magoou, mas já passou, sabe. Não acho que devamos viver do passado, apesar de eu não conseguir esquecer o que fizemos e, principalmente, minha parte na história toda. – Alguma coisa horrenda, gigante e invisível apertou meu coração espremendo o sangue que nele havia dentro de um copo para saboreá-lo depois, o que me fez sentir uma dor imensa no peito. – Não precisa mesmo se desculpar tanto, você sabe de meus sentimentos e eles nunca me deixariam ficar zangado com você por tanto tempo. – Um traço de sorriso se esboçou no rosto dela, o que pode ter me alegrado e me encorajado o suficiente para fazer a besteira que fiz.

Limpei as lágrimas que escorriam de um lado da face dela e a ergui para que nossos olhos ficassem nivelados. Olhei fundo e, por um momento breve, acho que vi sua alma encolhida num canto escuro chorando. Aproximei-me dela e a beijei. Por alguns segundos, ela pareceu retribuir, no entanto, creio que a ficha caiu. Ela recuou e levantou-se. Sua expressão era assustada. As únicas palavras que ouvi foram “Isso foi errado. Foi um erro. Desculpa, Eckl.” E no segundo seguinte ela não mais estava na minha sala, não mais estava no meu apartamento. Senti meu rosto molhado e o limpei. Não sabia dizer se as lágrimas eram minhas ou dela.
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Emily Von Helling em Dom 20 Out - 22:35:06


Oh you tell me to hold on, But innocence is gone

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Não sei realmente em que momento Eckl se afastara. Estava tão perdida em meus pensamentos que não notara o momento em que ele se ausentara dali. Ainda sentia as lágrimas tentarem varrer a culpa e o remorso de meu interior, mas não adiantava. Tentava controlar minha respiração, eu estava acabada. E talvez isso fizesse parte de algum tipo de arrependimento que eu deveria sentir para aprender a enfrentar o erro que cometera. Momentaneamente ele não me respondera. Eu entendia. Ele precisava processar todas as informações e desculpas que eu pedia repetidamente.

Sabia que eu era o pior tipo de pessoa que existia neste mundo. Agora era tarde demais para me desculpar pelas atitudes erradas que tomara. Eu deveria arcar com as consequências de meus atos. O problema é que não estava sozinha nesta. Outras pessoas estavam envolvidas nesta história complicada e macabra. Pessoas as quais eu devia um pedido de perdão. Eu estava arrependida por tudo e antes que o passado voltasse à tona, resolvi começar com os pedidos de perdão. Eckl era uma das pessoas mais importantes em minha vida. Seu perdão era essencial para a paz que queria ter em minha vida. Apesar de ter consciência de que nunca mais teria paz, só o simples resquício dela em minha vida já era algo bom.

O vi se aproximar e o nó em minha garganta voltou a apertar. Estava tentando curar uma ferida. A qualquer custo estava tentando. Não sabia se valia mesmo a pena. Mas o sentimento de perdão que me assolava era melhor que tudo. — Só estou tentando concertar tudo. Ou ao menos tentando .. É algo que eu devo à ela. E acho que o correto era começar com uma das pessoas que mais afetei com minhas decisões. Você. — E a simples menção do erro em nosso passado fora o suficiente para me fazer chorar novamente. Mas eu me referia a mais do que aquela garota, fazia menção a tudo. TUDO. Mas Eckl estava certo. Deveríamos deixar tudo como está. Seguir nossas vidas e simplesmente esperar o tempo passar. Mas eu sabia que jamais conseguiria conviver com este fantasma do meu passado.

Nunca imaginara que um dia chegaria a me arrepender de tudo. Nunca. Mas a vida, destino, sina, ou seja lá o nome que tiver, estava apenas esperando para me mostrar o quão errada eu estava. Suspirei novamente, sentindo meu corpo reagir diante da grande dose de adrenalina que estava percorrendo minhas veias. Talvez fosse adrenalina, talvez fosse apenas arrependimento. Olhei para o objeto de vidro sobre a bandeja. Whisky. Assim que Eckl me alcançara o copo, beberiquei o liquido que o preenchia.  — Obrigada .. — Foi tudo o que consegui expressar, enquanto degustava o whisky. Estava quente, perfeito. Senti o toque das pedras de gelo em meus lábios e minha garganta se incendiar. Sensações ambíguas. Mas o fervor do líquido se fazia mais presente. Tudo queimava, menos as memórias. Fogo .. Reprimi um soluço do choro que estavas prestes a se iniciar e depositei o copo sobre a bandeja novamente.

Sentei-me ao seu lado no sofá. Há quanto tempo essa ação não se repetia? Isso me lembrava antigamente. Ali, naquele mesmo sofá. Todas as histórias e lembranças boas, que valiam a pena, encheram a minha mente. Suas fortes mãos capturaram as minhas e eu permiti. Eu ansiava por aquele momento. Ele me fazia sentir especial. Ele me fazia sentir viva. Mesmo que estivesse morta. Morri naquela fatídica noite. Morri junto à ela. Ouvia-o falar comigo, cada palavra dita era gravada em minha mente. Como alguém poderia continuar tendo algum sentimento bom em relação à mim? O monstro que habitava o meu interior era o mesmo dos meus pesadelos de criança. Mas eu não esperava que ele fosse real. Não imaginara que ele era eu mesma. Eu eu era o próprio monstro que me tirava o sono e me amedrontava. Tudo bem, talvez até fizesse algum sentido.

E a possibilidade de existir algum sentimento pelo qual valesse a pena querer viver, me fez sentir uma pontinha de esperança. Um sorriso, mesmo que aparentemente artificial brotou em meus lábios. Fora apenas por alguns segundos. Mas Eckl me fez enxergar que tudo poderia ficar bem. Mesmo que doesse e que eu me machucasse, valeria a pena. Senti o toque de suas mãos me acariciar a face. Fiquei a fitar aqueles olhos azuis que tanto amava. Eu via uma nova vida neles, uma chance de esperança. Talvez tudo ficasse bem. Meu coração acelerou e tudo se tornou real. Sentia sua respiração tão próxima. Era errado seguir com meus pensamentos, mas era tudo pelo qual eu mais ansiava naquele momento. E mesmo após todos os erros e a premissa de que não voltaria a cometê-los, fui imprudente. Me entreguei àquele momento.

Seus lábios amargos por causa da bebida, ou talvez fossem os meus, por causa do choro, me tiraram de órbita. O tempo pareceu congelar. Éramos apenas nós dois e aquele ato. Mas estava ali para me desculpar por meus erros, e não para piorá-los. Sabia que dilacerara o coração dele uma vez. Algumas pessoas e muitas memórias me faziam de lembrar disto sempre. O afastei bruscamente. Não entendia o que o levara a fazer aquilo. As lágrimas e a sensação de desolamento me assolaram novamente. Levantei-me, me desculpando novamente por tudo. Eu não poderia fazer isto com ele. Não de novo.  — Isso foi errado! F-foi um erro. Desculpa, Eckl! — Conhecia perfeitamente o caminho até a saída. Mas desta vez tudo passou como um borrão. Deixei o apartamento e fechei a porta trás de mim. Sentindo as grossas lágrimas se formarem em meus olhos, eu estava chorando novamente. Só então me dei conta de que nunca havia notado o quão extenso era o corredor que ia do apartamento até o elevador. Apertei freneticamente o botão. Descontava nele todo o mix de emoções confusas que estava sentindo. Precisava sair dali rapidamente. Precisava respirar. Eu estava perdida e não sabia para onde ir.

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Re: Sala de Estar

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