Sala de Cinema

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Sala de Cinema

Mensagem por Secret em Qui 21 Ago - 21:35:24

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Re: Sala de Cinema

Mensagem por Aydra Winston Yates em Seg 25 Ago - 22:36:12

Some movie
Hey, calma garoto, não tá na sua hora ainda. Tinha a vaga impressão que meu filho seria um belo jogador de futebol americano, o expert em chutar a uma longa distância. Ao meu mínimo movimento ele simplesmente se mexia de um lado pra outro como se tivesse todo o espaço do universo dentro da minha barriga quando ele não tinha, e isso era estranho. Senti-lo se mover deixava tudo mais intenso e mais real. Minha ficha demorou pra cair quando descobri o que carregava dentro de mim, até mesmo agora era difícil imaginar que em pouco mais de dois meses ele estaria dando o ar da graça e sendo a melhor coisa da minha vida, mais do que já era. Também em dois meses e meio eu estaria deixando aquele apartamento, aquela vida que não me pertencia. Por mais que eu estivesse me acostumando àquilo tudo de ser vigiada vinte e quatro horas por dia dentro e fora de casa, estar na mira dos fotógrafos, ter a agenda sempre cheia, ser a “namorada” e sempre vinculada à banda de Baptiste, ainda sentia que aquela não era a vida que eu tinha pra viver. Claro, antes de passar por tudo isso eu sonhava com a oportunidade de viver coisas assim ao lado do cara que eu alimentava um amor que era sentido unicamente por mim e nunca revelado. Bem, não literalmente. Só Jeanine com seu sétimo sentido (sexto sentido pra ela é pouco) super apurado sabia de tudo, ela só não sabia que Baptiste me evitava a todo custo nessas três semanas que eu estava morando ali. Mas agora eu queria um pouco mais pra mim, principalmente com a proposta de um intercâmbio para a Inglaterra em alguns meses. Mesmo grávida, ainda estava me aplicando fielmente à universidade, isso deve ter chamado a atenção de algum anjo-da-guarda que eu tinha lá dentro e a proposta simplesmente chegou em uma carta há três dias. Eu ainda tinha que pensar muito sobre isso, principalmente esperar o bebê chegar pra poder tomar uma decisão. Estava entediada naquele apartamento tão grande e tão vazio, por isso eu tinha tempo demais pra pensar em qualquer coisa e odiava ter tempo demais pra pensar nos últimos dias. Logo naquele dia todos resolveram decretar o “dia mundial de deixar Aydra sozinha”. Jeanine estava fora fazendo compras, Henrick em um dia de folga, Baptiste em um de seus poucos momentos sem mim com a banda depois da minha chegada e Robert junto. Era apenas eu, alguns seguranças espalhados pelo apartamento e meu bebê jogador oficial em 2030 de futebol americano. O que tinha de mais interessante pra fazer? Eu estava entediada de qualquer coisa que passasse pela minha mente, até me lembrar que tinha uma sala de cinema relativamente grande e que provavelmente teria alguma programação interessante pelas próximas horas. Se não tivesse eu arrumava.

Me sentei em uma das poltronas confortáveis ao extremo, bem no canto e no fundo, tão grandes e espaçosas que eu poderia me deitar em uma delas sem problema nenhum (tá bom que meu tamanho também ajudava nessa brincadeira). Peguei os controles e passei filme por filme até escolher um bem sangrento que envolvia mitologia grega e guerras entre homens seminus. Eu nunca entenderia qual era o problema entre os espartanos e os persas, também não queria me esforçar pra entender. O fato de o filme chamar minha atenção também não estava em ver os homens mostrando seus músculos definidos em cada cena, eu não sabia bem o motivo por tê-lo escolhido, talvez pela minha pequena fissura em mitologia ou talvez por ter cansado de escolher quando tinha parado nessa opção. Se Elena me visse assistindo algo assim diria que não faria bem para o bebê... Revirei os olhos sozinha só de lembrar quanta bronca desnecessária havia levado da minha fada madrinha por ela achar que tudo iria traumatizar minha criança. Bobagem. Quase escondida contra o estofado, coloquei os óculos 3D e me permiti embarcar naquela “aventura”, talvez assim o tempo passaria mais rápido. Pelo menos rápido suficiente até eu não estar mais sozinha.

 lonely
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Re: Sala de Cinema

Mensagem por Baptiste R. O'Donnel em Seg 25 Ago - 23:04:55

I've Become So Numb


I couldn't see you there...

-S
oltei um grito irritado assim que bati a porta d acasa atrás de mim. Por um momento não era mais Baptiste quem falava ou qualquer ser humano capaz de raciocinar, eu estava submerso em um ódio tão grande que meu corpo estava entrando em um frenesi perigoso. Robert havia voltado antes de mim para o apartamento já que eu pretendia dar uma passada na casa de Alexia depois do ensaio e foi exatamente essa a razão de eu estar possuído por um ser maligno dos infernos quando adentrei o meu apartamento: Estava determinado em assassinar o meu empresário.
Assim que meus olhos bateram em Robert, ele pareceu entender o que havia acontecido e ergueu as mãos em redição pronto para falar alguma coisa, que teria dito se eu não tivesse sido mais rápido e avançado em sua direção. Segurei a gola do terno do homem e prendi contra a parede, quase o levantando o suficiente para tirar os pés do chão. Meu empresário arregalou os olhos e não se moveu, mas ele não parecia com medo ou tão assustado. Eu havia me tornado tão previsível assim?
-Eu vou te matar, seu filho de uma puta!
-Baptiste, me solte. -Falou calmamente como se não estivesse sendo erguido do chão quase pelo pescoço.-Sabe que tenho motivos para fazer isso.
-Seus "motivos" são ter se cansado da vida, eu suponho! Você me pode me privar de festas, de bares, de baladas e de mulheres em público. PÚBLICO. Mas isso é cutucar o leão e pedir pra ser mordido!
-Por favor, não me morda. -Falou ele em tom sarcástico enquanto eu, raivosamente, o soltava afastando-me em passos pesados. Eu estava fervendo, queria poder esfregar a cara daquele homem no asfalto. Robert arrumou o terno tranquilamente, pegando a sua xícara de café. -Não podia continuar vendo Alexia, alguém iria descobrir isso eventualmente.
-Escute aqui. -Falei irritado, batendo na xícara na mão do homem e derrubando-a no chão. Meu empresário me olhou em tom de desânimo. -Só porque você não transa, não quer dizer que pode levar as outras pessoas nessa desgraça. Você está querendo acabar comigo, não é?!
-Desnecessário. -Falou Robert, tranquilamente, referindo-se à xícara de café no chão. Deu de ombros. -Você tem uma "namorada" e um "filho" agora. Você irá sobreviver.
-Por DOIS meses?!
Meu agente não respondeu, apenas deu de ombros deixando clara a informação que eu não queria. Indignado, dei as costas para ele e peguei o meu telefone, subindo as escadas e discando o número da Alexia. Aquilo não ia ficar assim. Não mesmo. O telefone chamou algumas vezes e por um momento pensei que cairia em caixa postal, mas logo pude ouvir a voz feminina soar.
-Ei, Bap!
-Alexia, por que você não me atendeu?
Perguntei em tom impaciente, ouvindo-a em tom tão tranquilo e irritante quanto o de Robert.
-Seu empresário foi muito gentil e me explicou a sua situação no momento. Eu acho legal o fato de nos encontrarmos, mas isso é prejudicial pra sua fama...
-Não finja que você liga para isso.

Revirei os olhos, ouvindo uma risadinha do outro lado.
-É claro que eu ligo, Bap! Minha banda foi promovida pela sua, se lembra? Ainda precisamos da Graveyard Souls.
Cocei a cabeça, massageando o cenho e contei até dez tentando achar paciência, mas esta estava em falta. Engoli em seco e mordi tão forte a parte interna da bochecha que logo senti um gosto metálico bufei.
-E então?
-Acho que vamos ter que esperar isso tudo passar.
-Alexia!
-Até depois, Bap!
Ouvi-a responder e então mais uma vez o barulho de linha cortada. Senti meu sangue ferver, minhas mãos tremiam e meus dentes estavam trincados. Estavam todos naquela merda de mundo contra mim. Havia vivido o inferno debaixo do mesmo teto que Aydra tendo que ouvir sobre a merda do filho que ela carregava, tendo que tirar milhões de fotos e fazer aparições públicas. Não pude sair com fãs depois dos shows, não podia mais ir para bares e beber, não podia mais viver! E eu já estava sentindo os efeitos dessa merda desde já! Eu estava vivendo aquele inferno por três semanas, TRÊS SEMANAS que havia conseguido ignorar, mas não sem Alexia. Eu ia enlouquecer.
Em puro acesso de ódio, lancei meu celular para longe, vendo-o entrar pela porta da sala de cinema e se espatifar em uma das paredes, se quebrando em milhões de pedaços. Levei a mão até o rosto, alisando-o impacientemente e soltando um palavrão. Eu estava esperando uma ligação da minha irmã oportunista que havia decidido se mudar para a minha casa e fazer da minha vida um inferno ainda maior. Eu queria morrer.
Caminhei em direção ao quarto e me abaixei próximo do monde de vidro, tentando coletar o CHIP e coloca-lo em um aparelho novo. Me virei ao encontrar a televisão ligada e ali a menina que dividia casa comigo. Ela assistia um filme que por um momento reconheci como 300, mas poderia estar errado. Soltei um suspiro, batendo a cabeça na parede algumas vezes e fitando o chão.
-Merda.

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Re: Sala de Cinema

Mensagem por Aydra Winston Yates em Seg 25 Ago - 23:36:42

Some movie
Tinha uma coisa muito interessante em filmes como aqueles: os caras bonzinhos nem sempre eram os bonzinhos e os maus nem sempre foram sempre os maus. Ou seja, as circunstâncias mudam as pessoas, pena que era só nos filmes. Por mais que assistir um filme de óculos fosse o fim de qualquer animação, assistir em 3D tinha a vantagem de parecer que se estava dentro dali, vendo tudo e passando por tudo. Por diversas vezes levei minhas mãos até meu ventre como se quisesse protege-lo de qualquer espada que ameaçasse corta-lo fora, só depois me tocando que eu estava inatingível para aqueles palermas. Deuses, como aquele cara grego era inteligente, possivelmente um filho de Poseidon para ter tanta intimidade com o mar. Estava distraída assistindo um dos barcos dos persas simplesmente serem engolidos pelo mar quando alguma coisa passou pela minha frente e atingiu a parede. Inicialmente pensei que era alguma coisa do filme, mas não fazia muito sentido uma lança, flecha ou espada se parecer com um objeto quadrado. Tirei o óculos e me levantei da poltrona, vendo logo à minha frente um aparelho celular espatifado no chão. Nada salvaria aquele objeto. Virei meu rosto então para o lado de onde tinha vindo o “tiro” e me deparei com Baptiste caminhando na direção do monte de, agora, sucata de celular. Ele se abaixou e estava pegando partes do aparelho, pareceu não ter me notado ou estava fazendo o que vinha fazendo desde depois do acontecimento do sorvete: me ignorado completamente como se eu não fosse nada além de um inseto que perturbava a paz do lar. Suspirei e me joguei de volta na poltrona, realmente desejando que ele não tivesse me notado, me encolhendo contra o estofado naquela vã esperança. No instante seguinte os olhos negros do músico estavam me encarando e eu só sabia disso porque vi seu rosto virado pra mim, já que a sala estava não totalmente, mas predominantemente escura. Era assustador aquela visão do vulto de Baptiste me olhando como se fosse me devorar. Abracei minhas pernas contra meu corpo ignorando o fato de estar de saia e agradecendo ao escuro por me permitir fazer isso. — Merda — Foi o que saiu da boca dele, nada que eu já não tivesse me acostumado. Abri um sorrisinho sem mostrar os dentes e acenei com a cabeça em cumprimento. — Boa tarde pra você também. — Dei uma rápida olhada em meu relógio no pulso esquerdo verificando se realmente ainda era “tarde”. Faltavam pouco mais de dez minutos para as seis, então ainda faltavam dez minutos para a “noite”. — Está tudo bem, Aydra? — Ouvi a voz de Robert preencher meus ouvidos além do som do filme, encontrando-o escorado no portal com os braços cruzados e um meio sorriso no rosto. Assenti mesmo sabendo que ele poderia não me ver completamente. — Absolutamente, Robert. Obrigada. Com você? — Respondi da forma educada com que sempre me dirigia ao empresário de Baptiste, sua resposta sendo tão gentil quanto. — Também, obrigado. Não se importe com o leão aí, ele está irritadinho. — E saiu, dando uma última olhada para Baptiste com um sorriso satisfeito, piscando para mim antes de se ausentar. Revirei os olhos, mordendo o lábio para conter a risada que queria sair. Não era exatamente uma novidade Baptiste estar de mau-humor, ele conseguia estar noventa por cento do tempo com aquela cara de bravo achando que conseguiria o mundo com ela. Bem, ele possivelmente conseguia meu mundo com ela se quisesse. Coloquei novamente os óculos 3D fazendo exatamente o que Baptiste fazia comigo durante todo aquele tempo: ignorando-o. Era difícil pra mim fazer aquilo, eu estava constantemente desejando ter a atenção do rapaz pra mim, mas isso era quase como ganhar o Nobel sendo um gordo que só vivia no sofá por conta de comida e cerveja. Mesmo tentando me concentrar no filme eu não conseguia tirar os olhos de Baptiste, que mexia no celular quebrado procurando alguma coisa. Soltei um novo suspiro, pegando o meu próprio e estendendo pra ele. — Toma, se quiser usar. Pela sua pressa parece urgente. Só tenta não quebrar, tá bom? — Disse séria, mesmo que internamente eu quisesse rir muito. Ver Baptiste irritado não era bem o que eu queria, mas pelo menos mostrava algo: ele ainda tinha emoções.

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Re: Sala de Cinema

Mensagem por Baptiste R. O'Donnel em Ter 26 Ago - 0:15:07

I've Become So Numb


I couldn't see you there...

Para agravar a minha situação, Robert fez uma aparição na mesma sala em que estávamos. Eu sequer me importava com a presença de Aydra quando foi sarcástica comigo, mas assim que vi o empresário me veio fogo nos olhos de novo. Segurei um pedaço do que antes era o visor do celular, ouvindo-o falar.
— Também, obrigado. Não se importe com o leão aí, ele está irritadinho.
Soltei uma risadinha totalmente falsa e claramente forçada por ter saído aguda demais e sem pensar duas vezes atirei o pedaço do celular sobre o homem, forte o suficiente para fazer um barulho alto, mas não acho que aquele pedaço de peça leve tenha causado dor como eu queria que tivesse. Revirei os olhos enquanto o via se retirar da sala.
-Ei! Seja uma boa putinha e me traga a porra de um celular novo!
Mandei enquanto soltava um longo suspiro cansado e voltava a me ajoelhar no chão em busca do Chip. Eu havia achado a bateria e aquele era um bom sinal. O som do filme que Aydra estava assistindo era tão alto que por um momento me perguntei se gravidez deixava as pessoas surdas, mas era uma teoria ridícula. Eu estava submerso nos mais diversos tipos de pensamento quando finalmente a ouvi dizer:
— Toma, se quiser usar. Pela sua pressa parece urgente. Só tenta não quebrar, tá bom?
-Eu não quero o seu celular. -Respondi em tom mau-humorado, tateando os pedaços do que antigamente era o meu. -Eu quero o meu chip pra eu colocar no maldito novo telefone que minha putinha foi comprar porque estou esperando a ligação de outra putinha que não é Robert. Acho que deveria te dizer que vamos ter mais uma deliciosa companhia roubando espaço debaixo do meu teto.
Resmunguei estremecendo ao me lembrar do que Hannah havia me contado quando havia me ligado há não muitos dias. Minha irmã era a pessoa mais irresponsável que eu conhecia. Talvez não mais do que eu, mas ela era barata, egocêntrica e promíscua... Talvez tivéssemos mais em comum do que eu pensava, analisando bem a questão. Seja como for, nós nunca fomos exatamente ligados e não conseguíamos passar mais de cinco minutos em convivência ser ameaçar a paz mundial. Seria interessante. Então por que eu havia deixado minha irmã se mudar comigo? Bem, porque eu queria que meus pais finalmente aprovassem algum ato meu ultimamente e me apoiassem em meu plano de abandonar Aydra antes da hora. Nem fodendo que eu ia aturar mais dois meses naquela merda quando eu já arrancava os cabelos em três semanas. Eu não aguentava mais.
Olhei para a tela da televisão bem no momento em que um dos espartanos teve a cabeça arrancada e sangue voou para todos os lados enquanto o exército Persa atacava. Aquela era uma cena das guerras médicas, se não me enganava, mas não tinha como saber com certeza já que eu não estudava história há tempos. É o que acontece quando se faz faculdade na área musical. Soltei um suspiro finalmente achando o que eu havia procurado e bati as mãos em minhas calças para tirar a poeira. Eu queria tanto estar com Alexia e a colega de quarto dela naquele momento que até doía. Vagabunda.
-Você não sai dessa casa não? -Ergui uma sobrancelha, olhando indignado para Aydra. Eu nunca havia a visto deixar aquele apartamento sem ser comigo para algum fim da minha carreira. -Está tentando esconder o fato de que está gorda para o mundo todo? Porque não vai adiantar. Temos fotos suficientes para até o papa saber sobre a sua gravidez.
Revirei os olhos enquanto me atirava, cansado em uma das poltronas. Observei a televisão com todo aquele sangue e violência gratuita. Ironicamente, aquele era o meu tipo de filme mesmo quando eu preferia mais os de terror. Olhei para a poltrona da frente onde a menina de cabelos loiros estava sentada. Ela parecia se encolher para não ser vista por mim e isso fez com que eu reagisse revirando os olhos. Eu não era cego, caralho! Girei os anéis em meu dedo, tentando desfocar um pouco da raiva que eu sentia no momento. Massageei o cenho, sentindo minha barriga roncar para só então eu me lembrar que não havia almoçado ainda. Jeanine não estava em casa e isso queria dizer que não havia comida boa. Tateei os bolsos a procura do meu telefone celular e bufei ao me lembrar qual foi o seu fim.
-Pensando bem, acho que aceito o seu telefone agora. -Falei em tom frustrado por ter de aceitar alguma coisa vinda dela. -Eu vou pedir uma pizza.

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Re: Sala de Cinema

Mensagem por Aydra Winston Yates em Ter 26 Ago - 9:33:17

Some movie
Ergui as mãos sobre a cabeça e dei de ombros indiferente, ouvindo as palavras de Baptiste sobre minha proposta de emprestar o celular, palavras que pra mim já não fazia mais tanta diferença quanto antes, por mais que eu ainda quisesse que ele fosse um tanto mais gentil era inútil esperar isso, até que o ouvi falar sobre uma nova companhia que teríamos em algum tempo. Me ajeitei no sofá inicialmente curiosa sobre, mas não me atrevi a dirigir a palavra a ele e nem perguntar quem estaria chegando pra morar com a gente. Mil possibilidades passavam pela minha cabeça, inclusive uma real namorada de Baptiste já que eu era a falsa. Se conseguíamos esconder nossa realidade dentro daquela casa, possivelmente ele conseguiria esconder uma outra garota ali também. Senti meu sangue ferver, um estremecimento correr meu corpo, até mesmo minha respiração ficou desregular. Ele não era meu, nunca seria, mas só de imagina-lo com outra eu ficava bem fula da vida. Fechei os olhos ignorando o filme, respirei fundo por várias vezes fazendo com que o ar circulasse vagarosamente e preenchesse meus pulmões. Agradeci mentalmente por ainda conseguir controlar os hormônios. — Você não sai dessa casa não? — Abri meus olhos vendo-o se levantar, ficando ainda mais assustador em pés no escuro. — Está tentando esconder o fato de que está gorda para o mundo todo? Porque não vai adiantar. Temos fotos suficientes para até o papa saber sobre a sua gravidez. — Tirei os óculos para olhar diretamente o rapaz, nem mesmo me importando pelo fato de que talvez ele não pudesse me ver direito. Gorda era demais! Eu cuidava do meu corpo, continuava com meus exercícios diários, até mesmo comecei a fazer luta sendo auxiliada pelo meu segurança gentil, que inicialmente não queria me ensinar mas depois acabou cedendo e agora me levava três vezes na semana em uma academia onde tinha esse esporte com atenção especial para grávidas, como Baptiste poderia dizer que eu estava gorda? Tudo bem que eu estava com a barriga maior do que nunca, eu carregava um bebê dentro dela!, mas eu não tinha engordado uma grama a mais do que o normal. Soltei o ar pela boca, era sempre complicado respirar com ele por perto sendo sempre irritantemente chato, fitando-o com uma expressão inicialmente incrédula para depois se neutralizar. Naquelas situações Baptiste não valia minha raiva. — Saio, você só está ocupado demais pra perceber que minha vida não parou completamente por sua causa. E se você não notou, eu estou grávida, não gorda. — Respondi em tom baixo, suficiente para que ele ouvisse, acariciando meu ventre. O mundo não gira em torno de você, Baptiste O’Donnel, pensei, também não entendendo porque ele se importava se eu saía ou não. Para Baptiste, eu estar naquele apartamento ou não estar era a mesma coisa, não fazia realmente diferença e isso chegava a doer um pouco, mas nada que eu não soubesse que eventualmente iria me acostumar. Na verdade eu havia sido sempre um fardo minha vida toda pra minha mãe biológica, não estava sendo diferente para Baptiste. Com exceção do meu irmão mais novo e minha “família adotiva”, eu provavelmente não saberia o que é ser amada e bem cuidada. Atualmente Jeanine, Robert e Henrick faziam o papel que antes pertencia aos Rutherford. Eu ainda sentia uma falta gigantesca deles, mas Jeanine tinha o dom pra compensar pelo menos em parte. Coloquei novamente os óculos tentando não reagir à presença de Baptiste sentado atrás de mim. Já era suficientemente horrível estar perto dele analisando suas reações; estar perto dele sem poder realmente ver se estava sorrindo ou pegando uma tesoura pra me cortar era torturante. Abaixei as pernas da posição desconfortável, cruzando-as em forma de borboleta, vendo sangue espirrar da tela como se tivesse me atingindo.

Passou um momento de silêncio entre Baptiste e eu, só o filme era possível ser ouvido e isso me trouxe certo conforto, mas antes que eu pudesse me sentir melhor ao pensar que ele havia me deixado sozinha na sala, ouvi sua voz de mandão requerer meu celular. Mordi o lábio tentando conter a piada que estava na ponta da língua e também minha risada pela grande ironia que era aquilo, lembrando que momentos atrás ele havia recusado veementemente minha ajuda. Eu poderia fingir que não tinha ouvido já que o volume do filme me dava esse auxílio, isso acarretaria mais fúria no rapaz e eu estava tentando não perder a minha calma também, então decidi que o melhor era ceder. Eu sempre cedia fácil demais pra poder evitar contendas e agradar as pessoas, eu deveria parar com isso. Mesmo decidida a emprestar o celular, demorei algum tempo para pega-lo, usufruindo de toda minha calma e todo o tempo que eu tinha para passa-lo para trás, esperando que ele o pegasse. O toque da mão de Baptiste ao pegar o celular, por mais que fosse rápido e seco, fez meu coração acelerar, uma merda total. — Tente não quebra-lo. — Alertei de novo, olhando fixamente para o filme e abrindo um sorriso aproveitando que não poderia ser vista. A palavra pizza fez eco na minha cabeça e meu pequeno homem se revirou, acompanhando o volume  do meu estômago reclamão. — Pede uma de frango e cheddar pra mim. — Pedi mesmo sabendo que Baptiste odiava que eu pedisse qualquer coisa pra ele. Mas eu simplesmente adorava pizza de frango, só não mais do que sorvete, e estava com vontade então eu não me importava se ele ficasse bravinho, mais do que já estava, não ia doer pedir a pizza pra mim. Enquanto o rapaz falava ao telefone, me levantei, fui até o compartimento onde ficavam os óculos 3D e peguei um deles, esperando Baptiste terminar de falar e estendendo o objeto pra ele. — Toma, não tem graça ver todo esse sangue sem ter a sensação que ele está espirrando em você. — Estava ao seu lado ao entregar, quase cedi à minha vontade de sentar na poltrona mas logo passei novamente para a frente onde eu estava anteriormente. Tinha que parar de ver Baptiste como meu desejo e me contentar que aquelas cenas públicas ficava para o público, em particular eu era, bem, nada.

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Re: Sala de Cinema

Mensagem por Baptiste R. O'Donnel em Ter 26 Ago - 20:30:49

I've Become So Numb


I couldn't see you there...

Aydra me respondeu em tom tão petulante que tive que fazer uma careta quando escutei. Eu havia maltratado a menina de várias maneiras diferentes ao longo dos dias e ela nunca pareceu se importar, exceto por daquela vez. Tentei não rir da ideia ridícula de que falar de peso com mulheres era quase como um anúncio oficial para uma terceira guerra mundial. Algo tão banal, mas que nunca falhou em deixar um ser humano do sexo feminino puto. Revirei os olhos enquanto ouvia o seu tom de voz confiante até demais ao se dirigir a mim. Aquela menina tinha que aprender qual era o seu lugar: Fora de casa.
— Saio, você só está ocupado demais pra perceber que minha vida não parou completamente por sua causa. E se você não notou, eu estou grávida, não gorda.
Eu de fato não passava a maior parte do meu tempo prestando atenção nela. Na verdade, nas últimas semanas a menina de cabelos loiros havia se transformado mais em um fantasma do que nunca para mim, coisa que era extremamente boa considerando o fato de que assim eu controlava a minha vontade de matá-la de 5 em 5 minutos. Ultimamente a vontade havia voltado já que além de perder a minha liberdade, havia perdido "minha garota" por conta dela e agora era uma pessoa condenada ao voto de celibato. Só que com certeza isso não ia rolar. Nem que eu tivesse que transar com a própria menina grávida, coisa que era nauseante e bizarra ao mesmo tempo. A verdade das verdades era que eu não me lembrava de um dia ter fodido Aydra. Eu não me lembrava da noite em Chicago e por conta disso,não deve ter sido nem um pouco especial para que valesse a lembrança. Isso era frustrante. Eu tinha transas com mulheres que com certeza eu não me importaria de fazer de novo, mas ela...? Era um pensamento estranho.
-Tanto faz. Gorda e grávida são quase sinônimos já que ambos tem barrigas salientes estranhas.
Dei de ombros em tom diferente em meu melhor tom sarcástico e irritante. Por mais que eu estivesse querendo deixá-la de mau humor, não estava mentindo. Eu não sabia o que pensar sobre a loira. As vezes a achava bonita, as vezes simplesmente não. Talvez se eu começasse a realmente reparar nela eu chegasse a uma conclusão, mas tinha preguiça disso. Preferia continuar com meus pensamentos indiferentes. Mesmo depois de eu pedir o telefone para Aydra, não obtive resposta. Eu havia deixado minhas palavras claras, disse que queria o celular dela, mas ela não me entregou e nem respondeu. Ergui uma sobrancelha e cruzei os braços um tanto impaciente com sua demora, planejando gritar em tom irritado para ter certeza de que ela havia ouvido o que eu havia dito, mas antes que eu pudesse fazer, ela ergueu a mão com o aparelho entre os dedos.
— Tente não quebra-lo.
-Não prometo.
Respondi em tom impaciente enquanto revirava os olhos e pegava o objeto das suas mãos, discando o número que eu sabia de cor da melhor pizzaria de toda NY. Eu gostava das de margherita com borda recheada com catupiry já que queijo nunca era demais para mim. Olhei distraído para o lado quando ouvi a voz de Aydra soar de novo:
— Pede uma de frango e cheddar pra mim.
Folgada pra caralho, sim ou claro? Revirei os olhos e assenti em tom de desgosto me convencendo de que não arrancaria pedaço de mim pedir uma pizza para ela. Ouvi o telefone chamar até que a voz de uma mulher surgisse do outro lado da linha.
-Boa noite, sim é Baptiste. -Confirmei provavelmente por meus dados terem aparecido no cadastro. -Eu quero uma pizza de doze pedaços, metade de Margherita e metade de Frango com Cheddar, só um lado de borda recheada, está bem? Para bebidas eu quero uma garrafa de refrigerante de Cola e... -Olhei para Aydra por um momento. -O que você quer de bebida, bolinha?
Perguntei esperando que ela me respondesse para finalmente dizer para a mulher do outro lado da linha. Finalizei o pedido com a garantia de que a pizza estaria em casa em menos de quinze minutos e que caso contrário não pagaríamos por ela. Perfeito. Desliguei o celular olhando para o aparelho de Aydra e franzi a testa, soltando uma risada sarcástica.
-Qual seria o problema de eu quebrar essa merda, alias? Esse é o tipo de celular que se jogarmos em alguém não quebra, mas mata a pessoa. -Falei em tom irritante com um meio sorriso no rosto. -Me lembre de te comprar um celular bom depois. Deveria ter me mostrado isso antes de eu mandar Robert para comprar o meu. Aproveitava e te arrumava um decente.
Falei em tom indiferente enquanto jogava o aparelho para ela sem sequer agradecer por ela tê-lo o emprestado. Eu nunca agradecia por nada. Olhei confuso para o lado quando encontrei a menina parada perto de mim, erguendo um dos óculos 3D em minha direção e falando logo em seguida:
— Toma, não tem graça ver todo esse sangue sem ter a sensação que ele está espirrando em você.
Franzi a testa ficando um tanto sem reação pelo gesto da menina e peguei o óculos, vendo-a caminhar de volta onde estava e tornar a se sentar na poltrona. Franzi a testa colocando o objeto na frente dos meus olhos e voltando a atenção para a tela de televisão. Deus, a última vez em que eu havia me sentado naquele sofá para assistir um filme foi... Nunca. A verdade era que mesmo tendo um apartamento do tamanho do meu, eu nunca ficava de fato nele. Fiz uma careta ao perceber que o filme estava chegando aos poucos ao seu fim.
-Ah, obrigado por se preocupar com que eu pegasse os óculos para assistir um filme que logo mais vai acabar.
Falei em tom irônico, revirando os olhos. Muito inteligente.

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Re: Sala de Cinema

Mensagem por Aydra Winston Yates em Ter 26 Ago - 21:16:52

Some movie
Era até assustador ouvir Baptiste pedir refrigerante quando na maior parte do tempo ele só tomava bebidas com grande teor alcóolico. Diferente do que eu pensava ele não deu nenhum piti por dividir o sabor da pizza comigo, pelo menos agora eu sabia qual era seu gosto para pizza. Nas últimas semanas eu estava aprendendo bastante sobre o rapaz, mais do que eu já sabia quando era apenas uma fã, como por exemplo sua bebida favorita, seus filmes favoritos, o que mais causava raiva nele, as pessoas que ele amava, as que ele odiava – onde eu me incluía –, o que mais gostava de fazer – além de sexo –, entre outas questões. Decidi por tomar suco, era mais saudável e mais gostoso do que refrigerante, por mais que coca fosse uma opção um tanto considerável e muito tentadora. Dei uma olhada para o meu telefone quando Baptiste me entregou, verificando se não tinha nenhum arranhão. Qual era o problema com um 4s? — Tem todas as funções que eu quero, não preciso ficar trocando de celular a cada vez que sai um novo. — Respondi indiferente, dando de ombros como se aquilo não fosse óbvio. — E de nada. — Murmurei, irritada por ele não ter a mínima decência de agradecer. Eu não acreditava que Baptiste tivesse sido sempre tão malcriado e não fazia ideia do motivo de ele ser tão sempre ranzinza. Provavelmente ele morreria logo mas não de cirrose, overdose ou AIDS, como ele imaginava, mas sim de um problema de coração. Seu coração era tão frio, tão gelado e empedrado que eu duvidava que continuava batendo. — Ah, obrigado por se preocupar com que eu pegasse os óculos para assistir um filme que logo mais vai acabar. — Era isso, sempre ranzinza e indelicado mesmo quando eu tentava melhorar as coisas. Realmente o filme estava no seu final, logo o espartano morreria e sobraria apenas corpos ensanguentados. Eu já tinha visto aquele filme umas boas três vezes, mas ainda assim tinha decidido vê-lo de novo. Talvez minha vontade de matar Baptiste estivesse ligado a isso. Eu estava sendo uma pessoa extremamente bipolar quando se tratava de sentimentos ligados ao rapaz. Hora eu queria mata-lo, hora queria beija-lo, hora queria que ele simplesmente me esquecesse e na outra hora queria que ele me notasse como nunca antes. Acho que o maior saco de tudo aquilo era que eu estava cansando, mas o que fazer quando não se costuma desistir com facilidade? Eu não iria desistir de Baptiste, não enquanto eu pudesse. Não era o fato de querer ser a real namorada dele que me fazia manter essa vontade absurda, era por saber que deveria existir uma parte boa nele. Simplesmente não tinha sentido nenhum alguém ter a vida boa que Baptiste tem, fazer o que gosta e ainda ganhar muito por isso e ser tão estressado, chato, irritante, ranzinza, implicante, odiável etc. Prestei atenção apenas no filme para poder não me estressar também. Por fim, Leônidas estava morto, o semideus persa havia o matado e apareceria no próximo filme, onde teria o todo poderoso filho de Poseidon que eu tinha me esquecido o nome. Enquanto ainda nos créditos, me ajoelhei na minha poltrona virada para o lado da poltrona de Baptiste, deixando os óculos de lado e fitando o rapaz com certo tom intrigado. — Por que você é assim, hein? Por que faz questão de ser sempre insuportável com todo mundo? Qual é a graça de ser odiado pelas outras pessoas? Eu, simplesmente não entendo. — Balancei a cabeça negativamente meio incrédula, desviando o olhar para o lado esperando que dele viesse as palavras tão duras e brutas de sempre. Baptiste estava vivendo um inferno, fazia questão de gritar aos quatro ventos isso, mas o que custava pra ele tentar amenizar um pouco as coisas? Durante essas três semanas que haviam se passado, o músico tinha me ignorado de todas as formas possíveis, impossíveis, imagináveis e inimagináveis, mas pelo menos enquanto ele me ignorava as coisas fluíam e eu não me sentia tão idiota e tão cisco no olho, pequeno e que incomodava bastante. Mordi o lábio e revirei os olhos mais pra mim do que pra ele, sentindo o coração martelar tão forte no peito que me perguntei se seria possível para Baptiste ouvir. Dei de ombros novamente, meu olhar pegando uma mescla de decepção. — Quer saber? Não precisa dizer nada, só ignora o que eu te perguntei agora. Isso nem é tão difícil pra você. — Voltei a me sentar na poltrona, abraçando a mim mesma sentindo certo frio passar por mim. Já haviam se passado vinte e um dias, logo mais eu teria meu bebê e poderia deixar o caminho livre pro músico, voltaria à minha vida e provavelmente me mudaria para a Inglaterra e aquilo tudo só seria um borrão na minha história. Passava os filmes um por um escolhendo um novo, mas nenhum realmente chamava minha atenção. Eu não queria ver um muito sangrento de novo, mas também me recusava a assistir qualquer um de comédia, romance ou os dois gêneros juntos. Suspirei extremamente insatisfeita e joguei o controle para trás, na intenção de deixa-lo com Baptiste. — Toma, pode escolher se quiser. — Disse, ainda sentada na minha poltrona e sem olhar para trás. Eu estava sem paciência para escolher filme, sem forças pra me levantar daquele estofado e muito menos pra discutir com o rapaz, então seria melhor ocupa-lo com a escolha de um filme, mesmo que eu duvidasse muito que ele escolheria ao invés de tacar o controle na parede.

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Re: Sala de Cinema

Mensagem por Baptiste R. O'Donnel em Ter 26 Ago - 22:52:05

I've Become So Numb


I couldn't see you there...

-T em todas as funções que eu quero, não preciso ficar trocando de celular a cada vez que sai um novo. E de nada.
Ergui uma sobrancelha enquanto ouvia a defesa da menina quanto ao seu celular. Dei de ombros, ainda jogado na poltrona e com completa indiferença no tom de voz. Eu não era um grande escravo da tecnologia apesar de gostar de acompanha-la, mas eu prezava pelo prático, ou seja, não um Galaxy, com certeza. Aqueles aparelhos eram complicados, chatos e sempre davam falhas de sistema. Definitivamente não era para mim, mas é claro que para Aydra, simples não parecia ser suficiente.
-Ele é grande, totalmente não portátil, pesado, feio, tem um sistema operacional complicado e lento. -Falei em tom um tanto que tranquilo, fitando a televisão que passava os últimos momentos do filme. -Fora que já existe o s5, está ultrapassado. Eu lhe comprarei um iPhone, garanto que tornará a sua vida mais fácil e com muito mais aplicativos interessantes. Aposto que se procurar bem existem dicas para controle de gravidez. Devia ter te dado um iPhone antes.
Revirei os olhos em tom sarcástico enquanto abria um sorriso de provocação. Por um momento o silêncio pairou na sala e eu me senti sozinho, como se Aydra tivesse deixado o local e ido para algum outro cômodo. Não reclamei, mas a sensação foi um tanto bizarra pelo fato de eu saber que, mesmo sem parecer, eu ainda estava acompanhado e que a menina estava em algum lugar escondida entre a poltrona. Eu achava engraçada a forma com que ela sempre se encolhia e fazia de tudo para não ser notada, era como se fosse uma tartaruga se escondendo em seu casco... Só que ela não tinha a sorte de ter um para onde fugir. Meus olhos caíram curiosos sobre ela quando finalmente consegui vê-la, ajoelhada de frente para mim, enquanto éramos separados pelo encosto da sua poltrona e a distância entre as duas. Ergui uma sobrancelha. Ela não parecia contente, nem a pessoa mais simpática que já vi. Seja lá o que eu tivesse dito, tinha tirado a paciência da senhorita perfeita por mais que ela tentasse não demonstrar isso.
— Por que você é assim, hein? Por que faz questão de ser sempre insuportável com todo mundo? Qual é a graça de ser odiado pelas outras pessoas? Eu, simplesmente não entendo. -Um sorriso largo e sarcástico se abriu em minha face, me sentindo vitorioso por finalmente tê-la tirado do sério. Era agora que ela desistia de morar comigo e voltava para a sua casa? Apenas a observei com um sorriso largo na esperança de aquele gesto deixa-la ainda mais puta do que estava. -Quer saber? Não precisa dizer nada, só ignora o que eu te perguntei agora. Isso nem é tão difícil pra você.
Ela voltou a se sentar na poltrona enquanto eu soltava uma risada gostosa. Eu estava impressionado pela coragem da menina por ter falado comigo daquela forma, não poderia negar, mas ainda assim achava que ela era inocente demais para perceber que as coisas eram simplesmente mais fáceis quando lidadas daquele jeito. Por que eu teria de ter a necessidade de ser querido por pessoas que não me importavam em nada? Eu tinha os meus interesses e eram eles os quais eu sustentava. Não precisava mais do que isso.
-Maquiavel dizia "antes temido do que amado, pois temido se é mais respeitado". Eu não estou aqui para conseguir a aprovação de ninguém, bolinha, estou aqui para preservar o que é meu de gente como você. -Dei de ombros simplesmente. -Se oportunistas aparecem quando eu sou esse grande filho da puta, imagine se eu fosse legal e vivesse em uma bolha cor-de-rosa como você? Eu estaria fodido. Até literalmente se bobear. Eu só conquisto a aprovação de quem me é interessante conquistar, entende? Lamento se você não faz parte nem da lista de espera desse grupo.
Dei de ombros enquanto abria um sorriso e recebia o controle que ela jogou impacientemente sobre mim. Fiquei sério por ter tido o objeto jogado contra onde eu estava, não ficando suficientemente puto só pelo fato de não ter me acertado. Ergui uma sobrancelha, falando agora em tom sério, sem sarcasmo.
-Atire alguma coisa em mim de novo e não vai gostar do que vai ver. -Falei simplesmente, encarando-a por mais que ela não pudesse me ver. -Acho que você não se deu conta de que não tem liberdade aqui, bolinha. Você é uma prisioneira do marketing, assim como eu. Não vá se acostumando.
Falei simplesmente enquanto ouvia batidas na porta e então um dos seguranças aparecer, com uma caixa de pizza nas mãos. Abri um largo sorriso, me colocando de pé e caminhei até ele, pegando a caixa na mão e lhe entregando o dinheiro para dar para o entregador. Fechei a porta, novamente sem agradecer enquanto abria a caixa de formato pentagonal e a colocava sobre a mesinha portátil que se abria ao lado de cada poltrona. Sentei em uma poltrona, pulando uma entre mim e Aydra que usei como uma espécie de mesa. Observei televisão passando os filmes que eu não conhecia.
-Gosta de terror? Se não gostar, pegue sua pizza e se retire da sala, eu quero ver esse filme.
Falei simplesmente enquanto clicava em um cartaz com o nome de "A Morte do Demônio" que me parecia bem interessante. Peguei um pedaço da minha fatia com as mãos e dei uma mordida na mesma, sentindo o delicioso gosto do queijo, assistindo aos poucos a imagem aparecer diante dos meus olhos. Abri o meu refrigerante e fiz o mesmo com o suco da Aydra, colocando as duas garrafas sobre a mesa, concentrado demais na imagem do carro que corria pela avenida na tela enorme do monitor para prestar atenção em qualquer outra coisa. Aquilo era bom, por mais que eu fizesse pouco: Ficar atoa.

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Re: Sala de Cinema

Mensagem por Aydra Winston Yates em Ter 26 Ago - 23:28:55

Some movie
Atire alguma coisa em mim de novo e não vai gostar do que vai ver. Acho que você não se deu conta de que não tem liberdade aqui, bolinha. Você é uma prisioneira do marketing, assim como eu. Não vá se acostumando. — Estremeci da cabeça aos pés ao ouvir sua ameaça em tão claro som. Onde eu havia me metido, deuses? Estava grávida de um brutamontes sem coração. Me encolhi um pouco mais contra a poltrona sentindo uma repentina tristeza pelo que ouvi. Eu repetia mentalmente meu karma dos últimos dias: acostume-se, acostume-se. Agora quem não entendia o motivo de ainda estar ali era eu. Não era obrigada a passar por tudo aquilo, era? Minha intenção sempre foi tentar dar um pai pro meu bebê, mas Baptiste nunca seria um pai pra ele e agora eu tinha certeza. O rapaz era incapaz de amar alguém. Não adiantava tentar tapar o sol com a peneira e procurar alguma coisa boa nele, simplesmente não tinha. Jeanine mentiu, Robert mentiu... Henrick estava certo desde o princípio. Suspirei frustrada, ouvindo batidas na porta. Me virei esperançosamente esperando encontrar Jeanine ou Henrick, mas era só outro segurança desconhecido fazendo papel de entregador de pizza. Se eu não teria satisfação na companhia de Baptiste, pelo menos teria comida. Meu bebê remexeu em meu ventre parecendo procurar espaço, era emocionante quando ele se movia, podia senti-lo tão perfeitamente. — Calma, garoto, tá quase lá. — Sussurrei olhando para meu volume abdominal e o acariciando com as pontas dos dedos sob a blusa. Eu não conseguiria mesmo dar o verdadeiro pai para ele? Era tão frustrante. Olhei para a pizza, ignorando a presença de Baptiste que agora sentava na mesma fileira que eu, pegando um pedaço com a mão mesmo sem me preocupar com os bons modos. A primeira mordida fez meu corpo entrar em combustão com o delicioso sabor. Deuses, eu parecia mesmo uma gorda que vivia para comer. Dane-se, eu estava faminta. — Gosta de terror? Se não gostar, pegue sua pizza e se retire da sala, eu quero ver esse filme. — Dei de ombros pegando meu suco e bebericando um bocado, prestando atenção no anúncio do filme. Eu não tinha um gênero favorito para filmes então nunca me importei de assistir terror como outras garotas faziam. Na verdade terror era convidativo naquela hora. — Tanto faz, desde que não coloque drama e comece a chorar. — Murmurei, preenchendo minha boca com um vasto pedaço de pizza, quase consumindo-o por inteiro só com aquela mordida. Meus olhos estavam fixos na tela, concentrada na história. Normalmente as pessoas não se importavam com a história do filme em si, só com a matança geral ou o suspense que fazia os pelos eriçarem. Era adrenalina, sem dúvida, filme de terror e suspense dava aquele choque nos nervos e me deixava acesa. Peguei um novo pedaço de pizza, abocanhando-o com tanta vontade quanto o primeiro, esperando qualquer piadinha de Baptiste sobre meu peso. Decidi que iria ignora-lo toda vez que me chamasse de “bolinha”, aquilo era demais pra mim mesmo depois de ouvir coisas bem piores como “oportunista” e “golpista”. O que me deixava ainda mais da vida era que o músico nem conhecia minha vida, minha história ou minha família pra poder julgar meu caráter, ele simplesmente era um julgador nato e preconceituoso, achava que tudo estava ligado ao dinheiro que ele tinha. Dei uma rápida olhada pra ele de canto de olho, respirando fundo por fim e terminando aquele outro pedaço de pizza, bebendo mais do líquido doce, voltando meu olhar para a tela. — Quando eles vão começar a ser possuídos ou algo do tipo? Não curto esses filmes que enrolam demais pra começar o desespero. — Perguntei com sinceridade. Nunca tinha visto aquele filme, não fazia ideia do teor e minha ansiedade já estava me matando. Ri sozinha ao sentir meu corpo arrepiar e pousei uma mão sobre a barriga, mordendo o lábio para conter o riso nervoso. — É isso que curto no terror, a adrenalina. — Comentei baixinho, decidindo que era hora de parar de falar. Quando ficava nervosa eu tinha duas reações opostas em dois estágios. O primeiro era falar demais, nesse eu já estava, no outro era silêncio absoluto e eu sabia que logo estaria por vir.
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