Quarto de Hóspedes

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Quarto de Hóspedes

Mensagem por Secret em Qui 21 Ago - 21:57:55

Quarto de Hóspedes


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Re: Quarto de Hóspedes

Mensagem por Aydra Winston Yates em Sex 22 Ago - 21:12:23

Don't think about me, think about him
Meus olhos piscaram algumas vezes antes que eu pudesse realmente abri-los. Sentia meu corpo em um colchão confortável, estava cercada de travesseiros e envolvida por uma coberta que deixava meu corpo aquecido até demais. Suor escorria pela minha testa e meu corpo estava pregando nas roupas. Notei que ainda estava vestida com o short jeans e minha blusa, mas não estava mais com os tênis calçados. Não tinha como enxergar nada pelo quarto extremamente escuro, mas infelizmente sabia onde estava. Senti o desconforto de estar onde eu não queria estar e desejei imediatamente não ter acordado. A realidade era dura demais, apesar de tudo eu não podia viver o tempo todo dormindo. Que horas são? Me virei procurando um abajur – casa de rico sempre tinha um abajur perto da cama – e o encontrei ao lado da cama em que eu estava, sobre um criado mudo, acendendo a luz que clareou parte do cômodo e inicialmente fez minhas vistas arderem. Foi difícil acostumar com aquele brilho, fiz careta, mas assim que me acostumei rodeei os olhos pelo quarto procurando entender onde eu estava. Dei um pulo na cama e um curto grito saiu assim que vi o “armário branco” parado na porta do quarto me olhando fixamente. Era o mesmo segurança branquelo que 1) havia barrado minha passagem quando eu quis ir embora; 2) me segurou para que eu não caísse; 3) me carregou até aquele quarto. As lembranças estavam frescas demais na minha memória, coisas que eu queria esquecer. — Desculpa se te assustei, senhorita Yates. — O rapaz disse em tom baixo e rouco, desviando o olhar para qualquer lugar que não fosse eu. Respirei fundo acalmando meus nervos e dei uma risada nervosa, balançando a cabeça negativamente. — Tudo bem, eu só não esperava. — Respondi, a confusão me tomando. O que um segurança estava fazendo ali? — Olha, se está me vigiando para que eu não fuja, pode ficar despreocupado que não vou sair daqui. — Me sentei na cama encostada na cabeceira e encarei o homem, recebendo o olhar de volta. Era um olhar diferente, cheio de algo que parecia muito com complacência. Pronto, mais um que tinha pena de mim. Mas o olhar dele ia além de pena... Havia medo e uma espécie de preocupação ali. Minha mente deu um click quando notei o real motivo de ele estar ali. — Não é pra me vigiar. É pra vigiar ele, vigiar Baptiste. — Acusei sabendo que estava certa, tendo a confirmação do segurança quando ele desviou o olhar de mim rapidamente e mudou da posição desconfortável. Eles conheciam Baptiste melhor do que eu, absolutamente, e por isso comecei a também sentir medo, além de lembrar a reação do músico. Mordi o lábio e passei a mão pelos cabelos na tentativa de ajeita-los, sabendo que estavam amassados porque havia dormido, ainda olhando para o segurança. — É Henrick, certo? Não precisa ficar mudo comigo. Estamos sozinhos e, bom, eu não sou o Baptiste pra rebater seu “a” com o alfabeto inteiro. — Revirei os olhos e brinquei com as palavras, coçando os olhos e bocejando. Quanto tempo eu havia dormido? A sombra de um sorriso apareceu no rosto de Henrick, mas foi coisa de milésimos de segundos. Se havia uma coisa que eu adorava fazer era arrancar sorrisos de quem pouco se permitia sorrir. — Sério, Henrick, eu não quero ficar em um monólogo. Hm... me diga, quantas horas são? Quanto tempo eu dormi? — Indaguei com duas intenções: sincera curiosidade e para ouvir a voz do homem-armário. Henrick primeiro arqueou as sobrancelhas como se soubesse minhas intenções profundas, depois olhou o relógio para então responder. — São pouco mais de cinco da manhã. A senhorita dormiu por quatro horas. — Ele respondeu e sua voz era mais grossa do que quando se dirigiu a mim a primeira vez ao se desculpar por me assustar. Abri um sorriso tímido para o segurança, pendendo a cabeça para um lado ao fita-lo. — Viu? Não doi falar comigo. Além do que não vou contar pra ninguém que você fala. — Eu estava em um total desespero pra poder conversar com alguém desconhecido com tanta displicência. Eu só precisava de alguém pra conversar, precisava desabafar e tudo o que eu tinha era um segurança que só respondia a perguntas e, eventualmente, demonstrava algum humor às minhas terríveis piadas. Então eu deveria jogar o jogo dele. — Tem alguém acordado a essa hora?
Acredito que não, senhorita.
Droga! Estou com fome. — Soltei, uma verdade absoluta. Estar grávida tinha essas coisas, por mais enjoada que eu estivesse sempre sentia fome. Aquele menininho dentro do meu ventre adorava comer. Ainda bem que tudo ficava pra ele e não me permitia engordar. — Ah, sim, se for por isso eu sei que a cozinheira tem um cronograma a seguir, mesmo que o pessoal da casa não siga o cronograma. — Hm, então a conversa estava finalmente fluindo com o segurança quase mudo? Dei uma risadinha imaginando o que ele queria dizer com “o pessoal da casa”. Curiosidade por curiosidade, não custava nada perguntar. — Robert está aqui? — Henrick abanou a cabeça negativamente por duas vezes antes de responder com palavras. — Não, mas deve estar por chegar.
Foi ele que te mandou ficar aqui, não foi? — O moço assentiu, colocou as mãos nos bolsos e tirou de lá um aparelho celular, checando alguma coisa que eu não sabia o que era. — Sim. Ele está preocupado com a segurança da senhorita. — Assim que Henrick disse as últimas palavras, estacou após guardar o celular, sabendo que havia falado mais do que deveria. Mal sabia ele que eu tinha conhecimento desse medo também. — Hey, não se preocupe, você não disse nada que eu não saiba. Quero realmente evitar contato com Baptiste pelos próximos... vejamos... quatro meses. — Dei de ombros e pousei a mão sobre a barriga debaixo da coberta, acariciando-a, imaginando como eu faria isso. Era impossível não ter contato com Baptiste. Eu o veria eventualmente, teria que parecer feliz ao lado dele, sorrir para câmeras, encarar jornais e revistas, dar entrevistas... Só de pensar nisso já sentia cansaço. Não podia imaginar como alguém quereria uma vida desse jeito, sem nenhuma privacidade, sem direito a respirar sem que fosse fotografado por algum paparazzi. — Você tem filhos, Henrick? — O segurança negou uma vez mais com a cabeça e cruzou os braços sobre o peito, foi aí que notei a ausência de qualquer anel que marcasse que ele fosse casado. Não sei porque eu sempre imaginei seguranças velhos e com diversos filhos, mas Henrick era jovem e parecia solteiro, indo completamente contra meu conceito pré-definido sobre os seguranças. — Pretende ter algum dia? — Bombardeava o segurança com perguntas completamente aleatórias tentando manter minha mente ocupada ao mesmo tempo que saciava minha curiosidade. Henrick arregalou os olhos sutilmente e pareceu considerar alguma coisa antes de responder. — Absolutamente.
Sabe, eu entendo o Baptiste. Quero dizer, não é fácil estar no auge da juventude e descobrir algo assim. — Suspirei após dizer, escorando a cabeça na parede e fechando os olhos por um instante. Eu entendia completamente, só não acreditava que ele poderia ser tão rude quanto foi. Ele iria melhorar com o tempo, eu tinha aquela esperança. — Se a senhorita está pensando que ele vai mudar, não espere isso. — Abri os olhos imediatamente ao ouvir o tom de voz de Henrick como um aviso. Virei o rosto para ele e franzi o cenho, assustada por ele ler meus pensamentos. — Eu não espero que ele mude. — Quis mentir, mas eu era uma péssima mentirosa. Henrick novamente deixou transparecer um sorrisinho sabendo que eu estava mentindo. Claro, seguranças tinham esse sexto sentido. — Desde que trabalho com ele é a mesma coisa. Deixou a fama subir à cabeça, ficou mesquinho e rude, até mesmo perigoso, senhorita Yates, não vamos deixa-la sozinha com ele. — Uou... informações preciosas de uma fonte que parecia segura. Baptiste seria realmente capaz de me machucar fisicamente então? Eu não sabia mas era difícil acreditar, apesar de tudo. Ele parecia sempre tão... perfeito. Sorri largo para Henrick em agradecimento. — Obrigada. Por não me deixar desmaiar, por me trazer até aqui, por me avisar e por tentar me proteger. Você vai ser o responsável pela minha segurança agora, eu presumo, então posso te pedir uma coisa? — Esperei alguns segundos até que o loiro assentiu, me fitando com seriedade como um profissional realmente preocupado com sua missão. — Não pense em mim quando estiver me protegendo. Pense nele. — Joguei a coberta de lado para mostrar meu ventre preenchido, ainda acariciando-o com a ponta dos dedos. — Não quero que pensem nele como uma “coisa” que estou usando para ter uma vida boa. Pense nele como uma vida, um coração que bate dia e noite lutando para sobreviver a esse mundo tão cruel, e olha que ele nem mesmo saiu daqui. Eu não me importo se eu for machucada fisicamente, por mais absurdo que seja a ideia, não me importo se Baptiste quiser me machucar por achar que eu sou uma golpista que só quer acabar com a vida dele. Eu me importo se ele machucar meu filho e me deixar ilesa, ausente da melhor coisa que eu tenho na vida. Então proteja ele por mim, Henrick. — Terminei de falar e percebi que Henrick trocou o olhar de pena para admiração, algo que eu não recebia com muita frequência. Ele sorriu e eu fiz o mesmo, finalmente conseguindo ficar confortável com alguém naquela casa. Por alguns minutos fiquei apenas observando minha barriga e alisando-a como se o bebê pudesse sentir meu toque. Ele era, indubitavelmente, tudo pra mim. Ouvi então Henrick pigarrear me tirando da concentração. — Agora que a senhorita está acordada vou deixa-la sozinha. Suas coisas estão logo ali atrás daquela porta de vidro escuro, é o seu closet. Logo ao lado tem o banheiro e também é inteiramente seu. Se precisar é só gritar, estou logo atrás da porta. — Disse rapidamente e se virou para sair. — Henrick! Quando o café da manhã estiver pronto pode me chamar, por gentileza? — Ele assentiu e me lançou um novo sorriso, então saindo e me deixando sozinha com meus pensamentos. Havia lugar melhor para pensar do que durante o banho? E um banho era realmente tudo o que eu precisava agora.

 hey, Henrick, thank you for it all
Aydra Winston Yates
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