Suíte de Aimée Murdoch Bertrand

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Suíte de Aimée Murdoch Bertrand

Mensagem por Secret em Qua 10 Jul - 19:34:55

O espaço da garota Aimée é dividida em partes. A cama espaçosa fica dentro de uma cabine. Do lado esquerdo desta, encontra-se o bar exclusivo da garota e do lado direito fica a entrada para o banheiro. Subindo as escadas, temos o espaço dela para seus livros, filmes, instrumentos, quadros, fotos, skates, enfim, é como se fosse seu ateliê. Também sobre as escadas encontramos o closet.


Closet:
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Re: Suíte de Aimée Murdoch Bertrand

Mensagem por Aimée Murdoch Bertrand em Sex 20 Jun - 17:30:52


We are so screwed!

Caralho, Bruce, você é muito pesado. — Murmurei enquanto subia com meu amigo meio desmaiado meio andando para meu quarto. Deuses, eu estava com a costela extremamente dolorida, com a certeza de que minha mão direita também estava fraturada e mesmo assim não pude recorrer a um hospital. Motivos: uma noite de muita confusão que poderia tirar o nome Bertrand de capas de revistas e colocar em jornais policiais em um piscar de olhos. Tinha deixado a menina Angelinne em casa, abandonado o carro com um pivete qualquer no meio da rua e pegado um táxi para meu condomínio, tudo isso enquanto Angel tagarelava que precisávamos ir ao hospital porque Bruce estava desmaiado no banco traseiro do carro roubado. De fato, precisávamos ir para um hospital se Bruce não tivesse murmurado alguma coisa enquanto estávamos à caminho dele. Isso provou que ele estava vivo e era suficiente por hora.

Destrancar a porta do quarto nunca foi tão difícil. A chave emperrou, Bruce mais caía do que ficava em pé, eu estava com medo de acordar minhas irmãs porque, aí sim, a coisa ia ficar muito séria se Barbara aparecesse e me visse entrando no quarto com um homem semi-desacordado e balbuciando coisas completamente sem sentido. — Não cai, Bruce! — Corri e segurei meu amigo enquanto ele despencava para o lado, assim que suportei o peso dele minhas costelas suplicaram. Gemi de dor e respirei fundo, arrastando o rapaz comigo para o quarto. Até mesmo o ato de respirar doía. Carreguei o corpo quase inerte daquele gordo até o sofá, que ficava do lado oposto do bar, tendo o maior cuidado possível com ele e comigo, fazendo-o se deitar de barriga para cima. Os pés de Bruce ficaram de fora do sofá e isso era engraçado, se estivéssemos em outra circunstância eu estaria rindo agora. O que fazer? Eu estava perdida, muito perdida. Espasmos de dor corriam meu corpo, me faziam arrepiar... Era como se eu estivesse com frio constante. Peguei o controle do aquecedor e o liguei, me jogando no chão de frente para Bruce e deitei de barriga para cima também.

Fechei os olhos, respirando devagar e pausadamente. O movimento de sobe-desce da respiração tornava tudo mais difícil, ficava difícil até pensar... Mas não difícil pensar nele. Por um instante a dor foi tão insuportável que até havia me esquecido do motivo de ter saído nessa noite. O que aconteceu na noite passada parecia ter acontecido a uma eternidade atrás. Poucas pessoas invadiam minha mente dessa forma, poucos tinham a capacidade de se instalar e sentar na poltrona trazendo seus livros, whisky e boa música. James era uma dessas exceções. Ele havia entrado como um furacão, bagunçado minha mente desde o primeiro encontro no Starbucks e eu simplesmente não conseguia parar de pensar nele. James, lindo com aquele cabelo bagunçado, o corpo suado, a pele cheia de marcas vermelhas, os lábios inchados, o sorriso irônico-safado. Suspirei, ignorando a dor, abrindo um sorriso que seria repreendido por Bruce se ele tivesse acordado. Ele gemeu no sofá, se virando pra mim. Abri os olhos com dificuldade e olhei pra ele, arqueando uma sobrancelha. — Hello, Bela Adormecida. Você tem trinta segundos pra escolher se está tudo bem ficar aqui em casa e chamar um médico a domicílio que seja extremamente discreto, ou irmos ao hospital agora e sermos bombardeados por questionamentos diversos. Um... Dois... Três... — Continuei contando, esperando que ele me respondesse. Enquanto contava fechei os olhos novamente... Deuses, como eu queria dormir.
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Re: Suíte de Aimée Murdoch Bertrand

Mensagem por Bruce Austin Ohlweiler em Ter 24 Jun - 20:32:59





Tudo escuro. Era difícil saber onde estava apenas escutava o que acontecia lá fora como se tudo estivesse em uma grande e tempestuosa tempestade de inverno. Como se os dias estivessem se esgotando igual nos filmes, primeiro o silêncio, segundo a pausa dramática de um carro qualquer e logo depois no terceiro e ato final, o estrondo.  E no final você sabe exatamente como tudo irá terminar, como normalmente em filmes tudo termina. Alguém aparece e salva a pátria mais um vez.

Pesando uma tonelada. É assim que a coisa começa? Estou enjoado, mas sem forças para falar quais quer coisa, Aimée me guia para o que acho o que é seu quarto. Deus! Seu quarto. Me sinto atirado para o sofá e lá estou eu esperando por algum sinal de luz, é complicado fazer qualquer coisa, e olhe só, o teto me fita da mesma maneira que o fito. Um sentimento vago e sem nenhum propósito me lembra de dias que agora não passam de lembranças.

Me viro buscando conforto no  desconforto. Meus olhos encontram ali, parada, Aimée. Meus pés estão gelado, empurro um pés no outro tirando o sapato lentamente, faço o mesmo com o outro. Meus pés continuariam gelados de qualquer maneira, aparentemente minhas meias estão molhadas. Suspiro ouvindo ela falar, não consigo sorrir, minha face está paralisada contra a almofada. - Vivo. - Murmuro enquanto ela conta.  Dou um longo e silencioso suspiro e continuo. - Chega de médicos.

Ver-a ali me fez querer estar bem. Percebi o quão crescida ela estava , é eu sei ela não cresceu realmente, mas saber que ela consegue se virar é engraçado. Ela sempre soube se virar é claro, mas essa loirinha esta cada dia melhor. Finalmente depois de um logo e estranho dia dou meu primeiro sorriso. Um leve e sem nenhum resquício de qualquer tipo de vicio licito ou ilícito.

- Seu dia deve ter sido melhor que o meu. - Dou uma pausa. - Ele deve ser mesmo um cara "legal". Então senti aquela coisa escorrendo pelo canto do olho e passar por cima do nariz. Escorrendo até a almofada, e depois desaparecendo.
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Re: Suíte de Aimée Murdoch Bertrand

Mensagem por Aimée Murdoch Bertrand em Qua 25 Jun - 17:32:47


We are so screwed!

Veja bem, eu não sou uma pessoa muito normal, minha vida está longe, milhas e milhas de ser normal. Eu não tenho uma família normal, uma vida social normal, amigos normais ou um relacionamento amoroso normal. Posso pegar como exemplo o gordo deitado no sofá na minha frente que é meu melhor amigo Bruce, apelidado carinhosamente por mim de Batman. Batman está longe de ser normal, e talvez seja isso que me atraia a ele. Adoro a forma com que Bruce me trata, é como se eu fosse uma boneca de porcelana e, ao mesmo tempo, uma fortaleza intransponível. E eu sei que ele me trata assim porque sabe que sou realmente assim. Não é uma crise de identidade ou bipolaridade, são apenas as circunstâncias. Eu posso ser facilmente quebrada, mas para isso precisa passar pela minha fortaleza, e poucos tem esse direito. Bruce está nesse seleto grupo, sendo a única pessoa além das minhas irmãs que sabe como eu sou realmente, sabe como me sinto apenas com um olhar, conhece meus sorrisos falsos e sinceros, meus olhares de trama, meus pensamentos diabólicos e angelicais. Bruce, que agora me olhava com um olhar misto de admiração, surpresa e talvez um pouco de tristeza. Alívio eu senti quando ele concordou que não precisava de médico – e eu nem mesmo precisei contar até trinta – o que queria dizer que ele estava bem por enquanto, só que eu não tinha realmente certeza quanto a mim mesma. De qualquer forma, apenas assenti, mesmo que a dor ainda estivesse instalada do lado esquerdo.

Legal não é exatamente a palavra que o define. Mas sim, ele pode ser legal também. — Dei de ombros enquanto respondia à “pergunta” oculta de Bruce. Ele me conhecia, mas eu também o conhecia. Era uma troca justa de conhecimento um do outro. Queria tanto poder contar para meu amigo tudo o que passei com James desde a primeira vez que o vi até a última, que eu esperava que não fosse realmente a última, mas não podia realmente contar. Não poder não é a expressão certa, já que eu podia tudo. Só era injusto contar uma coisa feliz que estava acontecendo comigo enquanto uma lágrima tímida e solitária caía do rosto dele. Foi como se alguém tivessem enfiado uma faca no meu coração e torcido ela lá dentro, dilacerando completamente o bombeador de sangue. — Ah, Bruce... — Suspirei, me erguendo do chão com uma dificuldade considerável, sentando em uma pontinha do sofá perto da barriga dele. Coloquei uma das mãos no cabelo do rapaz e tentei ajeitar, sem sucesso. Era uma forma de carinho, mesmo que ele não aceitasse muitas formas de carinho. Coloquei aquela expressão amigável no rosto, puxando o rosto de Bruce pelo queixo para que ele olhasse pra mim. — Essa expressão de nada combina com você. Qual é Batman, me diz o que ta acontecendo? E não estou pedindo pra me contar, estou exigindo. — Arqueei uma sobrancelha inquisitiva. Não importa, eu o conhecia e aquilo não passaria despercebido por mim.
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Re: Suíte de Aimée Murdoch Bertrand

Mensagem por Bruce Austin Ohlweiler em Qui 26 Jun - 7:24:56


 
Essa camada fina e nebulosa que agora se estende por meus olhos é estranha. Como se estivesse ficando doente de tristeza e em suas variáveis estava mesmo ficando doente, digo, já sou um doente, só que até esses dias não sabia. Meus lábios se contraem do fator verdade, que passei cerca de quatro dias querendo esquecer. Total, completamente, alucinado. O quê fui fazer? Sempre fiz as coisas certas e no final, marcado para apodrecer lentamente. Me encontrei em um banheiro essa noite, sei que para algumas coisas poderiam ser normal, mas esse não é meu normal. Não quero que seja meu normal.

Olhei fixamente para o nada enquanto o vulto que a Aimée se tornara se aproximou. Talvez eu deveria falar, talvez não, mas realmente de todas as pessoas do mundo. De todos os pedacinhos que as pessoas chão em nossa mente, ela, embora seja uma loira aguada de farmácia... É a loira de farmácia mais aguada, que mais confio, que mais sei lidar, como se estivéssemos vivido juntos toda uma eternidade. Peguei em sua mão, levei até os lábios e dei um beijo nas costas dela.

- Veja só... Não sou mais tão eterno assim. - Respirei fundo, me jeitei ficando novamente de barriga para cima e me apoiando para poder me sentar, ainda com as pernas sobre o sofá. - Eu.... É... Eu estou doente...- Ainda estou com minha mão na dela, fiquei a olhando, mas isso parece ser tão constrangedor. Deve ser constrangedor... Dizem que é difícil de nos expressarmos com quem amamos. E nossa, nem mesmo eu sei o que exatamente quero dizer. Talvez não dizer possa ser o melhor.

- Apenas doente...- Dou um sorriso. É melhor assim, talvez agora, que estou, estamos nos recuperando dessa noite realmente maluca seja melhor apenas estar doente. Amanhã, isso, amanhã quando estivermos recuperados e apenas com um dor excruciante de ressaca. Quero não lembrar do que acontecendo nessas últimos dias. Será o pior, lembrar de todas as besterias que fiz. Engraçado, a pessoa mais sensata e tranquila de talvez... NY, perdeu o controle como quem sabia o que estava prestes a fazer.

- Precisamos de um banho. - Disse balançando a cabeça e me ajeitando, levando os pés até o chão,. Agora estou sentado do lado dela, ainda um pouco pesado. Espero que pelo menos esta noite tudo acabei bem, embora eu sabia o que tem por vir. Apertei a beirada do sofá tentando me convencer. Olhei-a e sorri.

Não menti. Apenas não contei tudo. Tento me convencer. E eu sei que de alguma forma me convenceu. E também me destruiu só mais um pouquinho.
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Re: Suíte de Aimée Murdoch Bertrand

Mensagem por Aimée Murdoch Bertrand em Sex 27 Jun - 16:25:42


We are so screwed!

Percebi que a coisa era séria quando Bruce pegou minha mão, se sentou e me retribuiu o olhar ligeiramente triste. Mal me movi, apenas o observei. Observei o traçado do rosto de Bruce, o delineado das sobrancelhas sempre bem feitas, o ângulo das maçãs do rosto que fazia inveja em qualquer um, o nariz arrebitado... Mas o que me chamou atenção foram os olhos, antes profundos, agora rasos e rodeados de uma mancha roxa sutil de quem não dorme há dias. Eu tinha em Bruce o irmão mais velho, que cuidava de mim mesmo com seu jeito torto. E agora estava ele me olhando daquela forma, segurando minha mão da maneira que ele fazia quando queria contar algo sério, tipo quando me contou que o gato dele tinha morrido. Pobre senhor... Como era o nome do gato mesmo? — Veja só... Não sou mais tão eterno assim. — A voz de Bruce me trouxe de volta. Eu tinha mesmo que parar de entrar no mundo paralelo e esquecer as pessoas, me focar no que estava ao meu redor, tipo meu amigo agora que dizia palavras sem sentido. Mantive a sobrancelha arqueada, sugerindo que Bruce continuasse.  Ele respirou fundo, sentou no sofá e me fez ficar ainda mais alarmada. Primeiro o toque carinhoso nas mãos, depois ele senta para ficar mais ou menos à minha altura? A resposta das minhas indagações internas foram logo respondidas por ele.

Estaquei, paralisei, nenhum músculo se moveu diante daquela frase. “Eu estou doente, só doente.” Mas, como assim doente? Doente de quê? Gripe? Virose? Conjuntivite? Alergia? Mononucleose? Abri a boca pra falar, nenhum som se atreveu, apenas saí do estado de torpor e acariciei a mão que segurava a minha com o polegar. Claramente ele não queria falar sobre e eu, bom, como boa amiga que sou, preferi me contentar em ser uma ouvinte mesmo que a forma com que ele falou “estou doente” me remeta a perca imediatamente. — Okay. — Disse assim que a voz voltou a funcionar e apertei um pouco mais forte a mão de Batman. — Mas não pense que isso se encerrou por aqui, Bruce. — Completei com a tonalidade séria na voz, me levantando e puxando Batman para fora do sofá. MINHAS COSTELAS! Argh, eu nunca iria me lembrar. — Vá tomar banho primeiro, eu te espero. Tem toalhas no armário e roupas... Hm, não, erro meu. Não tem roupas pra você. — Dei de ombros, reparando que na minha casa só tinha mulheres, ou seja, tecnicamente Batman estava ferrado. Só tecnicamente, já que em algum lugar daquela casa deveria ter alguma roupa de Conrad. Se eu ao menos pudesse ligar para James e pedir ajuda... Mas a essa hora da madrugada era meio impossível. Batman e Romanov tinham o mesmo tamanho, provavelmente, só que James era mais forte. Lembrar dele disparou meu coração, aquela boa e errada sensação de quem está se apaixonando perdidamente por alguém. — Vá logo, eu arrumo roupas pra você. E seja breve, preciso te contar minha futura história de amor. — Pisquei pra meu amigo em completo tom de brincadeira, em partes sabendo que era verdade. Três coisas improváveis acontecendo: 1)Batman estava doente; 2) Eu estava apaixonada. 3) Depois de muito tempo íamos ter um tempo só pra nós, entre amigos, para conversar besteira, talvez chorar enquanto assistíamos um filme melodramático ou ter um ataque cardíaco com suspense/terror, atacar a geladeira de madrugada e fingirmos ser espiões da W.O.O.P. para nos manter ocultos na madrugada. Afinal, há males que vem para bem.

ENCERRADO
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Re: Suíte de Aimée Murdoch Bertrand

Mensagem por Aimée Murdoch Bertrand em Sab 20 Dez - 17:13:51

with: Cher
words:665
wearning: this
notes: I just wanna feel you again
Tentava distrair Cherrie da melhor forma possível no trânsito de NY enquanto estávamos no táxi. Eu queria distrai-la ou queria distrair a mim mesma? Meu peito estava ardendo e não era uma dor física. Era a dor daquela maldita distância. Eu precisava voltar o quanto antes, eu precisava voltar mais do que nunca, eu precisava ser preenchida de novo e tirar aquela merda daquele aperto do peito. Por alguma sorte, o trânsito estava ajudando naquela noite. Já era noite, o que me assustou um tanto. Eu me sentia um tanto cansada pra sair, mas elétrica demais para simplesmente deitar e dormir. Queria tornar as coisas simples e práticas, chegar, arrumar, resolver, sair, voltar. Simples. Nem tanto. Eu estava esgotada para ter qualquer discussão agora. Apenas esgotada. — Acho que Dolores vai surtar um tanto quando me ver. Talvez George também surte. — Disse baixinho para Cher, pela primeira vez na vida usando o verdadeiro nome do meu antigo motorista. Eu sempre o chamei de Thomas por pura implicância, apenas para fingir que eu não me importava nem mesmo com o seu nome, mas agora era diferente. Eu tinha mudado demais nos últimos meses e fazia questão de chamar George de George. Meu melhor amigo motorista, viveu tanta coisa comigo. Por mais que eu quisesse vê-los, não queria vê-los agora. Nem ele, nem Dolores, nem Barbie. Só queria chegar no apartamento, apossar provisoriamente do que um dia foi meu quarto e tomar boas bebidas com minha prima. Como ela mesmo dizia: vamos continuar sendo boas russas e tomar alguns shoots até não aguentar ficar em pé.

A cobertura, finalmente. A sorte realmente estava ao nosso favor. Eu fiquei uma semana fora então eles não tinham trocado a fechadura, a chave ainda servia e eu estava de volta ao lugar onde passei boa parte da minha vida. Era nostálgico, claro, mas ainda sentia uma dor no estômago, uma ânsia... Não vontade de jogar toda a comida do estômago fora, só não me sentia confortável. Talvez porque ali tinha histórias demais que eu estava disposta a esquecer. — Vamos para o quarto, o bar está nos esperando. — Puxei Cherrie pela mão direcionando-nos para o quarto mesmo que ela também conhecesse aquele apartamento tanto quanto eu.

Abrir a porta do quarto e me deparar com tudo exatamente como eu havia deixado, só um pouco mais organizado, fez com que a sensação de estranheza ficasse ainda maior. Dolores com certeza havia burlado uma das regras e entrado ali para arrumar, estava tudo limpo demais. Por um momento eu fiquei sem ar ao fitar a decoração que eu havia escolhido com tanto apreço para ser o meu espaço. Joguei as malas no chão simplesmente e corri escada acima, encontrando meu acervo tão perfeito quanto antes. Meus livros, filmes, pôsteres, os instrumentos, os skates, meus desenhos... Oh shit! Praguejei mentalmente ao ver um dos tantos desenhos que eu tinha feito de James pregado na parede ao lado de uma foto nossa da última vez que tínhamos ido até a cervejaria do Queens no nosso aniversário de dois meses. Não podia ver aquilo agora. Não agora. Meus olhos arderam e eu tive que respirar fundo. Respira, Aimée, sem drama. Antes mesmo que pudesse raciocinar, antes que o efeito da imagem viesse com tudo, desci as escadas de volta, correndo para o bar e abrindo meu frigobar. — Hm... Vamos lá, tequila. — Peguei uma garrafa sem precisar realmente escolher, todas eram excelentes, peguei dois recipientes e os pus sobre o balcão, chamando Cherrie com um aceno de mão, enchendo nossos copos e desde já virando o meu, colocando mais uma dose em seguida. Escorei os cotovelos no balcão sem realmente me sentar, olhando para minha prima.— Escolha a música e vamos beber, gata. Daqui a pouco os gogo boys chegam pra alegrar nossa noite. — Pisquei pra ela, soltando uma risada sarcástica. Cherrie era a única que conseguia preencher um bom espaço do vazio que eu sentia, o buraco que teimava em se alastrar. E doía. Ah, como doía.
- JENNA -
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