Sala de Estar

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Sala de Estar

Mensagem por Secret em Qui 15 Ago - 14:50:31

Sala de Estar
Em total harmonia para com o Hall, a sala de estar é bastante iluminada e ostenta tons claros. É composta por diversos moveis e não segue um padrão de estilo, pois a mesma é compostos por vários estilos de decoração, os quais vão do vintage ao contemporâneo. É o único lugar do apartamento que possui um pouco de cada uma das irmãs em igual. Possui várias poltronas, cada uma segue um estilo, padronização é algo que não se encontrar na sala de estar. Além das mais variadas poltronas, possui também uma lareira, que permanece grande parte do tempo intacta, pois sua utilização é mínima. Este também é o local no qual poderá se encontrar um ou dois livros espalhados em qualquer canto, mania que Emily adotou desde pequena. Devido à iluminação e espaço que há na sala, Eden e Emily costumam passar horas conversando por ali.


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Re: Sala de Estar

Mensagem por Eden Von Helling em Ter 15 Jul - 14:49:47



Intoxication, paranoia, and a lot of fame
D
esde a festa que tudo mudara, e dificilmente se tornaria no mesmo de outrora. O amor transmitido publicamente entre Eden e Edgar fora alvo de olhares e atenções excessivos, mais centrados nestes do que na própria anfitriã. Parte deles sabia que tal relação tão inesperada não seria devidamente aceite pelos membros da elite, mas não poderiam ter previsto a repugnância com que passaram a ser tratados por muitos. Edgar sempre fora mal falado e desprezado, pelo que aquilo constituira meramente um ínfimo acréscimo à sua negra reputação. De certa forma, ele deliciava-se com o ódio alheio direccionado a si mesmo, como se servisse apenas para aumentar a fama. A negatividade do sentimento, as más línguas e a o terrível ambiente passavam-lhe ao lado- ou assim fazia transparecer. Contrariamente, a ela sempre fora associada a reputação de pessoa adorável que gosta de sofrer. Nunca significara muito para ninguém, até mesmo os comentários de Secret sobre si demonstravam sempre descaso. Edengar não era mais do que a junção de duas pessoas disfuncionais à sua própria maneira. Se ambos são lixo, porque não juntá-los? Era a forma de impedir que mais alguém ficasse arruinado pelas influências do desprezível parceiro.

Desde o evento que Eden ficara hospedada na casa de Edgar. Conhecera os prazeres do afeto mútuo com maior frequência do que em qualquer outra ocasião. Emily não permitiria que a sua irmã comparecesse em casa, e, para além disso, a pequena Von Helling tinha vergonha de o fazer. Embora tudo tivesse acontecido por um único, trágico e inevitável evento -o momento em que se apaixonara pelo Morteri-, Eden sentia-se culpada por esse ato imprudente. Porque, embora a sua ignorância lhe toldasse o conhecimento de tantos aspetos elementares, ela tinha a certeza de algo: antes de Edgar, estava Emily. Aliás, antes de qualquer outra pessoa no mundo -exceptuando Rachel, que se encontrava ao mesmo patamar-, estava Emily. E qualquer atitude tomada que a pudesse magoar deveria ser, a todo o custo, corrigida. Mesmo que isso implicasse terminar tudo com a pessoa que mais a fizera sentir especial.

Abandonou o lar Morteri na calada do crepúsculo, enquanto o namorado estava fora. Vestira-se completamente de preto, não por estar numa espécie de luto pela sua relação com Emily, mas por ter retornado secretamente aos seus tempos de escuridão e auto-flagelação. Sabia que não seria um encontro bonito -provavelmente, seria bem o oposto-, portanto preparou-se psicologicamente para ouvir verdades escondidas há muito. É nos tempos de discussão que devemos estar mais atentos, pois é aí que descobrimos as genuínas opiniões dos outros sobre nós mesmos.

Alcançou o apartamento Von Helling rapidamente e entrou antes de ser vista por algum visitante indesejado. Subiu pelas escadas até ao respetivo nível. Olhou por baixo do tapete de entrada, mas a chave suplente fora retirada. -Fuck- Disse Eden secamente, levando a mão à boca num gesto inconsciente e roendo o pouco que restava das suas unhas. Começou a deambular de um lado para o outro, pensando numa solução que tardava a chegar. Por fim, incerta de que resultaria, resignou-se ao menos aconselhável dos métodos. Retirou um gancho do fundo carregado da sua mala e introduziu-o na fechadura, perscrutando através desta e rodando o objeto numa sequência perfeitamente memorizada. Ouviu-se um suave clique e a porta abriu-se graciosamente. Invadir a casa: o começo ideal para a situação ideal.

Com o caminhar mais silencioso, dirigiu-se à sala. Sentada de costas distinguia-se Emily. Não parecia estar a fazer nada em concreto: encontrava-se em silêncio, com a lareira apagada e a batucar os dedos sequencialmente na parte amadeirada do seu assento. Eden receou que, quando esta se virasse, os seus olhos estivessem avermelhados e inchados. Não sabia como ela iria reagir à sua súbita aparição, pelo que optou por uma abordagem subtil. -Ems, que saudades- Sorriu. Tudo poderia acontecer.
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Emily Von Helling em Qua 16 Jul - 3:56:03


Unconditionally!
O apartamento estava imerso em um silencio mortal. Nada parecia se mexer ultimamente. Não ouvia mais passos, risadas e sequer outros barulhos no interior do mesmo. Poderia jurar que conseguia ouvir até mesmo o palpitar do meu coração. Do lado de fora era totalmente o contrario. Uma NY agitada e barulhenta contrastava com todo o meu mundo. Ainda não conseguia juntar as peças e entender o que ocorrera na ultima festa... Como minha irmã tivera coragem de ter feito aquilo? Aparecer com Edgar em uma festa era o tipo de apunhalada que eu não esperava por parte dela. Todo momento em que minha mente tentava entender o momento e o motivo em que havia perdido a maneira como tal enlace dos dois havia se iniciado sentia ainda mais repulsa. Repulsa? Não, talvez ódio se encaixasse melhor.  Suspirei e coloquei o copo de conhaque sobre a mesinha central da sala de estar.

A lareira encontrava-se apagada, as cortinas fechadas e um abajur aceso apenas. Estava encolhida em uma das poltronas, alheia a qualquer outro acontecimento quando ouvi um barulho na porta. Pelos meus cálculos deveria de ser Rachel, uma das poucas que possuía as chaves. Havia confiscado a chave reserva e já não tinha noticias de Eden. E tal fato me dividia. Ao mesmo tempo em que perecia na vontade de obter noticias de minha irmã mais nova, sabia que ela estava junto a Edgar e isso me livrava de qualquer preocupação. Eden já era crescidinha o suficiente para se responsabilizar por suas decisões e sua vida. Mas tal revolta não durava por muito em meu consciente, pois insistia em lembrar o quanto ela havia sofrido anteriormente. Era como um ciclo sem fim. Em certo momento tinha vontade de arrebentar a fuça daquele cretino e protegê-la, mas logo após tudo sumia e desejava mais que tudo que ela se machucasse.

Tudo cessou ao ouvir a doce voz de Eden atrás de mim. Levantei em um sobressalto e coloquei-me de pé, a encarando. — VOCÊ ESTÁ BRINCANDO COMIGO? — Incredulidade era tudo o que resumia tal instante. — COMO. . .? COMO SE ATREVE A DIZER QUE ESTÁ COM SAUDADE? — O ódio repentinamente me consumiu. Não podia acreditar que ela estava ali e se sujeitava a dizer que estava com saudade. Parecia então que uma única semana no apartamento dos Morteri já havia a transformado. Sinceramente deveria parabenizar Edgar pelo seu belo trabalho em transformar minha irmã em uma pessoa tão repugnante e mesquinha quanto ele. Vi os enormes e doces olhos de Eden lacrimejarem. Agora sim o show estaria completo, choro era o que faltava para completar a cena. — QUER SABER? CHORE MESMO, ESPERO QUE FIQUE TÃO SECA DE LÁGRIMAS QUANTO O SEU CORAÇÃO É SECO DE AMOR! — Sentia o veneno e toda a raiva serem despejadas a ela. Meus olhos ardiam de lágrimas e estas serviam como combustível a tudo que estava entalado em minha garganta. Eden precisava ouvir algumas verdades. — Aliás, me conte como é ser apenas mais uma vadia na vida de Edgar Morteri? — Havia abaixado meu tom de voz e apenas encarava a garota que estava apenas a alguns passos de distancia. Aquele sentimento tomava conta do que eu era, me transtornava e eu já não media minhas palavras.

Senti que deveria me controlar, afinal, aquela era Eden, minha irmã, minha protegida, eu não poderia tratá-la de tal maneira por causa de um garoto. É, com toda a certeza que não valeria brigar com minha irmã por causa de um Morteri, ainda mais se tratando de Edgar. Suspirava pesadamente, tentando voltar ao meu normal e ao mesmo tempo tentava enxugar as lágrimas. De trilha sonora escutava as desculpas de Eden, ou seja lá o que era que ela dizia, que não me prendeu a atenção. Era como se ela estivesse muda para mim, como se não existisse. A cortei em meio a uma frase que parecia bastante tocante – a julgar por seu olhar de culpa e arrependimento. — Eu não preciso de explicações, desculpas, ou seja lá o quê você veio fazer aqui. — Naquele momento lembrei-me das discussões com Alexia. Ocorreram naquela mesma sala e eram sobre um garoto também. Mas em nada Edgar e Billie se comparavam, tirando o fato de serem dois babacas. Afinal, qual era o problema das minhas irmãs? Qual a graça em ficar com os trastes a quem já havia me relacionado? Se não fosse tão trágico poderia ser cômico.

Não poderia e nem conseguiria expulsar Eden do apartamento, ela tinha tanto direito quanto eu a ele. Cruzei os braços e virei-me em direção a janela, andando até ela e afastando as cortinas. Sorri com a exuberância e grandeza da big apple. Bati levemente com o pulso contra a janela e logo pude ouvir silêncio. Alguns segundos se passaram e poderia chegar a pensar que Eden havia partido. Virei-me e a vi parada diante de mim, como a instantes atrás. Talvez estivesse perplexa com o que eu dissera a ela, ou simplesmente esperando que eu me desculpasse. — Talvez seja melhor conversarmos outra hora, está bem? — Tanto o meu coração quanto o dela não aguentariam as duras palavras que precisavam ser ditas. Estava na hora de contar a Eden a minha decisão. Ela seria a primeira a descobrir o quanto escolhas de má índole poderiam destruir vidas.  

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Re: Sala de Estar

Mensagem por Eden Von Helling em Qua 16 Jul - 8:57:53



I don't wanna feel a thing anymore
N
ão, definitivamente não eram lágrimas que ocupavam os olhos de Emily. Quando esta se virou, Eden recuou num impulso assustado, justificado pelo ato repentino. As íris claríssimas espelhavam nada menos do que ira na sua condição mais pura. A mais velha das Von Helling não tardou a perder-se em brados e ofensas. O pior cenário imaginável desenrolou-se penosamente ante Eden, que não foi capaz de fazer ou dizer nada. Apenas iniciou um choro silencioso, enquanto ouvia verdades ocultadas por muito. Em todas as discussões naturais de irmãs, jamais vira Emily tão enraivecida. Toda ela exalava sentimentos de ódio. A mesma pessoa que a socorrera em épocas de miséria psicológica, cuidara dela quando a segurança assim falhava, lhe dera o ombro para choros. Agora ela era a razão da miséria. Da insegurança. Do choro.

Emily usou o previsível argumento de "mais uma na lista". Era aí que ela se enganava, que todos se enganavam. Edgar não a quisera pelos beijos, pela beleza, pela fama. O desejo viera apenas do coração, de um envolvimento primeiramente como amigos e que depois desabrochara em algo mais, puro e genuíno. Por muito que Eden repetisse isso, ninguém acreditava, ou melhor, ninguém se dava ao trabalho de ouvir. Porque para todos ela era apenas uma tontinha, facilmente influenciável. Mas talvez fosse muito mais do que isso. Talvez, só talvez, ela cometesse tantos erros porque não tinha pais e desde criança era perseguida pelos flashes tortuosos. Contavam-se pelos dedos as pessoas que se haviam disponibilizado para cuidar dela. E agora? Ninguém. Absolutamente ninguém. E tudo devido a um único e inevitável lapso. Ela amara a pessoa errada... Como sempre fazia.

- Emily, tu não percebes, pois não? A última coisa que eu queria era magoar-te. Eu não escolhi apaixonar-me pelo Edgar, simplesmente aconteceu. Não pude evitar. Lembraste quando tu te atiraste para os lábios da Samira, assim sem mais nem menos? Sabes como me magoou? Eu tive vontade de começar tudo de novo, as drogas, a depressão, os suicídios. Mas não o fiz, por ti!- Os olhos encontravam-se inchados e encarnados, o rosto algo distorcido numa expressão de autêntico sofrimento- Tu és a razão porque eu ainda estou viva. E se tu desapareces da minha vida, o que acontece?... Por favor, eu amo-te tanto, irmãzinha- Ela ignorou. Como todos faziam. Por muito que gritasse, a sua dor jamais seria ouvida.

Emily afastou-se, dirigindo-se à janela. Eden permaneceu quieta, absorta num choro tão abundante que se tornava verdadeiramente doloroso. Tremia, de medo e tristeza. Os seus fios de cabelo colavam-se à humidade do rosto e os braços encontravam-se cruzados, demonstrando fragilidade e receio. Por vezes murmurava "Ems" num tom de súplica, mas nunca obtinha resposta. A relação entre elas alcançara um beco e não parecia haver saída possível. Eden julgava-se solitária em muitos momentos, contudo apenas aprenderia o verdadeiro significado dessa palavra se vivesse num mundo sem Emily.

Por fim, Emily voltou a encará-la. Estava mais calma, mas era visível o quanto reprimia emoções. Numa decisão sensata, sugeriu continuar a conversa noutra altura. No entanto, Eden permaneceu no mesmo lugar, fitando-a interruptamente por entre tremeliques e continuando a sussurrar a abreviatura do seu nome esporadicamente. Farta desse espetáculo de miséria, a irmã começou a caminhar rumo à saída da sala. -EMS!- Dessa vez fora um tom de voz mais audível, permitindo captar a atenção da irmã. E então, Eden arregaçou ambas as mangas da sua blusa negra. Cortes vivos e ainda sangrentos sobressaíam sobre outros cicatrizados. O olhar era algo enlouquecido pela mágoa e os modos revelavam-se preocupantemente nervosos.

- Este- Apontou para um corte bem grande e profundo- Foi quando me apaixonei com o Edgar. Este foi ao aperceber-me o quanto isso te magoaria- Ia correspondendo cada ferimento ao seu respetivo acontecimento- Este foi antes de ir para a festa da Wendy, ao interiorizar-me de que todos iriam saber da relação. Este foi quando cortámos o contacto. Este...- As lágrimas aumentaram o fluxo, ao apontar para um corte profundo mas que fora interrompido a metade- Foi antes de vir para aqui. Parei a meio porque considerei que talvez houvesse a hipótese de tudo correr bem e tu me perdoares... Mas agora sei...- Agarrou na sua mala e retirou uma lâmina perigosamente afiada. Fez a continuação do corte e sangue jorrou da ferida- Eu estava errada, claro- Riu-se, com o rosto sujo da maquilhagem lacrimejada. Os pingos vermelhos sujaram o sofá e a roupa. Aproximou a lâmina da garganta e, sorrindo e chorando ao mesmo tempo, disse - Eu não faço falta a ninguém mesmo.
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Rachel Horowitz-Berry em Qui 17 Jul - 16:27:46

Cause I don't wanna lose you now
Eu não sabia que diabos estava a fazer ali.

Estava tentando repuxar-me de volta ao estupor que estivera nas ultimas semanas? Talvez estivesse me tornado uma completa alienada — criado gosto pela dor. Eu devia ter ido direto para Manhattan. Sentia-me muito mais saudável próxima a Emily e Eden. Até mesmo perto de Eckl. Esta era a coisa certa a se fazer, estar ao lado de quem amava. Porém ali estava eu; ajoelhada no gramado recém cortado do St. Miguel. Flashes de momentos vivenciados ao lado de Eden e Emily ainda rondavam minha mente; eu nunca havia me sentido tão impotente igual me senti aquela noite. As lápides enfileiradas brilhavam com os últimos minutos em que a luz do sol iluminava o céu. Meus olhos pairaram pela décima vez no nome de Katherine escrito na lápide. Eu sabia que aquilo era unicamente por homenagem a grandiosa atriz dos palcos da Broadway; certamente seu corpo não deveria estar debaixo daquela lápide. Eu sabia o que realmente havia lhe acontecido. Sabia que quando fosse descoberto que eu era sua herdeira minha vida mudaria de vez, nada mais seria o mesmo. Até quando manteria aquele segredo? Reclinei ao buquê de rosas brancas próxima ao lápide acinzentada; "Em lembrança da amada Katherine Wolff Berry".

. . .

Encarei por longos segundos o espelho retrovisor do carro, buscava atentamente por qualquer vestígio que denunciasse meu estado nas ultimas horas; não queria que vissem que eu estava chorando, detestava mostrar fraqueza a quem quer que fosse. A maquiagem mascarava muito bem; meus olhos vermelhos logo perderiam tal tonalidade, isto era questão de tempo. Uma melodia muito conhecida por mim soou pelas caixas de som do utilitário e escuta-la foi como se um soco acertasse meu estômago. A introdução de Mirrors causou um efeito impactante sobre mim, senti uma imensa vontade de chorar ao ouvi-la. Tornei a mirar o espelho e desta vez não fora somente a mim que vi; reflexos. Reflexos distorcidos. Eckl. Eden. Emily. Meus pais. Minha... mãe Minha mente fazia com que as suas imagens refletissem no espelho. Eles me refletiam, e eu amava isto neles. Parei com o carro no estacionamento e depressa disparei para o elevador, não suportaria mais um segundo longe daqueles que amava.

Pressionava o botão repetidamente, talvez a espera de que aquilo acelerasse o movimento do elevador o que era claramente impossível. As portas metálicas se abriram; a minha frente um extenso corredor se materializou e meus passos apressador romperam o mesmo. 3020... 3025... 3029... Eu quase corria pelo vazio corredor, meus olhos se iluminaram ao solver a numeração do apartamento que tanto desejava chegar. 3033. Ergui o braço direcionando o punho cerrado a porta e antes que o mesmo se chocasse contra a mesma hesitei. E se Eckl não estivesse ali? Já não o via a um certo tempo, ele não havia me procurado. Por que eu deveria procura-lo? Recuei um passo. Sentia falta dele, mais do que gostaria. Entretanto isto não era motivo para que eu corresse até seu apartamento e me jogasse em seus braços como uma donzela apaixonada. Recordava sua indecisão na noite em que estivemos juntos. No nosso primeiro beijo.

Caminhei novamente até o elevador; meus passos já não eram mais animados como antes. Pressionei o botão do andar de Eden e Emily. Só naquele instante recordei de que Eden poderia estar no apartamento dos Mortiri. Ela namorava Edgar, deveria estar com seu namorado, certo? Dei um passo porém fui impedida pelas portas do elevador que se fecharam bruscamente. Alcancei o andar das Von Helling em poucos minutos. Surpreendi-me ao notar que a porta estava entreaberta. Por que Emily deixaria a porta aberta? Adentrei ao apartamento com cautela e segui com tal silêncio até alcançar a sala de estar.

Um grito de pavor rompeu meus lábios e subitamente lagrimas caíram de meus olhos ao deparar com o que acontecia. Vislumbrei a Eden com uma lâmina contra o pescoço. Borrões negros tomavam sua face, as lágrimas haviam manchado sua maquiagem aparentemente. De seu braço jorrava sangue e de seus lábios palavras sem sentido algum. "Eu não faço falta a ninguém mesmo."

— O QUE É ISTO? O QUE ESTÁ ACONTECENDO? — O pavor era evidente em meu tom de voz. Afinal, como deveria estar ao deparar com uma cena daquela? Presenciar um momento tão aterrador tendo como protagonistas duas pessoas a quem amava incondicionalmente.  — Eden, largue a esta lâmina, agora mesmo. Isto não é um pedido, é uma ordem. Largue isto anjo, agora. — Caminhei trêmula até Emily e encarei a Eden nos olhos; havia suplica no meu olhar, um claro e gritante pedido.



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Re: Sala de Estar

Mensagem por Emily Von Helling em Ter 19 Ago - 20:43:51


And i'll be down on my knees..
.. Begging you .. Begging you don't, I love you.
Minha respiração estava pesada e minha cabeça parecia estar num looping infinito. Observava as marcas e cicatrizes nos pulsos de Eden e me dava conta de que praticamente todos eram relacionados a mim. Eu era a pessoa egoísta ali. Em momento algum havia pensado nos seus sentimentos, em como ela se sentia diante de tudo o que estava acontecendo. Somente sabia julgar seus atos e repudiá-los. Desde a última vez em que ela estivera internada no hospital e depois na clínica ..  EU simplesmente havia a abandonado. Eu estava matando minha própria irmã, sendo a vilã sem nem ao menos perceber. Por que era tão fácil atingi-la com as palavras e julgá-la por gostar dele? Eu não deveria mais me importar com nada que se relacionasse a ele. Mas por que? Por que que qualquer coisa que estivesse ligado de certa forma com ele me afetava tão profundamente? Pelos sete infernos! Parecia que o chão embaixo dos meus pés havia se evaporado. Eu havia lhe virado as costas quando ela mais precisara, não no momento de sua internação, mas após isso, na sua recuperação. Eu não percebera o quão frágil ela estava. E me odiava por isso.

Cada marca que ela mostrava e cada palavra que dizia era como um rasgo em minh'alma, naquele instante era eu que me fazia aos pedaços. Suas feridas não cicatrizadas, os cortes recém-feitos. As lágrimas me impediram de continuar a assistir aquele momento horroroso. Por mais que eu quisesse gritar não encontrava forças para falar nada. Ela estava pronta para se matar naquele mesmo instante bem à minha frente. E eu era a culpada por tudo. Nenhum pedido de perdão seria capaz de sanar as feridas no coração dela. Eu que não havia escutado seus sussurros pelo meu nome, seus clamores de socorro, agora sentia cada poro do meu corpo gritar por um perdão, por clemência por causa de meus atos. Eu sequer encontrava coragem para emanar um grito por seu nome. De relance apenas vi o brilho da lamina afiada que se encontrava em sua mão. E logo após, o brilho vermelho do sangue em contraste com o seu tom de pele esbranquecido. Eu conseguia sentir em minha própria pele o corte e em meus lábios eu sentia o gosto de ferrugem. Já não escutava suas palavras, estava em total estado de choque com tudo o que estava presenciando. Jurei poder ter ouvido o som das gotas de sangue chocando-se contra o tecido de suas roupas.

Um grito ecoou em meus ouvidos e se eu não conhecesse quem o havia proferido, poderia apostar que era meu. Mas eu conhecia aquela voz. A pessoa que aparecera como um angel. É, talvez ela fosse a prova de que anjos da guarda existiam e ela fosse um, destinado a cuidar e zelar da VH. Ela estava no local e hora certa. Ela se aproximou de mim e involuntariamente me afastei. Suas palavras de acalento para com Eden. Rachel era outra pessoa a quem eu tinha certeza que deveria pedir perdão. Se parasse para analisar a forma como vinha a tratando ultimamente, ela não seria digna da minha presença. Ela estava sendo mais irmã de Eden do que eu. Eu estava sobrando naquela equação, como um zero à esquerda. Meus joelhos foram fracos e cai sobre eles, passei meus braços em volta do meu próprio corpo em uma tentativa de me amparar. Não conseguia erguer o olhar e encarar nenhuma das duas. Fixei meu olhar nos pés de Eden .. — Me perdoa.. — Nâo, não era esse o pedido que ela merecia ouvir. Tinha de ser forte e olhar em seus olhos. Ser forte assim como ela estava sendo há tempos. Forte como eu nunca fui para ela. Seus olhos azuis tão distantes e suas pálpebras inchadas de tanto chorar. A lamina em seus pescoço. O pedido de socorro estampado em sua face e oculto em sua alma. — Me perdoa Eden.. — Por vários segundos repeti incessavelmente o pedido de absolvição das minhas atitudes e de tudo o que eu não fui para ela. Minha voz não passava de um sussurro, mas sabia que no fundo do seu coração ela conseguia ouvir e entender a minha súplica.

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Re: Sala de Estar

Mensagem por Eden Von Helling em Qua 20 Ago - 8:40:29



feeling super, super, super suicidal
T
udo se resumira àquele momento. Cada lágrima deitada num oceano de tantas outras, os gritos jamais escutados, as tentativas de suicídio falhadas, os internamentos polémicos, a felicidade tão perfeitamente representada num período em que tentara, em vão, renascer. Só com a carícia de uma lâmina se metamorfosearia no seu mais insano desejo: um ser, já não humano, cuja vida lhe fora retirada num banho de sangue. Em escassos segundos, à pele doente e pálida seria roubada a pouca coloração, passando finalmente a uma lividez cadavérica. Os olhos deixariam de ser avermelhados, inchados e vivos, tornando-se apenas em mais um objeto sem expressão, sem alma, sem nada. Seria inteligente ou estúpido despedir-se das mágoas, mas, ao preço disso, de todas as alegrias também? Ah, pois. Já não havia vestígio de felicidade na sua vida, pelo que esse era um problema moral que dificilmente se lhe opunha. Podiam dizer que “o suicídio é uma resposta definitiva para problemas temporários”, mas isso não se aplicava à pequena Von Helling. Não houvera nada na sua vida à excepção de miséria e sofrimento. E podia tudo terminar, naquele instante.

O seu mundo desmoronou ao ver Rachel entrar na sala, chocada e em pânico, observando a figura lamentável da pessoa que, numa outra vida mais digna, se chamara Eden. Um espetáculo de sangue, lágrimas e morte desenrolava-se com desfecho incerto, a aura de pesadelo era quase palpável em redor das três meninas. Porque é que, sendo cada uma atormentada pelos seus respetivos demónios, era Eden a pobre coitada que se cortava e matava? Ela era fraca, tão fraca. Nunca vira Rachel, tampouco Emily, a tomar próximo comportamento. Elas sofriam sem o mostrar a tudo e todos, ao contrário da loura suicida que aceitava auxílio de qualquer um. Desde Axel a Edgar, usava os mais desconhecidos ou mais desaconselháveis como pilar para uma estrutura emocional que duvidava ter. Ela queixava-se de abandono, porque, na verdade, era uma criança sem noção e enclausurada numa cegueira tóxica. Dependia de rapazes que debilmente conhecia e sofria quando estes se afastavam, ignorando uma realidade óbvia: Emily e Rachel, que jamais a haviam deixado ficar mal, estavam sempre disponíveis para si. Todavia, ela ignorava perpetuamente… No fundo, amava sofrer dentro da sua solidão ilusória.  

Uma ordem trémula foi exclamada por Rachel, que se dirigia ao encalço de Ems. Essa última, por sua vez, clamava por perdão infindáveis vezes. Cada pedido de desculpas assemelhava-se a uma facada no coração de Eden, que via a situação num panorama completamente oposto ao da irmã. – Não, Emily, eu não te vou perdoar…- Disse, encostando mais a lâmina à sua garganta. Conteve o choro fortemente, enquanto a maquilhagem borrada desenhava formas mórbidas no seu rosto e o sangue proveniente dos seus braços sujava tudo em volta –…porque tu não tens culpa!- Passou o objeto afiado superficialmente pela pele, infligindo um corte pouco profundo na mesma, que jorrou uma quantidade mínima de sangue. Se fosse mais profundo e atingisse a garganta, seria o ponto final. – Eu peço desculpa às duas. Não queria dar-vos tantas mágoas e chatices, eu sempre fui um peso morto na vossa vida. Apenas causo problemas a todos e estou presa nesta depressão que, sinceramente, nunca me abandonou nem abandonará! Desculpem por isto. Eu amo-vos- Inspirou fundo, pronta para o seu último ato. Contudo, não foi capaz. Deixou cair a lâmina no chão –ocasionando um ténue splash de sangue- e deixou-se cair, sentando no chão entre prantos. O seu tronco abanava loucamente, roía as unhas quase inexistentes e um turbilhão de pensamentos cruzavam a sua cabeça –Não sou capaz, desculpem. Não sou capaz- Repetia sem cessar, em transe, enquanto os olhos extremamente abertos fitavam um ponto impossível de localizar. Toda ela personificava a ideia de agonia psicológica, de miséria. Nem mesmo morte ela conseguia alcançar. Estava nalgum outro lugar muito pior do que esse. –Porque é que, só por uma vez, as coisas não podem ser fáceis?- Perguntou entre brados, batendo fortemente com o pé no chão, frustrada. Fitou os olhos das meninas, o rosto contorcido de choro. A sua visão começava a tornar-se desfocada e algo turva, possivelmente devido à perda de sangue. Sentia-se encurralada num pesadelo, do qual não conseguia acordar. Agarrou a cabeça e gritou, simultaneamente sufocada e desesperada. - TIREM-ME DAQUI, NÃO CONSIGO AGUENTAR MAIS. POR FAVOR-  Fechava e abria os olhos repetidamente, com esperança de que todo aquele inferno fosse embora. Porque é que tudo não podia ser como antes?
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Rachel Horowitz-Berry em Qua 20 Ago - 19:05:48

It's like you're my mirror
Sempre que eu abria os olhos para encarar aquela caótica situação desejava que tudo desaparecesse, que nada daquilo fosse verídico. Sempre que encarava ao corpo de Eden revertido com o seu sangue rubro sentia uma nova pontada na altura do peito; era possível que eu sentisse como se aquela maldita lâmina que a jovem Von Helling sustentava em seu pescoço penetrasse em meu coração, dilacerando-o em mínimos fragmentos. Tal sensação tornou-se a repetir quando encarei a Emily ao chão, seu estado era tão excruciante ao meus olhos quão era ver Eden ameaçar ceifar sua própria vida. O grito de desespero preso a minha garganta me sufocava, eu estava a beira da alienação ao ver as duas pessoas mais importantes em minha vida num estado tão aterrador como aquele. Eu precisava fazer algo ou nunca me perdoaria de tê-las perdido.

Não ter mobilidade aquele momento fora a pior coisa que podia me acontecer. Meus pés pareciam presos ao chão por uma grude invisível. Minhas mãos trêmulas apertava com inquietude aos meus cabelos desajeitados. Respirava com dificuldade, as lágrimas teimavam rolar de meus olhos enquanto eu as assistia. Emily suplicava seu perdão a Eden. Meu olhar pairou sobre a Von Helling mais velha. Céus, como era horrível vê-la daquela maneira, tão lancinada. Eu queria abraça-la, queria mantê-la em meus braços e não solta-la até que tivéssemos certeza de que tudo ficaria bem, contudo, ambas sabíamos que não seria tão fácil.

Meu olhar guiou-se involuntário quando a voz de Eden tomou meus ouvidos. Seu olhar transmitia uma atordoação nunca vista antes por mim, nem mesmo quando a resgatei na clínica. Relembrava-me com clareza do como foi vê-la tão desprotegida e acanhada, rezava todas as noites para que nunca voltasse a vê-la de tal maneira e ali estava eu, sendo totalmente contrariada e vendo-a sofrer como nunca antes. Mais um corte. A lâmina deslizava com precisão e delicadeza por sua pele fazendo que mais de seu sangue fosse derramado. Comparado aos demais cortes este não era tão profundo, permiti-me suspirar aliviada, mas não por muito tempo. — Eden ! Por favor, não faça isto. Por favor. — Sussurrei fraca. Não tinha qualquer força para saltar sobre a menina e retirar de suas mãos aquela arma, poderia machuca-la, poderia me machucar.

Minha silenciosa prece se cessou quando ouvi-la pela última vez. "Eu amo-vos". Meus olhos se fecharam e o chão debaixo de meus pés de súbito parecia desvanecer-se. Gritava pedidos para Eden, meus olhos fechados e meus ombros caídos como se sustentasse um enorme peso. — NÃO ! — Foi o último grito que dei antes de cair prostrada ao chão, derrotada. Aguardei para que o estrondo do corpo de Eden caído ao chão ocorresse mas o único ruído que ecoou pelo recinto foi o agudo som da lâmina chocar-se ao chão. — Eden. — Suspirei, erguendo o olhar e vendo o vislumbre da loira que logo caiu ao chão. Viva. De súbito tudo que se ouvia era as palavras sem nexo da menina. Emily ao meu lado parecia tão estuporada quanto eu. Minha mente fluía com lentidão, um aviso de alerta gritava em meu consciente. Precisávamos ajudar Eden, com urgência.  

Puxei Emily para meus braços, abraçando-a com uma força exagerada. Beijava diversas vezes sua cabeça e obrigava as lágrimas a se cessarem. — Precisamos ajuda-la. Precisamos leva-la a um hospital para que esses cortes sejam tratados. Agora, Emily. — Esgueirei-me com agilidade ao lado de Eden e ignorando a seu comportamento alterado, abracei-a com ternura, logo puxando a Emily que ajudou-se a ergue-la com delicadeza. — Tudo ficará bem, minha menina. Por favor, você precisa ser forte, certo? Levaremos você a um hospital, agora. — Abracei a cintura de Eden e Emily fez o mesmo; sem qualquer dificuldade sustentávamos a frágil Von Helling. Sentia como se estivesse a carregar minha própria vida enquanto sentia Eden em meus braços. — Fique forte, meu amor.  — Sussurrei beijando-a na testa, tentava mantê-la acordada, temia que algo acontecesse se esta dormisse aquele instante. Pela segunda vez estive prestes a perde-la, não suportaria uma terceira e esforçaria-me para que tal oportunidade sequer fosse possível.


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 emily and eden — you just gotta to be strong
Rachel Horowitz-Berry
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The city that never sleeps.
I don't know, you dare find out?
Universitários

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Re: Sala de Estar

Mensagem por Emily Von Helling em Qua 20 Ago - 21:52:53


I'd take another chance,

take a fall, take a shot for you..
.. I need you like a heart needs a beat,but it's nothing new.
Nunca aquele apartamento parecera tão pequeno e assustador. Mal conseguia enxergar um palmo a minha frente. Minha visão estava embaçada devido as lagrimas e o desespero em evitar auma catástrofe em nada ajudavam. Não conseguia acreditar que minha irmã estava prestes a tirar a própria vida. Cada vez que uma lufada de ar preenchia meus pulmões parecia ser a última. Estava com medo de que em um piscar de olhos perdesse Eden. Eu jamais me perdoaria, seria capaz de seguir seus passos e dar cabo a minha medíocre vida. Eu nunca havia parado para pensar no ponto de vista de Eden. Suas internações, mutilações e demônios internos. É, com toda a certeza o mundo não girava somente ao meu redor. Suas palavras de negação ao meu pedido de clemencia e perdão foram ainda piores. Sentia que havia perdido a luta contra seus fantasmas. Dei inicio a um choro descontrolado e alto. Cada lágrima e soluço doíam mais que os pedaços em que meu coração se encontrava.

Desde sua primeira internação eu havia prometido que iria cuidar, proteger e zelar por Eden e seu coração. Mas eu havia quebrado minha promessa e agora tudo o que acontecia era por minha culpa. Já não encontrava forças para pronunciar uma palavra sequer. Seu nome e meus pedidos de perdão estavam agora presos em minha garganta. Podia sentir Rachel a meu lado, mas não me atreveria a encará-la, assim como fazia com Eden. Só queria que aquele pesadelo acabasse e que após isso, Eden viesse me acudir e dizer que não havia passado de um sonho ruim, como fazíamos quando pequenas. Mas eu estava acordada e aquele pesadelo era real. Ouvir suas palavras era como se cada sílaba fosse uma facada em meu coração. Ver seus cortes era ainda pior. Eu não conseguia encarar seus olhos azuis. Sentia o temor e tremor tomarem conta do meu corpo. Se eu pudesse, pediria para morrer primeiro e não ter que presenciar a cena. Ouvi seu último adeus e fechei automaticamente os olhos, prendendo a respiração ao mesmo tempo e pude ouvir claramente o som da lamina se chocando contra chão. Ela bateu duas vezes. O barulho fora rapidamente substituído pelo grito de Rachel.

Num surto de coragem abri os olhos e pude ver a figura fantasmagórica de Eden recostada ao sofá, sentada no chão e praticamente coberta de sangue. Senti meu coração falhar uma batida ou duas. Precisava verificar se ela ainda respirava, se seu coração pedia loucamente por um último socorro, se sua pulsação fraquejava lentamente ou o brilho de seus olhos azuis se esvaírem pela última vez.Não tinha a capacidade de me mover um milimetro para qualquer direção. Estava aterrorizada demais para me locomover até seu corpo. Repentinamente seus protestos foram ouvidos e sentia o impacto de seus pés tocarem o chão com tamanha força. Meu choro se tornou ainda mais intenso.

Clamava aos céus que aquelas não fossem sua últimas palavras. Eu não conseguia me concentrar no que dizia. Senti meu corpo ser envolto por braços que tremiam tanto quanto os meus. Rachel. Alguém naquele local ainda tinha força para se mexer e raciocinar. A voz de Rachel parecia distante demais, tudo o que conseguia era sentir ela me abraçar fortemente. Murmurei o nome de minha irmã como um último pedido por sua vida. Ainda tentava ligar os fios da teia que se conectavam à situação. Como uma ordem de ação despertei do pesadelo ao ouvir o "agora" de Rachel. Era como se estivesse hipnotizada durante todo esse tempo e agora fosse desperta do transe. Minha irmã se encontrava tão debilitada. Tinha medo de que se acaso encostasse nela, ela se desintegraria ali mesmo, diante dos meus olhos. Mas o pior já parecia ter passado. Rachel estava me servindo como apoio para poder cuidar de minha irmã. Talvez se ela não tivesse chego uma tragédia teria ocorrido.

Eden fora contrária em relação a ideia de Rachel de lavarmos ela a um hospital. Demorei a perceber o que isso significava, afinal minha mente ainda rodava. Não poderia levá-la para aquele lugar novamente. Primeiramente porque isto poderia ser a chance de o mundo saber o que se passava entre nós e ninguém deveria saber. E não suportaria ver minha irmã ser retirada pela segunda vez daquele apartamento por uma equipe médica e ser transportada em uma ambulância. Eu mesma estava com receio de tal veículo. Olhei suplicante para Rachel enquanto a ajudava a encaminhar Eden para seu quarto. — É melhor não. — Rachel me lançou um olhar de total descrença. — Não nesse momento, entenda. — Chutei a porta do quarto para que passássemos e deitamos Eden em sua cama. — Ficará tudo bem, eu prometo. — Tais palavras eram dirigidas rapidamente a Eden, mas no fundo eram como se eu mesma me encorajasse a prosseguir, Eu tinha que ser forte por ela. Não poderia falhar, não desta vez. — Vou buscar um kit de primeiros socorros e fazer algumas ligações. Volto já. — As abandonei no quarto sem sequer olhar para trás. Andava pelo gigantesco apartamento em busca do meu celular e do kit. Os encontrei rapidamente e voltei para o quarto de Eden. Ela necessitava de atendimento rápido, mas discreto. Não precisei mais do que duas ligações para encontrar a solução para nossa situação. Ficaria tudo bem. Tinha de ficar.
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TURNO ENCERRADO
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Re: Sala de Estar

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