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Mensagem por Secret em Qui 21 Ago - 21:39:51

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Re: Sala de Estar

Mensagem por Aydra Winston Yates em Qui 21 Ago - 22:30:21

For you I will
"Você tem que ir! Tem que ir!" Recitava esse pequeno mantra todo o tempo em minha mente para ver se a coragem chegava até mim. O que eu estava prestes a fazer ia muito além do que um dia eu imaginei que faria. Meus olhos vagavam por uma Manhattan agitada no meio da noite, passávamos pelos bairros nobres e eu sabia que estávamos chegando cada vez mais perto. Eu estava dentro de um carro negro luxuoso e espaçoso e só eu ocupava o banco traseiro, o que me deixava ainda mais desconfortável. Minhas mãos estavam unidas sobre a protuberância do meu ventre e eu mal podia olhar para os lados, mantinha os olhos fixos nas luzes de fora do vidro fumê. Foram cinco meses, cinco longos e torturantes meses para chegar até aqui. Eu sempre imaginava uma cena de quando isso aconteceria e, na maioria delas, estávamos juntos no fim para o bem daquela criança que iria nascer. Só que eu sabia que estava sendo sonhadora demais e a realidade estava longe de ser assim. Pra começar que se ele realmente um dia se importou comigo já teria me procurado e me encontrado, mas desde aquela noite eu nunca mais soube nada além do que as revistas me contavam. Minha madrinha segurou minha mão pouco antes de entrar naquele carro na intenção de me passar a força que eu precisaria naquele instante; agora mais do que nunca eu queria que Elena estivesse ali pra realmente segurar minha mão. Internamente eu rezava para qualquer Deus, se realmente existisse ele seria capaz de me ajudar nessa hora, certo? Eu nunca fui uma pessoa cristã, longe disso na verdade, eu acredito na existência de seres que influem na humanidade mas não em um ser único, mas na situação em que me encontrava qualquer pequena fé que existia em mim estava sendo posta em prática. E que seja o que os deuses quiserem.

Edifícios bonitos entrelaçados um ao outro como se fossem se fundir em algum momento, essa era a arquitetura do luxuoso condomínio em que estávamos adentrando. Eu nunca vi tantos carros de luxo juntos em uma garagem, como também nunca tinha visto tantos fotógrafos juntos assediarem um lugar onde eu estava. Eram milhares de flashes que poderiam fazer meus olhos arderem se eu não estivesse protegida por aquele vidro grosso e negro onde eu poderia ver as pessoas mas elas não podiam me ver. Uma janela entre meu banco e o do motorista foi aberta revelando o homem dos olhos castanhos, no banco ao lado do motorista, que tinha ido me buscar e me encorajar para encontrar Baptiste. Quando ele se virou pra mim, seus lábios estavam estampando um sorriso condescendente assim como seu olhar. Ele parecia satisfeito ao mesmo tempo que parecia apreensivo, e isso me deixava com ainda mais medo. O que esperar? Eu sentia meu ventre se contorcer de ansiedade, minha garganta estava tampada e eu mal podia mover meus lábios, quanto mais falar... Coloquei uma mecha do cabelo loiro e ondulado atrás da orelha, inibida pelo  longo tempo que o homem me olhava. — Está pronta, senhorita Yates? — Sua indagação era como uma ofensa pra mim, por mais que eu soubesse que ele estava sinceramente preocupado com meu bem estar. Quis dizer um "não" bem dito e sair correndo daquele carro, que já estava parando em sua vaga na garagem, mas me contive em apenas anuir em afirmação, mentindo pra mim e para ele. Queria eu estar pronta, mas estar pronta era impossível. Sentia cada vez mais o nó na garganta se alastrar, provavelmente em uma hora eu morreria sufocada então era melhor que aquilo não se estendesse mais. — Certo, chegamos. Eu te ajudo a descer. — Não era nenhum pouco necessário que ele me abrisse a porta, eu poderia fazer isso se eu não estivesse me sentindo congelada. Um passo de cada vez, era tudo o que eu precisava fazer. Saí do carro devagar, parecia que o chão era uma gelatina e cambaleei um pouco até ser segurada pelo homem gentil, me instruindo a ficar firme. Eu precisava mesmo ficar firme. Assenti uma vez mais, respirando fundo e me firmando com os pés no chão. Dentro da garagem não tinha ninguém além de vários seguranças vestidos de negro e falando em seus fones. O homem pediu para que eu o seguisse e assim o fiz.

Instantes depois eu estava dentro de um apartamente enorme que bem daria duas da minha antiga casa que dividia com meus pais antes de ser deserdada e expulsa por não querer abortar, sendo então "adotada" pelos Rutherford. O apartamento era enorme e tinha uma decoração moderna. Os homens de preto continuavam falando em seus fones coisas como "onde ele está?","quantos minutos faltam?", "mantenham-a na sala de estar", "em alguns instantes" e eu tinha plena consciência de estar naqueles comentários. A sala de estar tinha um sofá que caberia minha família toda, não pude conter minha expressão de admiração quando meus lábios formaram um "o". Acariciei o pano sobre a barriga sentindo cócegas com as pontas dos meus dedos, só não pude sorrir por estar sem reação alguma. — Sente-se aí, senhorita Yates. Ele já deve estar por chegar. — Obedeci e me sentei no sofá macio, não por estar cansada mas por não saber o que fazer. Ainda não tinha ideia do que realmente fazer ou do que eu iria dizer. Estava agarrada com a ponta dos dedos naquele pequeno volume que era minha esperança dos últimos meses, era tudo o que eu tinha de mais importante e o motivo pelo qual eu estava ali. Agora que eu sabia o que era ter uma vida dentro de mim, um coração pulsante, entendia o que queriam dizer com "já não é mais pormim que eu vivo." — Por você, meu amor, só por você. — Sussurrei.
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Baptiste R. O'Donnel em Qui 21 Ago - 22:50:10


Fuck That Shit!

Eu não dirigi fora da minha velocidade normal mesmo com Robert me atazanando irritantemente pela merda do celular que tive que desligar. Que raio havia acontecido que ele não poderia esperar sequer eu chegar em casa sem ter um parto? Minhas mãos seguravam o volante e seja qual fosse o problema urgente que meu agente tinha, eu não estava preocupado. A verdade era que eu havia aprendido a me preocupar apenas com coisas que prestam, essas sendo música e sexo, e como uma coisa era ligada a outra, passei a ter interesses extremamente ilimitados pelos problemas alheios. No som do meu carro saía a animada melodia de Calm Like a Bomb de uma das minhas bandas favoritas Rage Against The Machine enquanto eu tentava sem muito sucesso acompanhar o rápido rap do vocalista. Quem sabe um dia.
Parei o carro dentro do edifício e sequer liguei se quase atropelei alguns jornalistas quando o fiz. Como sempre, a porta da frente estava cercada provavelmente por alguma burrada que alguma celebridade burra havia feito. Será que alguém havia morrido? Esperava que tivesse sangue. Parei minha BMW X5 ao lado do amor da minha vida, a Harley Davidson que eu chamava de Roxane e lentamente subi em direção ao elevador, acenando para um dos meus seguranças que sempre acompanhavam Robert por onde ia. Abri um sorriso irônico.
-Fala aí Bruce. Ótimo sábado a noite de tocaia, huh?
Não sabia por conta dos óculos escuros, mas talvez Bruce tivesse revirado os olhos. Subi o elevador tranquilamente esperando com que ele chegasse à cobertura e então empurrei a porta, destrancando-a e encontrando o apartamento às luzes. Torci o nariz odiando a ideia de que meu empresário poderia simplesmente entrar ali quando quisesse. Joguei a chave em cima do balcão tentando não sentir ódio por ter perdido uma noite com uma mulher como Dianna para mais um sermão irritante.
-Querida, cheguei.
Gritei do hall enquanto subia as escadas aos pulos e caminhava em direção à sala de estar. Acenei para mais dois seguranças que estava ali e adentrei assim a porta, encontrando Robert e a tal garota que queria me ver, ambos sentados no sofá. Ergui uma sobrancelha para o meu empresário enquanto ele se levantava e parei os olhos curiosos sobre a menina loira. Ela era incrivelmente bonita, mas não me lembrava de tê-la visto alguma vez na vida.
-Baptiste, finalmente! Por que não atendia o celular?
-Me encheu tanto o saco no caminho para cá que o desliguei. -Revirei os olhos vendo Robert bufar, impaciente. Ergui uma sobrancelha parando os olhos novamente sobre a garota para só então perceber que ela tinha uma barriga. Não uma barriga de gordura como algumas mulheres, era uma barriga de grávida. Fiz uma careta em tom de confusão. -Que merda é essa?
Robert olhou em tom de desculpas para a menina e logo me encarou com o seu olhar mais irritante do mundo. O que aquela garota estava fazendo na minha casa e por que queria falar comigo? Revirei os olhos. Pronto. Agora iriam aparecer oportunistas pelo mundo todo ou então Robert queria que eu tivesse uma publicidade legal fazendo caridade por aí com grávidas na adolescência. Ouvi meu empresário falar:
-Essa menina é Aydra. Deve se lembrar dela. -Falou em tom um tanto repreensivo. Franzi a testa em total confusão. -E ela queria falar com você.
Falou, dando a chance para que a menina se expressasse. Ergui uma sobrancelha, revirando os olhos impacientes.
-Sério que me chamou para isso? Fazer caridade para fãs grávidas? -Bufei em tom irritado. -Não tem ideia da garota com quem eu estava.
-Baptiste...
Robert chamou a minha atenção enquanto mais uma vez revirava os olhos e dava de ombros. Caminhei até uma gaveta tirando de lá alguns papéis e cartazes da banda.
-Vamos acabar logo com isso. Pronto, está conhecendo o seu ídolo. Pra quem devo dedicar os autógrafos?
Perguntei em tom impaciente, indignado por ter sido tirado da minha maldita festa para uma sessão com uma fã de "necessidades especiais". Daqui a pouco estaria encontrando cadeirantes e meninas sem braço no meu apartamento, no meio da noite.


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Re: Sala de Estar

Mensagem por Aydra Winston Yates em Qui 21 Ago - 23:45:45

Can you believe?
Os barulhos na sala ficavam cada vez mais distantes quando eu me concentrava em uma coisa só, e aquela coisa era minha saliência na barriga. Apesar de estar grávida meu peso não mudou em nada exceto pelo peso da barriga e do bebê, mas meu corpo continuava o mesmo. Claro, os seios estavam mais cheios e isso era tudo. Acariciando minha pele sob a blusa me peguei cantarolando qualquer canção de ninar que não citasse abandono ou incitasse o medo, mesmo que eu soubesse que ele não se lembraria nunca era bom. A primeira coisa que notei foi a voz, isso me fez arrepiar os cabelos da nuca e os batimentos cardíacos ritmados começaram a acelerar bruscamente. Péssima hora para um taquicardia. Depois a figura do músico se formou em meu campo de visão. Estaquei com os olhos nele e um sorriso bobo quis aparecer em minha face. Mordi o lábio inferior antes que isso fosse possível. Queria correr e agarra-lo, abraçar o corpo de Baptiste contra o meu e que se dane todo o resto, mas eu não podia. Demorou alguns instantes para que Baptiste finalmente me percebesse e uma ponta de esperança se criou dentro de mim. Ele iria se lembrar de mim, claro que sim... — Que merda é essa? — Disse, olhando confuso tanto para mim quanto para aquele homem gentil que havia me trago ali. E aí toda a esperança que eu tinha de um dia ser lembrada pelo rapaz se esvaiu como o ar de um balão. Senti um peso nas costas querendo me fazer curvar, meus olhos se arregalaram e eu abri a boca pra dizer quem eu era, mas dali não saiu som algum. O agente me olhou em tom sincero de desculpas e com isso me levantei, devagar e sempre, ainda sentindo o mundo como uma gelatina mole querendo me derrubar. Eu não podia cair, não agora. Em meu lugar o senhor gentil se pronunciou anunciando meu nome e minha intenção ali. Meu deus, e agora? Minha respiração tinha sido cortada e eu nem mesmo havia notado até respirar fundo pelo nariz e soltar fracamente pela boca. Força, Aydra. Dei dois pequenos passos para frente, limpando a garganta na intenção de melhorar minha voz. Parecia que eu estava sem falar por anos e não por poucos minutos. — Hey... Ahm... Baptiste. Eu...bem...hm, a gente se conhece de uns tempos atrás. Sou eu, Aydra, a menina do show que teve em Chicago alguns meses atrás e... — Gaguejei de todas as formas possíveis, impossíveis e inimagináveis na tentativa de me apresentar e fazê-lo se lembrar de mim. Fui interrompida antes que pudesse terminar com algumas palavras de Baptiste que mais pareceram lâminas afiadas vindo diretamente contra meu peito. Caridade para grávidas? Balancei a cabeça negativamente e abri um sorriso inibido, iniciando o que seria minha explicação para "não sou só uma fã grávida" mas o rapaz continuou, as palavras ainda feriam. Eu tentava ignorar toda aquela ardência, só que estava ficando quase impossível. O cara legal também tentava falar com Baptiste, mas ele era irredutível. Não parecia nenhum pouco com o rapaz que conheci, aquele que eu idealizava como príncipe encantado e que me disse coisas tão bonitas que era pecado esquecê-las. Aquele não era o Baptiste que eu conhecia, bruto, sem educação, sarcástico e impaciente. Ele correu até uma gaveta e tirou diversos papeis de lá, insinuando assinar alguns como autógrafo. Arqueei as duas sobrancelhas em confusão, olhando para os lados em busca de alguém que pudesse me ajudar ali. Não era nada daquilo que ele estava pensando, eu não queria autógrafos, só queria falar com ele. O agente me olhou com segurança talvez querendo passar aquela sensação para mim, pena dizer que já era tarde demais. Meus olhos se focaram novamente em Baptiste e os papeis, um longo suspiro saindo de mim enquanto novamente balançava a cabeça negativamente. — Não é pelos autógrafos que estou aqui, Baptiste... Se ao menos me deixar falar. — Pisquei algumas vezes e pigarreei novamente, alcançando minha barriga com uma das mãos, dando mais alguns passos na direção do garoto. Certo, como dizer isso? "Sinta sua criança mexendo"? "Parabéns, papai"? "O filho é seu"? Meu peito subia e descia rapidamente enquanto o ar entrava e saía, pelo menos eu estava respirando ainda. Mantive a distância de alguns passos entre o rapaz e eu, parecia que todos naquela sala estavam me observando; eu simplesmente odiava a sensação de estar sendo constemente observada, ser o centro das atenções estava fora das minhas vontades. Queria eu estar em uma sala onde só existisse Baptiste e eu, tornaria tudo mais fácil, pelo menos eu poderia controlar meus nervos.

Antes de qualquer coisa eu não quero que pense, sei lá, mal de mim. Estou aqui por um único propósito e também só porque esse senhor aqui me trouxe. — Apontei para o agente que sorria para mim me incentivando a seguir adiante. — Tampouco eu sei como ele descobriu isso, mas... Hm... Bem, Baptiste, é meio óbvio que estou grávida...e... — Dei uma risadinha sem humor, erguendo o olhar para o músico novamente e mantendo o sorriso no canto dos lábios. Como ele conseguia ser tão extremamente lindo mesmo estando com a expressão de bravo? Foco! — Parece ridículo já que foi uma única vez, só que aconteceu e, bom... Eu não sei como dizer isso sem te assustar. — Era óbvio que assustado ele já estava, podia ver certo temor no olhar de Baptiste. Ou era só raiva mesmo por ter tido a noite supostamente estragada? Eu tinha que dizer de uma vez antes que a coragem fosse embora. Merda, o que eu estava fazendo ali? — Baptiste, essa criança que carrego comigo é sua. — Disse baixinho para que apenas ele ouvisse e me assustei na forma com que minha voz pareceu soar firme. Fitei fixamente os olhos do músico tentando não rir e esperando ansiosamente que ele também não risse de mim. Que ele só acredite.
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Baptiste R. O'Donnel em Sex 22 Ago - 0:23:46


Fuck That Shit!

A garota não me disse para quem eu deveria autografar a porra dos papéis e aquilo estava me tirando no sério. Respirei fundo apoiando as fotos sobre a mesa e olhei para Robert em tom de total descontentamento, culpando-o apenas com o olhar por ter trazido aquela garota à minha casa. Ela estava pateticamente tímida e parecia se embolar em suas palavras todas as vezes em que ameaçava se aproximar. Ergui uma sobrancelha, cruzando os braços quando ela disse para que eu a ouvisse. Olhei para Robert por um momento que assentiu sério, incentivando-me a fazer o mesmo que ela pedia.
— Hey... Ahm... Baptiste. Eu...bem...hm, a gente se conhece de uns tempos atrás. Sou eu, Aydra, a menina do show que teve em Chicago alguns meses atrás e...
Ela pareceu congelar a fala por aí. Era para eu supostamente me lembrar da "garota do show que teve em Chicago"? Eu havia estado em Chicago?! Eu com certeza não lembrava nem mesmo o rosto da menor parcela das minhas fãs e com certeza não me sentiria atraído pela pessoa que era um pacote dois em um diante de mim. Eu não teria notado Aydra mesmo se tivesse aparecido pintada de ouro em um dos meus shows. Ela era bonita e tudo mais, mas havia um pequeno detalhe que estragava tudo e era mais do que óbvio. Soltei uma risadinha sarcástica.
-Vai ter que ser mais específica do que isso, princesa. Conheço muitas fãs de muitos shows...
— Antes de qualquer coisa eu não quero que pense, sei lá, mal de mim. Estou aqui por um único propósito e também só porque esse senhor aqui me trouxe. Tampouco eu sei como ele descobriu isso, mas... Hm... Bem, Baptiste, é meio óbvio que estou grávida...e...
Ergui uma sobrancelha totalmente distraído pelos engasgos da loira. Franzi a testa a observando enquanto ela anunciava o obvio e então começava a tagarelar sobre coisas que sequer faziam sentido para mim. Talvez eu até tivesse me desligado daquela conversa chata por um momento sem sequer reparar. Eu estava com fome. Será que tinha algum pedaço de pizza na geladeira ainda? Eu deveria pedir comida. Abri um sorriso irônico pronto para pegar o telefone e ligar para o entregador quando ouvi as palavras que me fizeram congelar:
-...Baptiste, essa criança que carrego comigo é sua.
Olhei para Aydra seriamente e então me virei para Robert, abrindo um sorriso e soltando uma risada relaxada. Ah, Robert sempre pregando peças em mim! Eu ainda ia fazer aquele bobalhão pagar. Revirei os olhos, balançando a cabeça negativamente.
-Ah tá... -Eu ia mandar uma piada, mas quando reparei que era o único rindo e que meu agente me observava feio enquanto a estranha me olhava confusa, senti meu coração falhar uma batida. O sorriso em meu rosto morreu e olhei para os dois em total descrença. -Isso é piada, não é?
Robert balançou a cabeça negativamente olhando-me em tom firme enquanto eu apoiava os braços sobre a mesa para suportar o meu peso. Aquilo era impossível. Impossível não, mas improvável. Eu não era pai! Que doideira era aquela? Olhei para o meu empresário que ajeitou o terno em seu corpo.
-Aydra é a mãe do seu filho biológico, Baptiste. Nós fomos informados disso essa manhã.
-Ah tá! -Exclamei indignado, olhando-o em tom estupefato. Aquilo só poderia ser brincadeira. -E agora vai acreditar em qualquer oportunista que vem dizendo que tem um filho meu? Se for fácil assim eu vou passar a dizer que estou esperando um filho do Mick Jagger e enriquecer mais!
Rebati impaciente enquanto Robert respirava cuidadosamente e abria a sua maleta, tirando de lá alguns papéis e erguendo-os para mim. O olhei confuso enquanto pegava os papéis e encontrava estampados inúmeras fotos minhas. Minhas com a garota loira parada de frente para mim em uma espécie de bar, provavelmente depois de algum show pelas roupas que usava. Olhei para Robert em tom chocado enquanto o homem me encarava como se eu tivesse que fazer alguma coisa. Balancei a cabeça negativamente, jogando as fotos todas para o alto.
-Isso não significa nada. O filho não é meu.
-De acordo com os testes que Alyra fez, e nos provou com papéis, está exatamente datado para o dia do show. Pesquisamos isso a fundo, Baptiste. Não estamos falando de nenhum achismo. -Robert me encarou com os olhos estreitos enquanto eu despencava na poltrona e apoiava a cabeça nas mãos, massageando o cenho. Eu estava tonto. -Aydra está esperando um filho seu.
Balancei a cabeça negativamente sentindo o ardor tomar o meu peito em pura fúria. Encarei a garota loira que estava parada no meio da sala com um olhar tão feio que por um momento a culpei por tudo o que estava acontecendo. Oportunista, era isso o que ela era. Engravidar de artistas para garantir uma renda era algo tão clichê que sequer sabia se isso ainda existia. Eu queria chutar aquela merda de barriga e acabar com tudo isso.
-Tudo bem. -Assenti por fim, me colocando de pé e fungando por meu nariz que ameaçava de querer escorrer. Pousei as mãos na cintura olhando-a em tom de rendição. -Quanto quer? Quer que eu escreva um número ou já tem a quantia na sua cabeça?
-Baptiste. -Robert me chamou também, fazendo-me olha-lo em supetão e puro ódio. Meu agente abriu um sorriso para Aydra e então fez um gesto para a porta. Falou em seu tom educado e político de sempre. -Será que a senhorita poderia nos aguardar do lado de fora por um momento? Prometo que não irá demorar.
-Por que?! Eu estou cuidando disso! -Protestei, mas por fim Robert e eu estávamos sozinhos na sala. Bufei sentindo o ódio me tomar. -Por que a mandou sair?!
-Ora, pare de agir como uma maldita criança! -Exclamou meu empresário, fazendo-me arregalar os olhos e ficar em silêncio por um momento. -Se você tem maturidade o suficiente para fazer filhos, tenha para lidar com os seus atos! Essa garota está passando por maus bocados e não quis contatar você sem nossa insistência. Pelo menos haja com um pingo de classe!
Classe? Um sorriso irônico se abriu em meus lábios enquanto eu trincava os dentes e cerrava os punhos, sentindo todos os meus músculos se tensionarem. Olhei para Robert em total tom de ódio.
-Quem pensa que é para falar assim comigo?
-Eu sou o dono da sua fama! Sem mim, você seria um merdinha de nada tocando na garagem da sua mãe na Irlanda! -Exclamou fazendo-me arregalar os olhos logo em seguida. Wow. -Não estamos mais brincando, Baptiste! Eu já havia lhe avisado sobre toda a imagem ruim que vinha tendo com besteiras, mas isso? Isso é demais! Isso simplesmente não pode cair na mídia ou você e a banda estão simplesmente ferrados! Tudo por causa de uma mancada sua!
-Eu já ofereci dinheiro, Robert! O que quer que eu faça? Assuma a criança? -Falei em tom de total humor, mas quando o empresário concordou, meu queixo caiu. -Nem fodendo.
-Escute aqui. A mãe dessa menina espalhou uma matéria para um jornal local dizendo sobre a gravidez dela e agora estão todos os jornais atrás de você. Não sei se notou o tumulto do lado de fora do prédio. A merda já foi feita e agora você tem que limpar. -Falou Robert sério enquanto pela primeira vez na vida eu escutava. Meu coração batia forte. -Eu falei com os seus pais e...
-Você falou com os meus pais?!
Perguntei indignado, mas fui totalmente ignorado.
-..E eles concordaram comigo que está na hora de você amadurecer e colher o que planta. Nós vamos concertar essa publicidade ruim e vamos promover essa banda mesmo tendo você como vocalista. Essa menina vai passar a morar com você agora. Pelos próximos meses até a criança nascer, nada de encontros com outras garotas em público, chega dessa vida vagabunda que está levando. Tem uma família agora. Nas revistas você vai sair todo contente, vai posar para fotos com ela. Os dois vão ser o casal mais queridinho da América até que você recupere o ibope que antes tinha. Até lá chega de besteiras, entendido?
Abri a boca para discutir, mas antes que eu pudesse, Robert acenou para que deixassem Alyra entrar de novo. Com o ódio queimando em meu corpo, chutei a mesinha de centro que voou longe despejando vários objetos no chão, quebrando-os. Logo a menina estava dentro da sala de novo, mas eu me recusei a olhar para ela. Estava de costas para Robert e para a garota, respirando alto com os punhos cerrados. Pude ouvir meu empresário falar.
-Senhorita, mandamos um carro para buscar as suas coisas. Espero que tenha paciência com ele, Baptiste pode ser... Um bosta. Seus pais concordaram e você passará a morar aqui, pelo menos por uma experiência tudo bem? Já lhe contei mais cedo sobre a situação e é importante que fiquem juntos agora. Posso garantir que a criança será sustentada e que sua ajuda é de extrema importância e gratidão. É uma mulher inteligente...
O ouvi dizer deixando claro que Alyra sabia que precisava conviver comigo por causas maiores do que o amor adolescente dela. A razão de ela ter topado ajudar eu não sabia, provavelmente era pelo dinheiro. Balancei a cabeça em desgosto enquanto caminhava em passos pesados até o bar da sala. Eu precisava beber.


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Re: Sala de Estar

Mensagem por Aydra Winston Yates em Sex 22 Ago - 8:49:22

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Meu desejo interno para que ele não risse foi tão vão que a risada dele trouxe novos arrepios ao meu corpo. Eu estava realmente com frio ou aquele frio era apenas interno? Eu nem mesmo sabia o que estava sentindo, só sabia que nada do que um dia imaginei iria acontecer. — Isso é piada, não é? — Mesmo que ele não me olhasse eu ainda estava fixada no rosto de Baptiste, desejando como nunca ajeitar aqueles fios que estavam fora do lugar e que eu sabia que não era proposital. Balancei a cabeça negativamente desviando o olhar para o chão, me arrependendo imediatamente de tê-lo feito. Não era hora de ter vergonha, eu tinha que continuar olhando para ele. Ninguém que está falando a verdade precisa ter vergonha e Augustus Rutherford me ensinou isso muito bem; com isso ergui o olhar de novo mesmo temendo ser assassinada pela lâmina afiada que era os olhos de Baptiste. Engoli em seco enquanto o agente dizia o que deveria ser uma fala minha, só que mais uma vez eu estava tão sem ação que a voz havia sumido. As palavras calmas e gentis do agente contrastaram em muito com as farpas de Baptiste, me fazendo arregalar os olhos imediatamente e balançar a cabeça negativamente por diversas vezes. Eu não era nenhuma oportunista, eu nem mesmo estava ali por minha vontade para começar a discussão! Quis gritar com Baptiste, me defender, mas só o que consegui fazer foi desviar o olhar e me afastar alguns metros, ficando perto do sofá novamente e me sentando. Estava tão perdida que o mundo havia se tornado uma gelatina de novo e eu precisava me sentar. Sentia o ar se esvaindo e uma sensação nada agradável de dor que não era física. Acho que naquele momento eu preferiria sentir a dor de um machucado do que aquela dor. O que quer que estivesse acontecendo naquela sala não entrou em meu foco, eu só conseguia me concentrar em não chorar. Já podia sentir as lágrimas salgadas salpicarem meus olhos causando ardência, mas eu não podia chorar, não mais do que eu já tinha chorado durante todas aquelas duras semanas desde que havia descoberto um coração palpitando dentro de mim. Respirava com dificuldade e tentava me agarrar a qualquer coisa para não desmaiar realmente, mesmo que estivesse sentada. — Quanto quer? Quer que eu escreva um número ou já tem a quantia na sua cabeça? — Descobri que a única voz que poderia me trazer de volta era a de Baptiste. Nem mesmo me importei de ter os olhos cheios de lágrimas que ainda não caíram, olhei para ele com uma mistura de incredulidade e tristeza, soltando uma risada totalmente sem humor. Tomei mais uma longa lufada de ar e tornei a pousar meus orbes no agente que eu não me lembrava o nome, balançando a cabeça negativamente. — Pra mim chega. — Disse pra ele em um tom baixo, tão baixo que duvidava que ele tivesse me ouvido se não fosse pelo seu olhar complacente. Eu não precisava de pena agora, eu precisava ir embora! Me levantei mais rápido do que realmente queria e acabei por falsear os passos, conseguindo me manter firme e pelo menos não cair. — Será que a senhorita poderia nos aguardar do lado de fora por um momento? Prometo que não irá demorar. — O agente disse apontando a porta pra mim. Essa era uma boa hora de escapar sem que eles soubessem e fugir para qualquer lugar onde eles nunca me encontrassem. Certo, iria bolar minha fuga quando estivesse do lado de fora daquela sala que só exalava tensão e estava me deixando nervosa e agoniada. Evitei olhar para Baptiste enquanto ele dizia qualquer coisa que só me fez tremer, indo para fora daquela sala. A porta se fechou atrás de mim e quando me virei notei dois grandes homens de preto por perto. Estava a noite mas ainda assim eles usavam óculos escuros. Não os dois, só um deles. O branquelo alto não usava e eu podia ver seus olhos negros fixos em algum ponto que não era eu. Meu deus, como eu era baixa perto daqueles brutamontes! Como eu iria fugir? Aquele corredor parecia tão longo, as escadas pareciam tremer às minhas vistas e eu sabia que se desse um passo na direção delas eu cairia. Meu celular vibrou dentro do bolso do meu short e demorei um instante para conseguir desbloquea-lo já que minhas mãos tremiam a ponto de que eu pensasse que havia desenvolvido Parkinson precocemente. O nome e a foto de Elena estampavam a tela do celular que ela havia me dado assim que me mudei para a casa deles. Quando atendi não tive nem mesmo tempo de dizer “alô” e já estava sendo bombardeada pelas mais diversas perguntas que uma mãe preocupada faria. Elena não era minha mãe biológica mas fazia muito mais do que Ana um dia fez por mim. — Elena, calma... Eu estou bem, okay? Ainda estou aqui, não sei quando vou embora. — Respondi, ouvindo do outro lado da linha algo que me fez desacreditar ainda mais do que estava acontecendo. — Era isso que eu queria saber, Aydra. Tem uma quantidade exorbitante de pessoas aqui esvaziando seu quarto em diversas malas. Concordamos em te deixar ficar aí por um tempo, falamos com o agente de Baptiste, mas eu não sabia que seria tão rápido. Tem certeza que quer ficar aí? — Gaguejei, realmente prestando atenção aos barulhos de várias vozes do outro lado da linha, me virando para o lado da escada na intenção de descer e ir embora, agindo por puro impulso. — Eu não sei, Elena. Eu estou indo pra casa agora, certo? Vamos resolver isso. — Disse determinada, mas fui barrada pelo segurança branquelo que não usava óculos. — A senhorita ainda não pode ir, temos ordens de Robert para mantê-la aqui. — Encarei o homem não podendo evitar revirar os olhos, agora eu estava “presa” ali até que o agente – que se chamava Robert e agora eu me lembrava – pudesse me liberar.  Não! Eu quero ir pra minha casa. Quis gritar, mas Elena estava do outro lado da linha e ficaria extremamente preocupada. Soltei o ar pela boca, impaciente, agradecendo por ela não estar me vendo agora. Eu deveria acalmá-la e resolver as coisas aqui antes de resolver as coisas lá, esse era o certo. — Elena, façamos o seguinte, vou resolver o que quer que tenha a ser resolvido aqui e te ligo em seguida, okay? Acho que não posso ir embora e deixar mais uma vez as coisas por fazer, não agora que finalmente encontrei Baptiste. — Ouvi o consentimento da mulher do outro lado da linha e um “você está certa, tome cuidado” antes de desligar. Senti um buraco se abrir em meu peito ao guardar o celular e mais uma vez a confusão tomar todos os meus instintos. Minhas coisas estavam sendo pegas. Claro, Robert havia me dito alguma coisa sobre isso quando me procurou, algo como “precisaremos da sua paciência e compreensão, é uma situação delicada que envolve mais do que você e seu bebê. Estamos falando da carreira de Baptiste e tudo o que ele construiu até então.”, mas me levar para morar com o músico? Me surpreendi como me lembrava claramente das palavras, sentindo náuseas por elas. Não era realmente o bebê que importava para o agente gentil, era a carreira de Baptiste, a banda e todo o dinheiro que envolvia. Estaria ele preocupado que eu fosse processar o músico? As coisas estavam ficando cada vez piores e eu sentia uma certa sensação de raiva me tomar ao lembrar que tudo aquilo se devia ao fato da minha mãe biológica querer sempre tirar vantagem das situações mais delicadas. Ana Yates era surpreendente! Percebi que estava chorando quando senti o gosto salgado das lágrimas atingirem meu paladar. Droga! Sequei o que pude com as mãos ouvindo então a porta atrás de mim ser aberta novamente pelo segurança que usava óculos. Eu não queria voltar para aquela sala agora... Conduzida pelo branquelo era impossível resistir a mão dele em minhas costas, parecia que tomava toda aquela parte do meu corpo. Eu sempre gostei de ser pequena, porém agora eu sentia a desvantagem do meu metro e sessenta e dois.

Senhorita, mandamos um carro para buscar as suas coisas. Espero que tenha paciência com ele, Baptiste pode ser... Um bosta. Seus pais concordaram e você passará a morar aqui, pelo menos por uma experiência tudo bem? Já lhe contei mais cedo sobre a situação e é importante que fiquem juntos agora. Posso garantir que a criança será sustentada e que sua ajuda é de extrema importância e gratidão. É uma mulher inteligente... — Robert disse confirmando o que Elena havia dito no telefone. Eu deveria me sentir satisfeita pelas palavras dele, não? Pelo menos confortável, mas elas não passavam a mínima segurança pra mim, ainda mais ao notar que Baptiste não tinha nem a decência de me olhar. Queria tanto que ele me olhasse agora como fez naquela noite, com os olhos enegrecidos por um desejo agressivo e urgente, como se nada no mundo importasse a não ser nós dois. Lembrar aquilo era desgastante e dolorido. Se antes lembrar suas palavras bonitas me fazia bem agora só machucava ainda mais. Ficar ali, morar com Baptiste era um sonho antigo, algo que nem em um milhão de anos eu imaginaria que um dia iria acontecer. Era como ser a princesa do conto de fadas, só que eu parecia estar vivendo um filme de terror. Nos filmes o casal estava junto por amor, dispostos a fazer o que fosse por aquele sentimento que cegava qualquer um. No meu caso era por pura conveniência, Robert deixou aquilo claro com suas palavras. Mordi o lábio inferior e comecei a negar com a cabeça, eu não iria me sujeitar àquilo... Mas tinha ele, meu bebê dentro de mim que merecia ter um pai. Dane-se o dinheiro, eu não me importava com nada além da felicidade da vida que eu carregava. Se bem que, naquele momento, eu duvidava um pouco sobre a felicidade do bebê em relação ao pai que rejeitava-o. Olhar para Baptiste assim, desesperado, me fez notar que foi exatamente minha reação quando descobri. Ele tinha toda razão, afinal. Quantas outras não apareceram alegando a mesma coisa antes? E ter um filho naquela idade não era exatamente o planejamento de um jovem que tinha uma vida toda a ser vivida. Eu entendia o lado de Baptiste e me senti comovida por ele. Me segurei para não toma-lo em um abraço e dizer que tudo ficaria bem, que eu não iria fazer nada que atrapalhasse a vida dele; sabia que naquele instante qualquer palavra que eu dissesse não seria suficiente para fazê-lo entender. — Tudo bem. — Respondi após meu momento reflexivo, minha voz ainda falseava pelo choro que teimava em querer aparecer. — Mas eu tenho uma condição pra ficar. — Pigarreei, deixando minha voz firme e olhando para os vários rostos que tinham naquela sala. Todos eles pareciam surpresos, incluindo Robert. Eu impor uma condição naquela situação era no mínimo intrigante. Ergui o indicador interrompendo a fala de qualquer um que quisesse se interpor, agora era a minha vez. — Amanhã bem cedo faremos o teste. Não quero esperar ele nascer. — Novamente meu olhar parou em Baptiste e eu tive que me esforçar mais do que nunca pra me concentrar em alguma coisa que não fosse sua boca e a vontade que eu tinha de tê-la na minha. Mordi o lábio inibida pelo meu pensamento. — Eu tenho absoluta certeza que esse filho é seu, mas você não tem, eu entendo. Você é famoso, rico, bonito, o sonho de consumo de qualquer garota e eu sei que muitas apareceram afirmando a mesma coisa e por isso eu quero fazer isso. Hoje em dia é possível fazer o teste ainda com o bebê dentro da barriga, os resultados tem uma variante de erro muito pequena e você pode ao menos ter a segurança de não estar assumindo uma responsabilidade que não é sua. Quero fazer isso pra te dar a segurança que você precisa, Baptiste. Essa é minha condição para ficar aqui e fazer o que quer que vocês me mandem fazer. — Vagueei meus olhos pelo local uma vez mais, parando um segundo em Robert e vendo-o assentir satisfeito, antes de voltar a fitar Baptiste. — Feito?

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Re: Sala de Estar

Mensagem por Baptiste R. O'Donnel em Sex 22 Ago - 14:32:36


Fuck That Shit!

— Tudo bem. Mas eu tenho uma condição pra ficar.
Eu servia meu copo de Whisky enquanto milhões de coisas metralhavam minha cabeça e enxiam minha mente de todas as possibilidades e ideias possíveis. Eu não poderia ficar parado e deixar tudo aquilo simplesmente acontecer, podia? Me virei incrédulo, olhando atônito a menina que além de estar invadindo a minha vida, pedia por exigências. Dei um longo gole na bebida enquanto ela se virava em minha direção.
-Ótimo, quer que eu te traga um cházinho também?
— Amanhã bem cedo faremos o teste. Não quero esperar ele nascer. — Me ignorou começando a falar. Ergui uma sobrancelha observando-a atentamente e até onde aquele assunto iria. Respirei fundo, massageando o cenho. — Eu tenho absoluta certeza que esse filho é seu, mas você não tem, eu entendo. Você é famoso, rico, bonito, o sonho de consumo de qualquer garota e eu sei que muitas apareceram afirmando a mesma coisa e por isso eu quero fazer isso. Hoje em dia é possível fazer o teste ainda com o bebê dentro da barriga, os resultados tem uma variante de erro muito pequena e você pode ao menos ter a segurança de não estar assumindo uma responsabilidade que não é sua. Quero fazer isso pra te dar a segurança que você precisa, Baptiste. Essa é minha condição para ficar aqui e fazer o que quer que vocês me mandem fazer. Feito?
Um sorriso sarcástico se abriu em meu rosto enquanto eu fitava o chão por um momento e pousava o copo de Whisky sobre o balcão que caiu no chão e se espatifou no chão, quebrando-se em milhões de pedaços, mas não liguei. Caminhei em passos lentos e calmos em direção à garota, abrindo um largo sorriso enquanto nossos rostos ficavam extremamente próximos. Robert tensionou os músculos e nos observou atentamente provavelmente já prevendo que minha aproximação não era coisa boa. Fitei os olhos da menina com o meu brilho mais cruel, ignorando totalmente seu rosto frágil ou magoado.
-Isso não será necessário, princesa. -Falei simplesmente sentindo a sua respiração quente. -Eu não dou a mínima para essa coisa que você carrega dentro de você, quero que isso se foda. Eu não quero saber se é meu ou de qualquer outro cara que caiu na sua rede, não quero ter algo a ver com isso. Eu estou preocupado com a minha fama e isso é tudo. Nós vamos fazer o mundo crer que somos um casal lindo e depois eu me livro de você e dessa coisa, sem sequer olhar para trás. Vai ter o seu dinheiro para o resto da vida.
Cuspi as palavras enquanto me afastava e empurrava Robert para trás quando tentou me fazer parar de seguir por minha trajetória. O ouvi resmungar.
-Onde vai Baptiste?
Olhei para ele por cima dos ombros e abri um sorriso, indiferente.
-Eu vou para o meu quarto porque aquela área você ainda não passou a invadir. A menina pode ficar no quarto de hóspedes, subam vocês com as coisas dela. Ótima noite para os dois.
Falei em tom firme enquanto dava as costas e caminhava em direção a porta, dirigindo-me assim aos meus aposentos. Minha cabeça rodava, doía e meu peito ardia em uma fúria tão grande que mal poderia esperar para chegar no andar de cima, gritar e quebrar tudo. Eu não acreditava que aquela merda estava acontecendo, nenhum sexo valia aquilo. Se eu pudesse voltar no tempo, seria um cara feliz. Até lá eu poderia comer uma pizza ou coisa do tipo.
I'm done with that fucked up world.
Thanks Maddoll @ TPO
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Re: Sala de Estar

Mensagem por Aydra Winston Yates em Sex 22 Ago - 16:26:14

It hurts
Dei um pulo assustada com o estardalhaço do copo se quebrando quando atingiu o chão, cortando o curto silêncio que se formou depois da minha “condição”. Baptiste começou a caminhar na minha direção a passos tão vagarosos que parecia que ele nunca iria chegar. Tudo o que eu queria era tê-lo perto agora, certo? Então, por que meu sexto sentido me alertava pra ficar o mais longe que eu pudesse? E por que eu não estava me afastando? Respirava com mais dificuldade e de forma mais acelerada com a proximidade do rapaz, seu rosto tão perto que eu podia sentir sua respiração se fundir com a minha e seu hálito denunciar álcool em excesso, o que fez meu estômago se revirar. Os olhos de Baptiste eram como ímãs para o meu, mas se um dia eu vi admiração ou doçura naqueles olhos agora não havia nenhum vestígio sequer além de puro ódio. Ele me odiava com toda força que havia em seu ser e isso se tornou óbvio, tão claro quando o copo que havia se espatifado no chão um segundo antes. — Isso não será necessário, princesa. — Ele começou, talvez seus olhos estivessem me enganando afinal e ele estava começando a entender meu ponto. Mas eu não tinha ouvido tudo. — Eu não dou a mínima para essa coisa que você carrega dentro de você, quero que isso se foda. Eu não quero saber se é meu ou de qualquer outro cara que caiu na sua rede, não quero ter algo a ver com isso. Eu estou preocupado com a minha fama e isso é tudo. Nós vamos fazer o mundo crer que somos um casal lindo e depois eu me livro de você e dessa coisa, sem sequer olhar para trás. Vai ter o seu dinheiro para o resto da vida. — Ainda enquanto dividia o mesmo infernal espaço que Ana nunca havia ouvido palavras tão duras e que ferissem tanto. Senti medo, dor, cansaço, tristeza, mas acima de qualquer coisa sentia o orgulho mais ferido do que nunca. Mesmo depois de me oferecer para um teste de DNA, me submeter a dúvidas, estar salvando a carreira de Baptiste, ele continuava com a ideia de que eu só estava ali por dinheiro, e não havia nada pior do que aquilo. Meu sangue ferveu, meu coração disparou ainda mais forte e eu senti uma vontade súbita de esbofetear o mesmo rosto que minutos antes eu queria beijar. Minhas mãos se fecharam em punho e respirei fundo controlando aquela maldita vontade. Sentia a impotência da situação me cercar enquanto Baptiste me dava as costas e saía após dar sua última instrução sobre o que fazer comigo. A sensação de ser um objeto piorava a cada segundo. Depois de vê-lo sair, ignorando qualquer pessoa que intencionasse fazê-lo parar, minha visão ficou turva e escurecida, meus joelhos cederam pelo cansaço, a gelatina chamada mundo me sugava para o chão e esperei o impacto  contra meu corpo, mas ao invés disso tive dois pares de braços me acolhendo. Não podia conter as lágrimas que corriam incessantes pelo meu rosto, os soluços baixos mas constantes de um choro de alguém desesperado, nem mesmo me importava de estar chorando para cerca de dez homens sérios e engravatados. — Henrick, já sabe para onde leva-la. — Ouvi uma voz soando ao longe, tão longe que poderia jurar que ela era um eco de alguém gritando no penhasco. Por fim estava sendo carregada por um só par de braços fortes, meu rosto estava escondido contra uma parede de músculos protegidos por um terno negro. Olhei para o lado do homem que me carregava e vi o segurança branquelo que havia me barrado quando quis ir embora. Eu não conseguia me mover, não conseguia pensar – tinha até medo de pensar na verdade –, eu só queria dormir por um dia todo e acordar saindo daquele pesadelo que um dia foi meu sonho.

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Re: Sala de Estar

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